domingo, 30 de dezembro de 2007

Um ano novo, um novo tempo

O Universo, projeção da mente divina, tem a regê-lo leis harmônicas. Em linguagem acessível à mente humana, dir-se-ia que essas normas soberanas são sintetizadas pela Lei de Amor, Justiça e Caridade, assim o diz o Espírito da Verdade, na questão 648 de O Livro dos Espíritos.

Esta, todavia, não é a nossa realidade. Ao contrário, a presença do homem ainda não noticia a presença de Deus. Somos herdeiros da mente criadora, mas não cuidamos de uma parte essencial da herança divinal - o Amor. Deus é Amor - assim O classifica o Mestre Jesus. Mas o homem, filho de Deus, de modo geral, ainda não manifesta Amor. Não nos libertamos de nosso casulo. Um dia, romperemos as paredes de nosso ego, alçaremos o vôo definitivo e nos encantaremos com o sol da liberdade. A partir desse momento, seremos extensões do Pai, agindo conscientemente em harmonia com Ele. Tudo será diferente.

Para nós, espíritas, a convicção de vida eterna está ligada, inevitavelmente, à certeza de que a felicidade não é uma utopia inatingível. Exatamente por sabermos ser o Espírito imperecível, animamo-nos a acreditar na capacidade de reforma interior de todos os homens.

Aproveitemos o calendário. Como pessoas contingenciadas pelo tempo, ainda precisamos dele. Dediquemos os primeiros dias, os primeiros meses, as primeiras horas do Ano Novo a reflexões deste tipo. Cada um indague de si mesmo o que poderá fazer para que um novo tempo se instale à sua volta, um tempo de justiça, de amor e de caridade. Não esperemos mais pelo vizinho, pelo superior hierárquico, pelos governos, pelo outro. Façamos a nossa parte. Como diz Chico Xavier - "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

Aproveitemos a festa. Os fogos de artifício ainda queimam no horizonte e já estamos promovendo a grande renovação. Viajemos ao interior de nós mesmos e procuremos descobrir o que o Pai espera de cada um.

Seja este o seu Ano Novo. Seja este o seu Ano Bom.

Humberto Vasconcelos

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Na seara de luz

Nem todos conseguem, de improviso, realizar feitos heróicos ou desfrutar encargos de grande elevação, como sejam:

Apresentar uma vida sem erros;

Dirigir sabiamente a comunidade;

Ser um gênio na sublimação da inteligência;

Conservar equilíbrio invulnerável, a ponto de ser um modelo acabado de virtude;

Dispor de fortuna para garantir a beneficência;

Ou manejar o poder para a felicidade geral.

Mas todos podemos, seja onde for, dizer a boa palavra, esboçar o gesto de simpatia, estimular a cooperação fraternal, abençoar com a prece e auxiliar pelo prazer de servir.

Em resumo, nem todos estamos habilitados, de pronto, a desempenhar as funções da lâmpada perfeita do Eterno Bem, cuja luz remove as trevas do mal; entretanto, cada um de nós, onde esteja, pode e deve ser um pequenino raio de amor ou luz.

Albino Teixeira
Psicografia de Chico Xavier, do livro "Aulas da Vida"

A descoberta do pior apagão

2007 entra para a história como o ano em que descobrimos o pior de nossos apagões: o apagão dos trabalhadores. É uma terrível e maravilhosa descoberta. Maravilhosa porque, ao contrário dos anos de baixa, os empresários precisam encontrar mão-de-obra qualificada e remunerá-la melhor. Terrível porque mostra um das maiores incompetência brasileiras: ser um país de alto desemprego, mas incapaz de preencher vagas.

Vimos, em detalhe, como o capital humano significa mais empregos e renda, ou seja, menos miséria, e como pagamos um preço alto pelo descuido com a formação dos brasileiros. Todos perceberam, com clareza, que, se quisermos crescer, teremos de ser mais sérios com a educação pública.

A nota positiva é que nunca se falou tanto do apagão de professores para o ensino médio. E também nunca se falou da necessidade de ampliar cursos técnicos. A rapidez com que enfrentaremos essas carências será a melhor medida da seriedade de todo um país com seus cidadãos.

Coluna originalmente publicada na Folha Online.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Além da manjedoura

Quero viver um Natal além da manjedoura. Do auspicioso advento, conservo a certeza de que ele nasceu e foi preservado dos ardis do ambiente hostil, graças aos paternais cuidados de José e da solicitude angelical de Maria, que Humberto de Campos, Espírito, chama Rosa Mística de Nazaré.

Quero viver um Natal além das homenagens dos monarcas inspirados e da terna canção que anjos entoaram saudando o santo evento, quando glorificaram a Deus e anunciaram que uma nova era seria instalada na terra dos homens, e esse novo tempo seria o da boa vontade.

Quero ir além da alegria fugaz de uma noite em que nos saudamos em nome do menino mensageiro, entre presentes e votivas esperanças, cada um de nós desejoso de que, afinal, possa ele encontrar abrigo nos humanos corações.

O meu Natal será o da maturidade, o do discernimento, o do compromisso. Afinal, já era tempo. Não há mais o que esperar.

Meu Natal sinaliza presença, não chegada. No íntimo, sinto que Jesus jamais se apartou de nós. Consentiu em assumir feição humana, acima de tudo para anunciar a todos que nada resiste à ausência do Amor: nem o poder, nem a força ou qualquer outra expressão das glórias terrestres sobrevive quando falta o Amor: Isso é tudo.

Quero enfim, um Natal pleno, que salte do calendário para a vida de todos os dias, de todos os homens, de todas as coisas sob o céu, porque ele, o inolvidável Senhor dos Tempos, daqui não se apartará, até que a última e mais esquecida de suas descuidadas ovelhas seja resgatada.

Humberto Vasconcelos

Que neste natal...

Que neste natal tenhamos:

menos papai Noel, mais Jesus;

menos presentes, mais abraços;

menos consumo, mais oração e meditação;

menos supérfluo, mais necessidade;

menos intrigas, mais perdão;

menos guerras, mais paz;

menos fome, mais caridade;

menos sede, mais caridade;

menos frio, mais caridade;

menos solidão, mais caridade;

menos sofrimento, mais caridade;

menos doença, mais caridade;

menos egoísmo, mais caridade;

menos inveja, mais caridade;

menos orgulho, mais caridade;

menos vaidade, mais caridade;

menos ambição, mais caridade;

menos indiferença, mais caridade;

menos ódio, mais caridade.

Neste natal o nosso maior presente a Jesus é o amor, consolidado na caridade.

Chegará o dia em que todos os dias serão natal, pois Jesus nos serve e nos ampara o ano inteiro. Todo dia é Deus, todo dia é natal, todo dia é Jesus - nosso modelo e guia.

Que a paz do nosso Irmão Maior - o Mestre Jesus - esteja conosco hoje e em todos os dias de nossas vidas.

Assim seja.

Marcelo Brito Sener

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Necessidade da caridade segundo São Paulo

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens, e mesmo a língua dos anjos, se não tivesse caridade não seria senão como um bronze sonante, e um címbalo retumbante; e quando eu tivesse o dom de profecia, penetrasse todos os mistérios, e tivesse uma perfeita ciência de todas as coisas; quando tivesse ainda toda a fé possível, até transportar as montanhas, se não tivesse a caridade eu nada seria. E quando tivesse distribuído meus bens para alimentar os pobres, e tivesse entregue meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso não me serviria de nada.

A caridade é paciente; é doce e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária e precipitada; não se enche de orgulho; não é desdenhosa; não procura seus próprios interesses; não se melindra e não se irrita com nada; não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, permanecem; mas, entre elas, a mais excelente é a caridade.

(São Paulo, 1ª Epístola aos Coríntios, cap. XIII, v. de 1 a 7 e 13).

O maior mandamento

Mas os Fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca aos Saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, veio lhe fazer esta pergunta para o tentar: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o vosso espírito. Eis aí o maior e o primeiro mandamento. Eis o segundo, que é semelhante a este: Amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos.
(São Mateus, cap. XXII, v. de 34 a 40)

Ensinamento de Jesus

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Bem-aventurados, disse ele, os pobres de espírito, quer dizer, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai a vós mesmos antes de julgar os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e ele mesmo dá o exemplo; orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater, mas faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura.

Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo XV

Caridade

"Ora, quando o Filho do homem vier em sua majestade, acompanhado de todos os anjos, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações estando reunidas diante dele, separará uns dos outros, como um pastor separa as ovelhas dos bodes, e colocará as ovelhas à sua direita, e os bodes à sua esquerda.

Então o rei dirá àqueles que estarão à direita: Vinde, vós que fostes benditos por meu Pai, possuí o reino que vos foi preparado desde o início do mundo; porque eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber; tive necessidade de alojamento e me alojastes; estive nu e me vestistes; estive doente e me visitastes; estive na prisão e viestes me ver.

Então os justos lhe responderão: Senhor, quando foi que vos vimos com fome e vos demos de comer, ou com sede e vos demos de beber? Quando foi que nós vos vimos sem teto e vos alojamos, ou sem roupa e vos vestimos? E quando foi que vos vimos doente ou na prisão e viemos vos visitar? E o rei lhes responderá: Eu vos digo em verdade, quantas vezes o fizestes com relação a um destes mais pequenos de meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes."

(São Mateus , cap XXV)

sábado, 15 de dezembro de 2007

Caridade: solução

Diante do dever, pensa na caridade, serve e passa.

DIante da dor, pensa na caridade, socorre e passa.

Diante do infortúnio, pensa na caridade, auxilia e passa.

Diante da aflição, pensa na caridade, consola e passa.

Diante da sombra, pensa na caridade, ilumina e passa.

Diante da perturbação, pensa na caridade, esclarece e passa.

Diante da ignorância, pensa na caridade, ensina e passa.

Diante da injúria, pensa na caridade, perdoa e passa.

Diante do golpe, pensa na caridade, tolera e passa.

Diante da tentação, pensa na caridade, ora e passa.

Diante do obstáculo, pensa na caridade, espera e passa.

Diante da negação, pensa na caridade, confia e passa.

Diante do desânimo, pensa na caridade, ajuda e passa.

Diante da luta, pensa na caridade, abençoa e passa.

Diante do desequilíbrio, pensa na caridade, remedia e passa.

Diante da tristeza, pensa na caridade, reconforta e passa.

DIante de todo o mal, pensa na caridade, faze todo o bem ao alcance de tuas mãos e segue adiante.

"A cada dia basta o seu próprio trabalho" - diz-nos a sabedoria do Evangelho.

Toda criatura, a caminho da perfeição, segue na estrada bendita da experiência.

Toda experiência é uma prova.

Toda prova configura um problema.

Caridade é a solução.

Fabiano de Cristo
Psicografia de Chico Xavier

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Geração de emprego com carteira bate novo recorde em novembro

Mercado formal registra expansão de 124.554 postos, saldo quatro vezes maior que o do mesmo mês no ano passado

A geração de empregos com carteira assinada no país foi a maior da história no mês de novembro, com aumento de 124.554 vagas. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o resultado é quatro vezes maior que o mesmo mês do ano passado, quando houve a formalização de 32.579 postos, e supera em quase 45 mil vagas o verificado em novembro de 2004 (79.022), o maior até então.

De janeiro a novembro de 2007, o saldo entre admissões e desligamento alcançou a marca de 1.936.806 postos, ultrapassando o desempenho de todo o ano de 2004, quando o país teve a amplicação recorde de 1.523.276 empregos.

"Isso mostra que o Brasil está com um crescimento consistente, com a inflação sob controle e com crédito internacional. Acredito que vamos bater o recorde de geração de emprego neste ano, alcançando um pouco mais de 1,6 milhão de postos formais. Em 2008, acho que podemos beirar a criação de dois milhões de empregos formais", afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

A alta de novembro foi impulsionada pelo elevado volume de contratações no setor de Comércio - 99.677 postos, a maior para este mês. Em seguida aparecem o setor de Serviços, com 62.422 vagas, resultado recorde da série histórica do Caged; e a Construção Civil, com 7.811 vagas, o primeiro número positivo em um mês de novembro.

Na outra ponta, Agropecuária e Indústria de Transformação registraram uma redução expressiva no saldo de contratações por motivos sazonais, relacionados especialmente ao agronegócio. No primeiro setor, houve a perda de 43.105 vagas, queda menor que a de novembro de 2006 (-50.757). Na Indústria de Transformação, a redução foi de 2.496 postos, menor do que a do mesmo mês do ano passado (-26.831).

O crescimento do emprego com carteira assinada aconteceu em todas em quatro das cinco regiões do país. Por conta da sazonalidade do agronegócio, o Centro-Oeste teve um declínio de 8.512 vagas. Em termos absolutos, as que mais se destacaram no mês foram a região Sudeste (64.703 postos), Sul (42.738) e Nordeste (17.437).

Acumulado
O saldo de empregos gerados entre janeiro e novembro foi o melhor da série histórica do Caged, com a criação de 1.936.806 postos de trabalho celetistas, superando 2004, que no acumulado dos 11 meses apresentou 1.875.369 vagas. O setor de Serviços liderou a geração de empregos ao criar 672.898 postos - o maior saldo do período, seguido da Indústria de Transformação, responsável pela formalização de 537.556 trabalhadores. O Comércio gerou 374.962 empregos e a Construção Civil, 202.636, resultado recorde da série.

As informações são do Ministério do Trabalho.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Um recado contra o desperdício

Há uma série de razões para explicar a derrota do governo, entre as quais as falhas na articulação do governo no Congresso, o jogo baixo de barganhas, o medo de que a vitória da prorrogação da CPMF turbinasse a candidatura presidencial do PT e a necessidade de a oposição ocupar espaço diante da opinião pública. O que importa, porém, é o crônico cansaço do brasileiro diante do gasto público ao mesmo tempo em que paga mais impostos.

Periodicamente saem notícias sobre nosso atraso social comparado a nações mais pobres, a exemplo dos indicadores educacionais na semana passada. A insegurança nas cidades é generalizada, os serviços públicos são ruins, há falta de investimentos. Mesmo assim os impostos não param de subir.

Cria-se uma desnecessária emissora de televisão pública ao custo inicial de R$ 350 milhões, fala-se em dar dinheiro para o Banco Sul, inventado por [Hugo] Chávez, anunciam-se mais dezenas de milhares de contratações. Vemos salários públicos ganharem as alturas.

Há muito tempo vem ganhando o descontentamento menos sobre o quanto pagamos de imposto ( e é muito para uma nação emergente) e mais sobre como ele é usado --esse sentimento foi a grande força por trás da derrota do governo.

Coluna originalmente publicada na Folha Online, editoria Pensata.

Fim da CPMF

O Governo perdeu a disputa da CPMF. Perdeu pela pobreza com que colocou o debate e pela sua arrogância em não negociar de uma forma racional.

O que está em discussão é a reforma tributária e a eficiência do gasto público no país. A sociedade paga impostos altos, vendo aumento da arrecadação, aumento de gastos e estagnação na qualidade dos serviços públicos. Nesse contexto, o tombo que o Governo levou serve para ele fazer o dever de casa e reequilibrar o orçamento, cortando gastos e revendo essa grande estrutura de cargos de confiança, emendas parlamentares e todos os outros desperdícios dos recursos públicos.

O Governo, agora, tem de ter a humildade de negociar uma reforma tributária. A CPMF é um bom imposto, pois é fácil de coletar e pode ser um imposto de caráter social. O que é inaceitável é o discurso demagógico do Governo e de parte da oposição, ao afirmar que a Saúde e o Bolsa Família serão prejudicos. Este ano o Governo arrecadou 60 bilhões a mais do que o previsto, ou seja, uma CPMF e meia. Essa demagogia não faz o país avançar e não ganha votos, pois confunde o eleitor, que já não entende bem o assunto.

Marcelo Brito Sener

Haddad anuncia sistema nacional de formação de professores

Poucos dias após a divulgação do péssimo desempenho dos estudantes do país em ciências, matemática e leitura, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos de 2006 (Pisa), o Governo federal decidiu pôr em foco a formação de professores. O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou a criação do “embrião do Sistema Nacional de Formação de Professores”.

De acordo com o ministro, 15 mil bolsas de iniciação à docência serão lançadas para próximo ano. O número de benefícios para 2009 já está estimado em 20 mil.

Além desta medida, compõem esse “embrião” o aumento de vagas em licenciaturas – cursos voltados para a formação de professores – nas instituições federais de ensino superior; a oferta de cursos de formação de professores, principalmente de física, química e matemática, nos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets); e a Universidade Aberta do Brasil (UAB), programa que pretende oferecer cursos de formação à distância para a docência.

Segundo o ministro, não basta que os docentes obtenham seus diplomas, também é necessário avaliar a qualidade dos cursos de formação. “Houve uma proliferação de cursos em geral. O ministério tem de fazer uma supervisão para encolher os cursos que não oferecem qualidade e garantir a expansão de outros, com qualidade”, disse.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Maria Dutra Vieira, discorda de parte das medidas. “As iniciativas são positivas, mas são insuficientes para atender às demandas de professores”, disse. Para Juçara, as condições fundamentais para criar o interesse no jovem de se tornar um professor, são a valorização do salário e da carreira.

“Também somos contra a formação superior de professores feita à distância, proposta da Universidade Aberta do Brasil. A metodologia presencial é melhor para a formação inicial”, afirma.

Haddad participou, terça-feira (11), de um seminário da Associação Nacional dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em Brasília. Também estiveram no evento os ex-ministros da Educação Cristovam Buarque (PDT) e Paulo Renato Souza (PSDB).

Certificação de professores
O ex-ministro Paulo Renato defendeu durante sua apresentação uma avaliação específica para professores. “A avaliação poderia mostrar às instituições de ensino o que se espera do aluno formado por elas”, argumentou. A proposta é amplamente criticada pela CNTE: “Os professores já são avaliados ao final da faculdade e no ingresso no mercado em concursos públicos”, diz Juçara.

A proposta pode ser discutida no ano que vem, segundo Haddad. Mas ainda não há diálogo estabelecido sobre esse tipo de exame.

Simone Harnik
Portal G1

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Estudo: Ártico poderá ter verão sem gelo em 2013

Jonathan Amos

Um estudo realizado nos Estados Unidos e na Polônia aponta que o Oceano Ártico poderá passar o verão totalmente sem gelo dentro de apenas cinco ou seis anos.

Em uma apresentação no encontro da União Americana de Geofísica, em San Francisco, a equipe de cientistas da Nasa e da Academia Polonesa de Ciências disse que projeções anteriores subestimaram o processo que está causando o derretimento do gelo no Ártico.

A equipe de pesquisadores se concentrou em medidas da camada de gelo observadas entre 1979 e 2004, mas a extensão mínima de gelo foi registrada no verão deste ano.

"Com isso, podemos até dizer que nossa projeção para 2013 já é tímida", disse Wieslaw Maslowski, chefe do grupo de cientistas. Segundo o estudioso, a diferença entre outros estudos e o seu está na resolução dos modelos criados para simular as situações no futuro.

"Nós usamos um modelo de alta resolução, com dados atmosféricos realísticos", disse Maslowski. "Com isso, conseguimos uma imagem muito mais realista, com a influência de forças acima da atmosfera e abaixo do oceano."

O grupo do professor Maslowski, que inclui cientistas da Nasa e do Instituto de Oceanologia e da Academia Polonesa de Ciências, é conhecido por produzir dados e modelos mais avançados em relação a outros grupos de estudo.

Os outros grupos de pesquisadores produziram informações para um verão com o Oceano Ártico aberto em um período que varia entre 2040 e 2100. Para Maslowski, estes modelos subestimaram alguns processos importantes envolvidos no derretimento das geleiras.

O pesquisador afirma que os modelos precisam incorporar representações mais realistas da forma como a água quente está se movendo pela bacia ártica, vinda dos oceanos Atlântico e Pacífico.

"O que alego é que os modelos climáticos globais subestimam a quantidade de calor transportada para o oceano de gelo", afirmou. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, usa a média de uma série de modelos para calcular a perda de gelo na região.
Mas, nos últimos anos, aparentemente a taxa real de derretimento das geleiras no verão está ficando à frente dos modelos. Em setembro deste ano, a camada de gelo sofreu uma retração recorde e ficou com 4,13 milhões de km².

A marca anterior havia sido registrada em 2005, quando a extensão de gelo foi de 5,32 milhões de km². O Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC) coleta informações a respeito da extensão do gelo no Oceano Ártico e faz boletins regulares sobre o assunto.

O cientista do centro, Mark Serreze, foi um dos palestrantes do encontro da União Americana de Geofísica, em San Francisco, e discutiu a possibilidade de um mar aberto, sem geleiras, no Oceano Ártico, durante os meses do verão.

"Há alguns anos, eu pensava (nesta possibilidade) para 2050, 2070, até além do ano 2100, pois isto era o que nossos modelos nos mostravam", afirma Serreze. "Mas, como vimos, os modelos não são rápidos o bastante no presente", acrescentou.

"Estamos perdendo gelo a uma velocidade maior." "Minha opinião é que 2030 não é um ano cedo demais. Mas Maslowski é da opinião de que poderá acontecer em 2013. Veremos como será o resultado", concluiu o cientista.

BBC Brasil

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Busca por mão-de-obra já cruza a fronteira

Pressionada pela escassez de mão-de-obra qualificada no Brasil, a Vale do Rio Doce prepara-se para buscar profissionais no exterior. A empresa fechou parceria internacional para mapear a disponibilidade de trabalhadores qualificados em dez países do Leste Europeu, além de Turquia e Filipinas. Com presença em mais de 30 países, a multinacional busca recursos humanos para atender suas demandas no Brasil e em outras partes do mundo.

"Estamos buscando fontes alternativas de mão-de-obra. Há demandas no Canadá (onde a Vale é dona da Inco, maior produtora mundial de níquel), na Indonésia, na Austrália. No Leste Europeu, há mão-de-obra educada, fluente em duas, três línguas", disse ao Valor Cíntia Magno, coordenadora de seleção de carreiras da Diretoria de Recursos Humanos da Vale.

Segundo o Ipea, há, em 2007, apenas na indústria extrativista mineral, déficit de 20,8 mil trabalhadores qualificados e com experiência - no total do país, a diferença entre oferta e demanda é de 193 mil. Além do setor de mineração, que inclui a indústria petrolífera, os mais carentes são os de química e petroquímica, produtos de transporte e mecânicos. A possível importação de mão-de-obra, tema polêmico em Brasília, é apenas uma das respostas da Vale à escassez de pessoal qualificado.

O investimento na formação de pessoal no mercado interno ainda é a principal estratégia da Vale e de outras companhias brasileiras. Em 2008, a Vale deverá contratar, apenas no mercado brasileiro, 7 mil novos funcionários. Do total, ela demanda pelo menos 500 engenheiros e 60 geólogos. É aí onde está a maior dificuldade.

A mineração viveu um boom no Brasil no início dos anos 70, mas, assim como a maioria dos outros setores, praticamente estagnou nas duas décadas seguintes. Durante esse recesso, os geólogos e engenheiros de minas envelheceram e os jovens perderam interesse nessas profissões. Além disso, a mineração, considerada nociva ao meio ambiente, perdeu visibilidade e apelo.

Em 2002, motivado pelo forte crescimento chinês, o setor tomou novo impulso. "O boom agora é mais agudo que o dos anos 70 e o Brasil entrou nele graças às reservas minerais", explica Paulo Camillo Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Entre 2000 e 2006, o PIB mineral brasileiro cresceu 200%. O aquecimento do setor ocorre no momento em que profissionais do mercado estão se aposentando e a carência de mão-de-obra, especialmente nas áreas técnicas, é generalizada. "É um fenômeno mundial. A gente vê países desenvolvidos, em estágios mais avançados que o Brasil, como Austrália, EUA e Canadá, enfrentando o mesmo problema", afirma Cíntia.

Durante as décadas de 80 e 90, com a retração da economia, os engenheiros procuraram outras profissões. Uma boa parte foi parar na área de tesouraria dos bancos. O desinteresse pela profissão criou uma situação incômoda para o país: segundo dados levantados pela professora Virgínia Ciminelli, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFMG, a proporção de engenheiros no Brasil é de cinco para cada mil trabalhadores, enquanto na média mundial varia de 15 a 25. Outro problema é a concentração de estudantes em engenharia civil - 45%, face a 14% nos EUA.

Uma idéia das dificuldades enfrentadas pela Vale está no banco de currículos que a empresa mantém na internet. Lá, mais de 400 mil pessoas se inscreveram à procura de uma oportunidade, mas, do total, menos de 5% são engenheiros. No caso dos geólogos, a proporção é ainda menor - apenas 0,1%. "A solução é formar, trazer pessoas para cá que tenham uma formação básica e investir na capacitação e especialização", ensina Cíntia. Segundo ela, em 2008, a Vale oferecerá 330 vagas em cursos de pós-graduação - em 2007, foram 300. Além disso, a empresa faz intercâmbio de especialistas com suas unidades no exterior e financia, para funcionários mais qualificados, cursos específicos, como o de economia minerária, na Escola de Minas de Paris.

A Vale não está sozinha. Há forte mobilização, tanto das empresas quanto das entidades que as representam e do Sistema S (Senai e Sesi), para enfrentar a ameaça da falta de mão-de-obra, que, no limite, pode frear a expansão da economia nos próximos anos. É uma corrida contra o tempo. Responsável por cerca de 90% do setor de gás e petróleo no país, a Petrobras planeja investir anualmente, entre 2008 e 2012, cerca de US$ 20 bilhões, 3,5 vezes o que investiu no período 2003-2007.

Com base na expansão dos investimentos, a estatal calcula que o setor de gás e petróleo necessita qualificar 112 mil profissionais até 2009. A tarefa está a cargo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), criado em 2003 pelo governo a partir de uma provocação do presidente Lula: "Por que não fazer a plataforma P-52 no Brasil?". Diante do desafio, governo e Petrobras criaram o programa, voltado, segundo seu coordenador-executivo, José Renato Pereira de Oliveira, para a substituição competitiva de importações.

"Não basta sinalizar demanda que o mercado vai automaticamente suprir isso. Não vai", sustenta Oliveira, que é funcionário da Petrobras. "Temos gargalos importantes na área de pessoal. Faltam operadores de sonda de perfuração de produção, soldadores, inspetores, encarregados, engenheiros de todas as formações (elétrico, de produção, civil etc)."

O Prominp foi desenhado para capacitar 175 categorias profissionais, sendo 45 de nível superior, 78 de nível médio e 42 de básico, em 17 Estados. O coordenador-executivo explica que o público do programa não são apenas funcionários da Petrobras, mas principalmente de seus fornecedores e prestadores de serviços, além dos empregados das outras operadoras de petróleo. Como se trata de programa do governo federal, os cursos são gratuitos e os estudantes sem vínculo com as empresas têm direito a bolsa-auxílio mensal que vai de R$ 300 a R$ 900,00.

Graças à autorização especial da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que permitiu à Petrobras deduzir os investimentos da obrigatoriedade legal de aplicar, em pesquisa e desenvolvimento, 1% das receitas dos poços com participações especiais, a estatal gasta R$ 300 milhões com o Prominp. "Se não conseguirmos capacitar esses profissionais, não vamos conseguir fazer tudo o que programamos. Temos tido alguma dificuldade em achar pessoal qualificado, sim, mas ela será muito maior daqui em diante. Ainda não deixamos de tocar um projeto por falta de gente, mas estamos no limiar de ter que parar", reconhece Oliveira.

O Sistema S também se mobiliza para responder ao desafio da mão-de-obra. Segundo o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto, que também preside o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Social da Indústria (Sesi), as duas entidades aumentarão em 30%, no quadriênio 2007-2010, o número de matrículas de seus cursos. A meta é educar e treinar 16,2 milhões de trabalhadores e modernizar escolas e laboratórios. O investimento é de R$ 10,5 bilhões para os quatro anos, sendo que R$ 400 milhões para investimento em equipamentos podem ser antecipados pelo BNDES. O pedido já chegou ao BNDES e o presidente do banco, Luciano Coutinho, vê a solicitação com simpatia.

O que poucos sabem é que o Sesi e o Senai mantêm escolas de primeiro e segundo graus, destinadas a educar e a promover reforço pedagógico de trabalhadores. Das 16,2 milhões de vagas, 7,1 milhões estão no âmbito da educação básica e secundária. O restante diz respeito ao treinamento profissional , sendo que 8,6 milhões são para a formação inicial e continuada de trabalhadores, 482 mil para educação técnica de nível médio e 32.690 para o ensino superior.

"Os novos perfis profissionais têm como limitação, no processo de habilitação da mão-de-obra, o problema do nível baixo de escolaridade, de deficiência na educação básica. A economia está demandando gente com mais escolaridade e há um déficit nessa questão. Estamos diante de um quadro difícil", reconhece o presidente da CNI. "Nosso planejamento está sendo orientado pela medição da demanda. O programa é concebido da estrutura regional para a nacional, que consolida as metas."

Um exemplo é Pernambuco. O Estado vive um renascimento econômico, após décadas de estagnação. A construção de uma refinaria da Petrobras - possivelmente em parceria com a venezuelana PDVSA - motivou um grupo de construtoras a instalar um estaleiro no Estado. Em pouco tempo, descobriu-se que a região carece de técnicos de nível médio para trabalhar nas obras. Em resposta a isso, o Senai instalou um centro de tecnologia em soldagem e ampliou a unidade que dá suporte a Suape.

O movimento do Sistema S acontece num momento em que sua legitimidade voltou a ser questionada, especialmente a forma de financiamento - uma contribuição parafiscal que chega a 3,1% da folha de pessoal. Em geral, o empresariado reconhece sua importância. "O Senai é a principal fonte de qualificação profissional. É o que dá respostas mais imediatas", diz Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Química.

O ex-ministro do Trabalho Edward Amadeo desconfia tanto da eficácia do Sistema S quanto dos programas de qualificação do governo. Para o economista, hoje sócio da Gávea Investimentos, "o melhor treinamento é dado pela própria empresa, ainda mais quando se trata do treinamento para tarefas específicas. O que a empresa precisa é de trabalhadores que sabem aprender. Portanto, o melhor curso de ´qualificação profissional´ é o oferecido pelas instituições acadêmicas - escolas e faculdades -, que ensinam os trabalhadores a aprender".

Cristiano Romero
Valor Econômico.

Governo quer capacitar trabalhador

O governo quer obrigar os beneficiários do seguro-desemprego a fazerem cursos de qualificação profissional. Quem não fizer perderá o direito de receber o seguro. A proposta, formulada pelo secretário de Políticas e Emprego do Ministério do Trabalho, Sérgio Vidigal, depende de mudança da legislação. A lei atual sugere que o segurado faça um curso profissionalizante, mas não o obriga.

Segundo Vidigal, o governo está negociando uma parceria com o Sistema S para justamente poder oferecer aos desempregados a possibilidade de aprender um novo ofício ou aperfeiçoar o existente. "Como não temos recursos suficientes para oferecer cursos aos 6,1 milhões de segurados, não podemos ainda obrigar, mas queremos isso. Para nós, é interessante porque vamos qualificar de acordo com a demanda do mercado. Há uma experiência nesse sentido na Itália", disse Vidigal ao Valor.

A economia brasileira vive situação curiosa. Nos últimos cinco anos, a geração de empregos formais foi vigorosa - em 2007, até outubro, foram 1,812 milhão de novas vagas -, a taxa de desemprego diminuiu, mas o número de beneficiários do seguro-desemprego aumentou 20%. Há quatro anos, essa despesa estava em torno de R$ 5 bilhões. Em 2007, segundo Vidigal, deve chegar a R$ 13 bilhões.

Vidigal vê na baixa escolaridade uma das razões da explosão do seguro-desemprego, além do fato de o salário mínimo, ao qual o benefício está atrelado, ter tido aumentos reais significativos. "A rotatividade (no mercado de trabalho) é muito grande porque temos uma massa de trabalhadores com baixa escolaridade e qualificação e que, por isso, trabalha em empregos sazonais (temporários)", explica. "Você não vai conseguir qualificar um soldador se ele não tiver o primeiro grau completo. É preciso elevar a escolaridade, investir no ensino médio."

A promessa do Ministério da Educação é chegar a 2010, último ano do segundo mandato de Lula, com 354 Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets). Hoje, são cerca de 200. No Ministério do Trabalho, os recursos para programas de qualificação são limitados, embora o governo fale em triplicá-los em 2008. Em 2007, foram R$ 97 milhões e a idéia é gastar R$ 297 milhões em 2008. O programa que mais recebe recursos é o Plano Territorial de Qualificação (Planteq), executado por convênios com Estados e municípios acima de 200 mil habitantes, que, neste ano, capacita 130,6 mil trabalhadores.

Em 2005, foi criado o Plano Superior de Qualificação Profissional (Planseq), voltado à capacitação de trabalhadores de setores específicos. A iniciativa ainda é modesta. Por enquanto, beneficia os setores sucroalcooleiro, de celulose, de petróleo e gás e de turismo. Em 2007, estão sendo treinados apenas 23.303 profissionais.

"Na construção civil não está faltando servente, mas engenheiro, mestre-de-obras, operador de betoneira etc", diz Vidigal. Mesmo pedreiro a indústria já teme faltar, o que levou Paulo Simão, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a propor parceria ao Ministério do Desenvolvimento Social. A idéia é capacitar beneficiários do Bolsa-Família, um universo de 45 milhões de pessoas, para a construção civil. "As obras do PAC devem gerar 1,2 milhão de empregos, e poderíamos ter 15% disso (180 mil vagas) para o pessoal do Bolsa-Família", defende Simão.

Cristiano Romero
Valor Econômico.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Médicos sem formação adequada

Mais da metade - para ser preciso, 56% - dos alunos de sexto ano das faculdades de medicina não passaram no exame do CRM-SP (Conselho Regional de Medicina de São Paulo); muitos desses cursos que tiveram péssimos desempenhos cobram mensalidades que chegam a até R$ 4.000 mensais. Mas o pior não é o que o estudante paga, mas o que, uma vez formado, ele faz - ou deixa de fazer.

O diretor de comunicação do CRM-SP, Braulio Luna Filho, sustenta: existe uma forte suspeita de que o aumento de denúncias contra médicos se deve à baixa qualidade das faculdades, sem acesso a hospitais universitários ou professores qualificados. O número de denúncias cresceu 75% entre 2000 e 2006.

É mais um aspecto da crise do ensino brasileiro, agravado com o fato de que se formam médicos que matam ou prejudicam a saúde dos pacientes. Daí ser inexplicável (exceto por lobby corporativo) esse exame ser voluntário - e, pior, localizado em pouquíssimos lugares do Brasil, onde existem 172 faculdades de medicina que colocam na rua, muitas vezes sem oferecer residência, 10 mil médicos.

Coluna originalmente publicada na Folha Online, editoria Pensata.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

DF ultrapassa Brasil em até 61 pontos

Unidade da Federação tem um dos melhores salários de professores

Estudante do 1º ano do ensino médio, Vinícius Souza Santana, 15 anos, não tem queixas da sua escola, o Centro de Ensino da Asa Norte (Cean), em Brasília. Uma das maiores escolas públicas do Distrito Federal, o Cean tem até um site na internet com notícias especiais para os alunos. “Não tenho reclamação nenhuma da escola. Nem dessa, nem da que estudei até a 8ª série”, diz Vinícius.

O estudante brasiliense estudou a vida inteira em escolas públicas do Distrito Federal. Filho de uma dona de casa e um instrutor de auto-escola, diz que os professores são a melhor coisa da sua escola hoje. E, na anterior, que ia apenas até a 8ª série, eram ainda melhores. “A maioria deles é muito preparada. Eles conseguem passar o que querem e fazer a gente entender”, garante. “Sou bom aluno”, afirma Vinícius. Ele prefere a área de Humanas, mas vai bem em matemática. Na faculdade, ainda não sabe se fará Economia ou Publicidade.

Salário Alto
O Distrito Federal teve nota até 61 pontos acima da média nacional, como no caso da prova de matemática. Em ciência e leitura foram 57 e 36 pontos acima, respectivamente. As melhores médias do DF no Pisa vêm acompanhadas de outros indicadores em que a capital federal também está entre os melhores. O salário de um professor com 40 horas semanais, em final de carreira, é de R$ 4,5 mil, o maior do País. Mas poderá quase dobrar se o governo do DF aprovar o plano de carreira que está sendo preparado. O investimento por aluno é de R$ 1.820,52 por ano, o quarto do País - perde para Roraima, Espírito Santo e São Paulo.

Lisandra Paraguassú
André Dusek
O Estado de S.Paulo

DF e Santa Catarina lideram o Pisa no Brasil

Os resultados do Pisa, sigla em inglês do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, divulgados ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), revelam que o Estado de São Paulo não conseguiu ultrapassar a média nacional em nenhuma das três áreas avaliadas -ciências, leitura e matemática.

Na área de ciências, a média paulista (385 pontos) é comparável à da Tunísia (África). No caso da leitura (392 pontos), eqüivale-se a Montenegro (Balcãs). Já em relação a matemática, com 370 pontos, os paulistas estão no mesmo nível dos vizinhos colombianos.

Para o ministro Fernando Haddad (Educação), o resultado de São Paulo requer "atenção" do governo federal. "Com exceção do Distrito Federal, São Paulo é a maior renda per capita do país. Era de se supor que pudesse trazer as médias nacionais para cima. É um resultado que surpreende, exige alguma atenção e algum diagnóstico do que se passa."

O petista Haddad falou com cautela sobre o Estado governado pelo tucano José Serra, que sucedeu os também tucanos Mário Covas (morto em 2001) e Geraldo Alckmin.

"No geral, os Estados mais ricos se saem melhor do que os mais pobres. Essa é a regra geral. Há exceções à regra", completou o ministro.

Para a secretária de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, o tamanho do Estado explica o quadro. "Ao mesmo tempo em que temos uma economia forte, temos todos os problemas existentes no Brasil. O fato de termos avançado enormemente na oferta de escolas nos dá agora condições para melhorar a qualidade de ensino", disse.

Na três áreas, São Paulo registrou média abaixo do Sudeste. Em ciências, a média da região ficou em 396 pontos, contra 385 do Estado. Em leitura, o Sudeste teve 404 pontos, ante 392 de São Paulo. Em matemática, a diferença ficou em 378 contra 370.

O Distrito Federal lidera os rankings de ciências e de matemática, seguido por Santa Catarina, que lidera a tabela de leitura. No outro extremo ficou o Maranhão, com os piores resultados nas três áreas. Além do Distrito Federal, apenas oito Estados ficaram acima da média nas três disciplinas: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.

Entre esses Estados, o ministro Haddad destacou Rondônia e Sergipe, que, apesar das baixas médias de suas regiões (Norte e Nordeste), conseguiram manter seus alunos acima da média nacional nas três áreas avaliadas.

Eduardo Scolese
Cinthia Rodrigues (colaboaração)
Folha de S.Paulo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Expectativa de vida do brasileiro sobe para 72,3 anos em 2006, diz IBGE

Em 2006, a esperança de vida do brasileiro ao nascer era de 72,3 anos, segundo o IBGE. Em relação à expectativa de 1960 (54,6 anos), o número é maior em 32,4%, ou 17 anos, oito meses e um dia. Anualmente, houve em média um aumento de quatro meses e 18 dias. No ano passado, o Distrito Federal tinha a mais alta esperança de vida (75,1 anos) e Alagoas (66,4 anos) ocupava o último lugar. Em 46 anos, o indicador das mulheres teve a maior alta (35,7%), chegando a 76,1 anos. Entre os fatores que influenciaram estão a melhoria do acesso aos serviços de saúde, o aumento da escolaridade e a prevenção de doenças.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Rogativa

Senhor Jesus!...

Nós te agradecemos:
A bênção do amor;
O tesouro do tempo;
A felicidade de trabalhar;
O privilégio de servir;
O dom da palavra;
O apoio da instrução;
A força do progresso;
O amparo da esperança;
A construção da fé;
A lição da prova;
O benefício da dor;
O incentivo da alegria;
O apoio do companheiro;
E o concurso do adversário!...

Sabemos, porém, Senhor, que nos cabe o dever de aproveitar-te as concessões, a fim de acender em nós mesmos a luz da experiência para o caminho que nos conduz a Deus.

Compreendendo tudo isso, nós te rogamos a precisa coragem de cultivar a humildade e a paciência, porquanto, somente sobre semelhantes alicerces espirituais, é que nos esqueceremos de nossos caprichos próprios, de modo a aceitarmos, para a nossa felicidade, as tuas determinações, onde estivermos, seja com quem for, em todo tempo e em qualquer circunstância, hoje e sempre.
Assim seja.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier

Problemas

Tu podes revolver problemas.

A tua força flui de acordo com a intensidade de tua convicção. Pensa ser capaz de resolver os problemas e te sentirás bem.

Nem toda situação é problema. Problema é o que resulta da tua apreciação e consideração. Se te julgas sem força ou inteligência para resolver o que tens a frente, isso se torna problema, dificuldade, entrave. Afirma-te com qualidades, e vence os problemas. Fala firmemente: SOU FORTE, TENHO SAÚDE, TENHO BELEZA, TENHO BONDADE, NADA ME FALTA.

Depois, vai em frente. Luta, trabalha, vibra, ama.

Nunca desanimes.

O problema não é nada para quem sabe que tem as chaves da solução dentro de si.

Do livro ÂNIMO, de Lourival Lopes p. 78