sexta-feira, 28 de setembro de 2007

DECÁLOGO DE APERFEIÇOAMENTO

Diminua as próprias necessidades e aumente as suas concessões.

Intensifique o seu trabalho e reduza as quotas de tempo inaproveitado.

Eleve as idéias e reprima os impulsos.

Liberte o "homem do presente", na direção de Jesus e aprisione o "homem do passado" que ainda vive em você.

Vigie os seus gestos, entendendo os gestos alheios.

Persevere no estudo nobre, reconhecendo na vida a escola sagrada de nossa ascensão para Deus.

Julgue a você mesmo e desculpe indistintamente.

Fale com humildade, ouvindo com atenção.

Medite realizando e ore servindo.

Confie no Amor do Eterno e renda culto diário às obrigações em que Ele Mesmo nos situou.

ANDRÉ LUIZ
Psicografia de Chico Xavier, do livro "Ideal Espírita"

População brasileira deve ser de 260 mi em 40 anos

A população brasileira deve dar um salto, em pouco mais de 40 anos, de 39%, atingindo aproximadamente 260 milhões de pessoas em 2050. A estimativa faz parte de um levantamento apresentado hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Síntese de Indicadores Sociais apresenta um conjunto de informações demográficas e sociais para traçar uma radiografia da realidade brasileira. O estudo foi realizado com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2006.

Ainda de acordo com o estudo, a diferença entre o número de homens e mulheres está em queda, segundo o documento, pela maior freqüência das mortes masculinas. Em 2006, para cada 100 mulheres havia 95 homens na média nacional. As regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre apresentaram os níveis mais equilibrados (92 homens para cada 100 mulheres). A média só é alcançada pois, em alguns Estados, há mais homens do que mulheres. Como exemplo está o Amazonas, com 104,5 homens para cada 100 mulheres.

O estudo também aponta redução na taxa de fecundidade das brasileiras. Em 2006, a média nacional foi de dois filhos por mulher. Essa tendência também é observada especialmente em países europeus, que já atingiram valores inferiores ao chamado nível de reposição natural, que é de dois filhos.

Entre os países da América Latina e Caribe, cujas realidades foram observadas pelo IBGE com o objetivo de traçar um paralelo em relação ao Brasil, Cuba apresenta 1,6 filho por mulher, contrastando com a Bolívia, por exemplo, cuja taxa é de 3,7 filhos por mulher. A Argentina apresenta patamares semelhantes aos do Brasil.

Ainda de acordo com o levantamento, as regiões de maior desenvolvimento socioeconômico são também as que concentram a maior parte da população brasileira. Juntos, Sudeste, Sul e Centro-Oeste reúnem mais da metade (64,3%) do contingente total, que em 2006 era de 187,2 milhões de pessoas. Somente a região metropolitana de São Paulo é responsável por 10,5% e supera, em números absolutos, qualquer um dos 26 estados.

A taxa de urbanização também se manteve crescente, chegando a 83,3% em 2006. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, com o maior percentual de população urbana, apenas 0,7% das pessoas vivem em áreas rurais. Por outro lado, aparece o Piauí com o valor mais baixo do país (60,7%).

Os movimentos migratórios, de acordo com a pesquisa, se mantiveram estáveis desde a década de 1990. As regiões nordeste e sul são as que apresentam as maiores proporções de pessoas que moram onde nasceram (97,1% e 94,1%, respectivamente). Os brasileiros saem principalmente dos estados do nordeste atraídos principalmente pelos estados do sudeste. Em relação à migração estrangeira, o estudo constatou que eles também se dirigiam em maior volume à região sudeste (72,6%).

Agência Brasil

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

VOCÊ PODE

Carregando nos próprios ombros as aflições que fustigam a Terra, o Senhor acreditou nas promessas de fidelidade que você lhe fez, enviando-lhe ao caminho aqueles irmãos necessitados de mais amor.

Chegam eles de todas as procedências...

É a esposa fatigada esperando carinho; é o companheiro abatido implorando, em silêncio, esperança e consolo.

De outras vezes, é o filho desorientado suplicando compreensão ou o parente, na hora difícil, aguardando braços fraternos.

Agora, é o amigo transviado, esmolando compaixão e ternura, depois, talvez, será o vizinho atormentado em problemas esfogueantes, pedindo bondade e cooperação.

Isso acontece, porquanto você pode compartilhar com Ele a tarefa do auxílio.

Não desdenhe, desse modo, apoiar o bem.

Acendamos a luz, onde as trevas se adensem; articulemos tolerância, ao pé da agressividade; envolvamos as farpas da cólera em algodão de brandura; conduzamos a paz por fonte viva sobre a discórdia, toda vez que a discórdia se faça incêndio destruidor...

Deixe que Ele, o Mestre, se revele por sua palavra e por suas mãos. Não impeça a divina presença, através de seu passo, no amparo às humanas dores.

E, nessa estrada bendita, depois da luta cotidiana, sentirá você no imo da própria alma, o sol da alegria perfeita repetindo, de coração erguido à verdadeira felicidade:

- Obrigado Jesus, porque na força de Tua bênção, consegui esquecer-me, procurando servir.

André Luiz
Psicografia de Chico Xavier

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mercado lança computador “verde” movido à energia solar

Marina Rosenfeld
Karina Costa (colaboração)

Acaba de ser lançado o primeiro computador fabricado com 90% de material reciclado e movido à energia solar. A novidade da Lenovo pesa um pouco mais que 3,5 kg e tem o tamanho de uma lista telefônica, 25% menor do que o modelo anterior e 50% mais eficiente.

O computador, que chega ao mercado em outubro, por US$ 399 (equivalente a R$ 800), deve representar, em média, uma economia anual de US$ 20 em energia para os usuários.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O Espiritismo

O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes na Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários. É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.

Assim como o Cristo disse: "Não vim destruir a lei, porém cumpri-la," também o Espiritismo diz: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra.

O Evangelho segundo o Espiritismo - Capítulo I - Edição FEB

Acupuntura falsa tira dor como a real

A falsa acupuntura -uma estratégia que usa agulhas sem realmente perfurar a pele- tem o mesmo efeito para dor nas costas que a acupuntura real, segundo levantamento de uma equipe de pesquisadores alemães.

O estudo, publicado na revista "Archives of Internal Medicine", reforça a tese de que os bons resultados observados no uso da acupuntura podem ser apenas fruto de efeito placebo -a pessoa confia tanto no tratamento que acaba se curando sozinha.

Na pesquisa, que envolveu 1.100 voluntários divididos aleatoriamente em três grupos (os que receberam acupuntura real, os que receberam a falsa e os que passaram por terapia convencional), as agulhadas de mentira e de verdade ofereceram um alívio da dor mais duradouro que as drogas tradicionais.

A avaliação do efeito sobre a dor foi feita por meio de questionários seis meses após o tratamento. O índice de melhora foi de 47% no primeiro grupo, 44% no segundo e apenas 27% no terceiro.

Na falsa técnica, as agulhas não são inseridas tão profundamente, e as picadas não são feitas nos mesmos pontos do corpo considerados como cruciais pelos acupunturistas.

Da Associated Press
Folha de S.Paulo

Um Brasil que nunca tinha visto

FOLHA DE S.PAULO
24/09/2007

Os governantes saberão gastar melhor o que eles arrecadam para gerar menos esmolas e mais empregos?

Foi lançada, em 2005, uma campanha na cidade de São Paulo para que os motoristas não dessem dinheiro às crianças que pediam esmola nos semáforos, baseada no argumento de que esse tipo de auxílio dificulta tirá-las das ruas e, ao mesmo tempo, sustenta quadrilhas de adultos.

Como era previsível, a idéia nasceu cercada de desconfiança tanto sobre a possibilidade de as pessoas mudarem de atitude como, principalmente, de o governo oferecer, em contrapartida ao fim da esmola, um melhor atendimento a 4.030 crianças, que, naquele ano, moravam ou trabalhavam na rua.

A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), ligada à Universidade de São Paulo, concluiu em 2007 um novo recenseamento e computou 1.842 crianças vivendo ou trabalhando nas ruas. Ainda é muito, mas a queda é de 54%.

A mudança da paisagem das ruas paulistanas é uma das traduções possíveis da estatística divulgada, na semana passada, pela Fundação Getúlio Vargas do Rio, sobre os miseráveis no país, cuja redução, de 2005 a 2006, foi de 5,9 milhões de pessoas.

Para muita gente da elite, que vive trancada em condomínios, trafegando em carros blindados e freqüentando os shoppings, talvez, a única forma de traduzir a estatística da miséria sejam as crianças nos semáforos. Há algo ainda mais profundo por trás desse fato: nunca tivemos tanta oportunidade de enfrentar com mais intensidade a pobreza, mesmo em comparação com o nosso período de crescimento econômico mundialmente invejado.

Seria uma leviandade estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o aumento da renda, a redução da população miserável e a população de rua. No caso paulistano, certamente, pesou a mudança de atitude dos motoristas, apesar de ainda tímida, de não dar esmola.

Pesou mais um programa municipal, inspirado no Chile e no México, de uma ação não só com as crianças mas com seus pais, oferecendo-lhe uma série de serviços complementares -e, no limite, acenando com o risco da perda da guarda do filho ou de processo aos adultos que exploram a indústria da esmola.

Juntaram-se elementos como o aumento da renda dos mais pobres, uma presença maior de assistentes sociais nas ruas, a ação em rede com as famílias e, enfim, a diminuição do número de pessoas dispostas a dar esmola -e, assim, se obteve um resultado que, até pouco tempo, quase ninguém acreditava ser possível.

A razão pela qual escrevo que nunca tivemos tanta oportunidade de reduzir a pobreza é a confluência, inusitada, de uma série de tendências favoráveis. Tantos são os fatores, originários de tantas articulações espalhadas pelo tempo e nos mais diferentes lugares, que seria uma asneira apontar um único autor -ou mesmo um punhado de iluminados- para as mudanças.

Combinam-se inflação baixa, crescimento econômico, maior escolaridade, menor taxa de fecundidade, elevação do salário mínimo e distribuição de recursos para quase a totalidade das famílias mais pobres.

A escolaridade ainda não está num nível civilizado, muitíssimo menos sua qualidade. Na média, a taxa de filhos por mulher é boa, mas esconde o fato de que, entre as mais pobres, a estatística é indecente. Todos esses fatores juntos, entretanto, são potencializados quando estão apoiados em políticas públicas menos ineficientes. Baixa fecundidade significa menos demanda por vagas nas escolas, o que abre espaço para mais investimentos em qualidade.

É possível até mesmo disseminar, com menos dificuldade, a educação em tempo integral em bairros pobres, além das creches. Mais escolaridade significa menor incidência de gravidez precoce porque as adolescentes começam a ter outras perspectivas de vida -se o poder público consegue oferecer mais acesso a métodos anticoncepcionais, atingem-se resultados com mais rapidez, como demonstram experiências de planejamento familiar pelo país.

Some-se a isso que estamos produzindo bancos de dados detalhados sobre a realidade social, permitindo, assim, aprimorar o foco e estabelecer as metas.

Existem experiências de baixo custo, ilhas de excelência que oferecem tecnologias sociais capazes de acelerar a redução da pobreza. O problema é saber se, diante de tantas ondas favoráveis, o país vai conseguir forçar os governantes a fazer com que as ilhas de excelência em gestão pública não sejam apenas ilhas. E mais: se saberão gastar melhor o que arrecadam para que gerem menos esmolas e mais empregos.

Mesmo com todas as desconfianças sobre os governantes e nossa distância de um mínimo aceitável de civilidade, esse é um Brasil que nunca tinha visto -e, sinceramente, duvido de que alguém já tenha visto.

Só vamos mostrando que a democracia, com todos os seus defeitos, é o melhor mecanismo para gerir conflitos e produzir desenvolvimento.

PS - A quem quiser ver o que se faz com pouco dinheiro basta acompanhar os programas do semi-árido brasileiro que ensinam prefeitos a cuidar de crianças e adolescentes. Já começam a cair as taxas de mortalidade infantil e aumentar o número de matrículas escolares. Incompetência, sem exagero, mata.

Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.

domingo, 23 de setembro de 2007

CEM POR UM

Ócio, em qualquer parte, constitui esbanjamento.

Tudo vibra em perpétua movimentação, sem vácuo ou inércia na substância das coisas.

O corpo humano e o corpo espiritual são construções divinas a se estruturarem sobre forças que se combinam e trabalham constantemente em dinamismo santificante. Sejamos, por nossa vez, peças atuantes do Evangelho Vivo, demonstrando que o serviço é condição de saúde eterna.

Insculpe por onde passou o rastro luminoso do entendimento. Edifica o bem, seja escutando o riso dos felizes ou assinalando o soluço dos companheiros desditosos, criando rendimento nos tesouros imperecíveis da alma.

Ampara e ajuda a todos, desde a criança desvalida necessitada de arrimo e luz para o coração, até o peregrino sem teto, hóspede errante das árvores do caminho.

Conserva por medalhas de mérito os calos nas mãos que abençoam servindo, a fadiga nos músculos que auxiliam com entusiasmo, o suor na fronte que colabora pela felicidade de todos os rasgões que te recordam as feridas encontradas no cumprimento de austeras obrigações.

Oremos na atividade construtiva que não descansa.

Cantemos ao ritmo da perseverança feliz.

Respiremos no hausto da solidariedade sem mescla.

A caridade converte o sacrifício em deleite, o cansaço em repouso, o sofrimento em euforia.

Ar puro - desfaz as emanações malsãs; água límpida - dissolve os detritos da sombra; sol matinal - dissipa as trevas...

Mãos vazias ou cabeça desocupada denunciam coração ocioso.

Sê companheiro da aurora, despertando junto com o dia nas obras de paciência e bondade, sustento e elevação.

A seara do Senhor no solo infatigável do tempo guarda riquezas inexploradas e filões opulentos. Aquele que grafa uma página edificante, semeia um bom exemplo, educa uma criança, fornece um apontamento confortador, entretece uma palestra nobre ou estende uma dádiva, recolherá, cem por um, todos os grãos de amor que lançou na sementeira do Eterno bem, laborando com a Vida para a Alegria Sem Fim.

EURÍPEDES BARSANULFO
Psicografia de Chico Xavier

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O Livro dos Espíritos

A raça humana dos nossos dias tem trazido para si mesmo violência, delinqüência e insatisfação, como resultado do avanço da Tecnologia e da louca perseguição de muitos conceitos.

Entretanto, os problemas urgentes do íntimo do homem encontram resposta dentro dos princípios espíritas. O Livro dos Espíritos é chave para contrabalançar as questões perturbadoras do comportamento social e emocional dos nossos tempos.

O Livro dos Espíritos torna muitas pessoas conscientes de suas responsabilidades através da fé racional bem fundada sobre fatos. Isto trará o renascimento do Cristianismo em toda a sua pureza.

Dessa forma, o Livro dos Espíritos é a síntese da Ciência, Filosofia e Religião, trazendo a resposta de Deus aos clamores do homem - o Consolador prometido por Jesus.

Joanna de Ângelis

(Psicografia especular, em inglês, recebida por Divaldo Pereira Franco, durante o 2º Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília, no dia 14 de abril de 2007. Traduzida, no momento, por João Dalledone, presidente do British Union of Spiritist Societies (BUSS).)

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Governo gastador precisa da CPMF; por Carlos Sardenberg

Retirado do blog de Carlos Alberto Sardenberg:

O presidente Lula diz que nenhum governo pode funcionar sem a CPMF. Tem razão em relação ao governo dele. Isso porque seu governo aumentou as despesas todos os anos, a partir de 2004, e pretende aumentá-las ainda mais. O crescimento do gasto público está ocorrendo neste ano, de novo, e já está previsto para 2008.Logo, para financiar isso tudo, precisa de mais um aumento da carga tributária. Não pode, pois, abrir mão da CPMF.

Mas, eis uma conta interessante: em 2003, o governo Lula gastou em despesas primárias, antes do pagamento de juros, o equivalente a 17% do PIB. Agora, está gastando 21%. Considerando um PIB de R$ 2,5 trilhões, isso significa que, no ano que vem, o governo vai gastar R$ 100 bilhões a mais do que gastaria se tivesse mantido o mesmo nível de 2003 (17% do PIB).

A CPMF deve levar R$ 40 bilhões aos cofres públicos. Ou seja, se mantido o padrão de gasto de quatro anos atrás, o governo poderia dispensar não uma, mas duas CPMFs. O presidente está dizendo que saúde, educação e os programas sociais serão prejudicados sem a CPMF. Mas acontece que aumentaram todos os gastos, incluindo de pessoal, custeio e, sobretudo, Previdência. E todos aumentaram acima da inflação e acima do crescimento do PIB. Se esses gastos estivessem produzindo um extraordinário avanço na prestação dos serviços públicos, seria uma outra discussão.

Não se tem notícia, disso, de modo que a discussão que se deve fazer neste momento é: o governo pode funcionar bem sem esse constante aumento de gastos? Até onde pessoas e empresas agüentam financiar o governo?

Carlos Sardenberg

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

FGV: renda do brasileiro melhora em anos eleição

Segundo o coordenador do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Néri, a renda do brasileiro melhora em anos de eleição para presidente da República e apresenta queda após o pleito. Ele chegou à conclusão com base na pesquisa Miséria, Desigualdade e Política de Renda: O Real do Lula.

O levantamento mostra crescimento nas duas últimas eleições majoritárias. Em 1998, a renda subiu 2%, caindo 4% no ano seguinte. Em 2002, houve um aumento de 1%, seguido de redução de 4% em 2003. Os números da FGV são baseados na análise de dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) realizada pelo IBGE.

"Existe o uso político de programas de transferência de renda. Alguns são só eleitoreiros. Outros são eleitoreiros, mas reduzem a pobreza", destacou Néri.

A pesquisa da FGV concluiu ainda que o número de brasileiros abaixo da linha de pobreza caiu de 35% para 19% da população estimada em quase 190 milhões de pessoas, entre 1993 e 2006.

O pesquisador afirmou também que o salário mínimo não resolve o problema da pobreza no Brasil e defendeu o programa Bolsa Família. "Cada real do Bolsa Família tem duas vezes e meia mais chances de chegar no pobre do que o reajuste do salário mínimo", disse.

Fonte: Redação Terra

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Tecnologia traduz pensamento, sem que a pessoa precise falar

Cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma tecnologia que processa sinais de pensamentos e permite a comunicação sem falas ou movimentos.

O Audeo, nome dado ao dispositivo, fica preso ao pescoço, sobre as cordas vocais. O sistema traduz as frases formadas no pensamento para sinais neurológicos. Estes sinais são codificados e transmitidos para serem processados em um computador. O resultado é a tradução de idéias no computador.

Um outro hardware, incorporado ao Audeo, permite o controle de uma cadeira de rodas através do pensamento, sem que haja necessidade de movimentos físicos.

A idéia é que a nova tecnologia beneficie pessoas com deficiência motora ou de fala.

Marina Rosenfeld
Karina Costa (colaboração)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Problema logístico: inflação e baixo crescimento

O problema da inflação (pressão inflacionária atual) e do crescimento do Brasil podem ser resolvidos de uma forma simples e objetiva: eficiência logística.

O país tem o crescimento limitado por falta de infra-estrutura. Essa infra-estrutura também é determinante para a inflação. Os produtos sofrem problemas com o escoamento da produção, elevando o custo do produto e impedindo o aumento da produção. Juntando a isso, quando há aumento no consumo, há uma pressão inflacionária devido à antiga lei de oferta e procura. Somados outros fatores: risco de apagão energético, alta carga tributária, juros altos e insegurança jurídica causam o chamado custo-Brasil.

Em resumo: as indústrias têm dificuldades para obterem empréstimos devido às altas taxas de juros; a empresa produz sem ter uma clareza e segurança das regras do país; a empresa não sabe se o país terá energia suficiente para o aumento da produção; a empresa produz e tem dificuldade de transportar a sua mercadoria, com isso há um aumento de custo devido à logística deficitária; o consumidor quer comprar; e quando há aumento do consumo gera uma pressão inflacionária, que poderia ser perfeitamente ajustada com o aumento da produção, num cenário de juros baixos e infra-estrutura eficiente.

Uma medida de coragem seria a solução para esse problema de infra-estrutura: privatização de estradas, portos e aeroportos. Somando a isso um forte investimento na malha ferroviária.

Marcelo Brito Sener

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Trabalho no corte de cana tem dias contados, diz estudo

Em SP, acerto entre usineiros e governo prevê fim das atividades em dez anos

Esalq/USP afirma que houve queda de 20,9% no total de trabalhadores no setor entre 1981 e 2004, de 625 mil para 494 mil

A profissão do bóia-fria da cana-de-açúcar está com os dias contados no Brasil. É o que aponta estudo da Esalq/USP, que mediu os efeitos da mecanização das lavouras. Segundo a pesquisa, houve queda de 20,9% no número total de trabalhadores rurais no setor entre 1981 e 2004, que passou de 625 mil para 494 mil. Em contraste com essa queda, houve aumento de 166,3% na produção de cana no período -de 156 milhões de toneladas para 415 milhões de toneladas.

A mecanização vem aumentando ano a ano, segundo o estudo, por ao menos três razões: econômica, legal e social. Além do uso de máquinas otimizar a produção e substituir o pagamento de mão-de-obra -uma colheitadeira substitui o trabalho de cem cortadores de cana-, foram criadas leis para extinguir a colheita manual.

Segundo a economista Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, da Esalq/USP e autora do estudo, o setor sucroalcooleiro tem absorvido cortadores de cana em algumas funções dentro da cadeia, como tratorista ou operador de caldeira de usina, mas a grande massa de trabalhadores -muitos analfabetos- ficará desempregada.

Em 2005, dos 519 mil trabalhadores da cana, 150 mil eram analfabetos -o Estado de São Paulo tinha 30 mil. "Claro que a mecanização vai desempregar e atingir justamente essas pessoas que não têm escolarização e não conseguirão ser absorvidas por outras formas de trabalho. São necessárias políticas públicas para começar a absorver essas pessoas, mas até agora nada está sendo feito conjuntamente", disse Azanha.

A pesquisa fez o levantamento da evolução do número de empregados baseado em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Caminho sem volta

Ao menos no Estado de São Paulo já existe uma data para o fim da profissão de cortador de cana: 2017. É o prazo final firmado entre usineiros e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em protocolo assinado em maio deste ano, antecipando o limite de 2031 que havia sido imposto por lei estadual criada para eliminar gradativamente as queimadas de cana -as queimadas, feitas geralmente à noite, são necessárias para viabilizar o corte manual.

Outro fator é que nos últimos anos aumentou a cobrança pelo cumprimento das normas trabalhistas no campo, principalmente após a morte de 21 bóias-frias, desde 2004, supostamente por excesso de esforço no trabalho.

Neste ano, por exemplo, uma força-tarefa formada por Procuradoria do Trabalho e Subdelegacia do Trabalho, com apoio da Polícia Civil, fez várias blitze em canaviais e alojamentos de bóias-frias no Estado em busca de irregularidades trabalhistas, como a falta de registro, a não-utilização de equipamentos de proteção, jornada irregular e alojamentos precários.

Segundo a Unica (reúne as indústrias sucroalcooleiras), de 42% a 45% da produção de cana no Estado de São Paulo já é colhida por máquinas, índice acima do nacional -entre 35% e 37%. "A mecanização é uma trilha sem volta, e as usinas vão buscar capital para se desenvolver", disse Sérgio Prado, diretor da Unica na região de Ribeirão Preto -uma colheitadeira custa cerca de R$ 800 mil.

As novas usinas, por exemplo, já não contam mais com a figura do cortador de cana, disse Prado. Segundo ele, o papel de inserir os trabalhadores em outras áreas quando a função de cortador for extinta deve ser assumida em conjunto por empresas, sociedade e governo.

A massa de trabalhador sem formação é também migrante, principalmente da região Nordeste e do Vale do Jequitinhonha (MG). Muitas vezes eles embarcam para as zonas canavieiras atraídos apenas por comentários dos vizinhos sobre os ganhos no corte da cana.

"Só tem vindo gente nova. Cortador com mais de cinco anos de safra não chega mais", diz a irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante. Segundo ela, os cortadores mais experientes não suportam mais a carga de trabalho. Neste ano, o campo tem assistido a um fenômeno revelador dos novos tempos: em plena safra, migrantes estão voltando para suas cidades por terem sido dispensados ou não encontrarem trabalho nas usinas.

Juliana Coissi
Folha de S.Paulo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Unificação paulatina, união imediata, trabalho incessante...

Espíritas, meus irmãos!

Quando as clarinadas de um novo dia em luz nos anunciam os chegados tempos do Senhor; quando uma era de paz prepara a nova humanidade, neste momento dominada pela angústia e batida pela desesperação, façamos a viagem de volta para dentro de nós.

No instante em que os valores externos perdem a sua significação, impulsionando-nos a buscar Deus no coração, somos, através de nossos irmãos, convidados à responsabilidade maior de amar, de servir e de passar...

Jesus, meus amigos, é mais do que um símbolo. É uma realidade em nossa existência. Não é apenas um ser que transitou da manjedoura à Cruz, mas o exemplo, cuja vida se transformou num Evangelho de feitos, chamando por nós.

Necessário, em razão disso, aprofundar o pensamento na Obra de Allan Kardec para poder viver Jesus em toda a plenitude.

Estamos convidados ao banquete da era melhor, do Evangelho imortal, e ninguém se pode escusar, a pretexto algum.

Dias houve em que poderíamos dizer que não estávamos informados a respeito da verdade. Hoje, porém, sabemos... Agora que a conhecemos por experiência pessoal, vivamos o Cristo de Deus em nossas atitudes, a fim de que o sol espírita não apresente a mensagem de luz dificultada pelas nuvens densas que caracterizam o egoísmo humano, o ressentimento, a vaidade...

Unificação, sim. União, também.

Imprescindível que nos unifiquemos no ideal Espírita, mas que, acima de tudo, nos unamos como irmãos.

Os nossos postulados devem ser desdobrados e vividos dentro de uma linha austera de dignidade e nobreza. Sem embargo, que os nossos sentimentos vibrem em uníssono, refletindo as emoções de amigos que se desejam ajudar e de irmãos que se não permitem avançar - deixando a retaguarda juncada de cadáveres ou assinalada pelos que não tiveram força para prosseguir...

A tarefa da unificação é paulatina; a tarefa da união é imediata, enquanto a tarefa do trabalho é incessante, porque jamais terminaremos o serviço, desde que somos servos imperfeitos, e fazemos apenas a parte que nos está confiada.

Amar, no entanto, é o impositivo que o Senhor nos concedeu e que a Doutrina nos restaura.

Unamo-nos, amemo-nos, realmente, e dirimamos as nossas dúvidas, retificando as nossas opiniões, as nossas dificuldades e os nossos pontos de vista, diante da mensagem clara e sublime da Doutrina com que Allan Kardec enriquece a nova era, compreendendo que lhe somos simples discípulos. Como discípulos não podemos ultrapassar o mestre.

Demo-nos as mãos e ajudemo-nos; esqueçamos as opiniões contraditórias para nos recordarmos dos conceitos de identificação, confiando no tempo, o grande enxugador de lágrimas, que a tudo corrige.

Não vos conclamamos à inércia, ao parasitismo, à aceitação tácita, sem a discussão ou o exame das informações.

Convidamo-vos à verdadeira dinâmica do amor.

Recordemos, na palavra de Jesus, que “a casa dividida rui”, todavia ninguém pode arrebentar um feixe de varas que se agregam numa união de forças.

É por isto, Espíritas, meus irmãos, que a Unificação deve prosseguir, mas a União deve vigir em nossos corações.

Somos semeadores do tempo melhor. Somos os promicultores da era nova. A colheita que faremos em nome de Jesus caracterizar-nos-á o trabalho.

Adiante, meus irmãos, na busca da aurora dos novos tempos.

Jesus é o Mestre por excelência e Allan Kardec é o discípulo fiel.

Sejamos nós os continuadores honrados e nobres da Sua obra de amor e da Sua lição de sabedoria...

E quando as sombras da desencarnação descerem sobre vós, e nós outros, os já desencarnados, nos acercarmos a receber-vos, podereis dizer:

- Aqui estamos, Senhor, servos deficientes que reconhecemos ser, porque apenas fizemos o que nos foi determinado.

Ele, porém, magnânimo, justo e bom, dir-vos-á:

“Vinde a mim, filhos de meu Pai, entrai no gozo da paz.”

Muita paz, meus amigos!

Que o Senhor vos abençoe. - Bezerra

(Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo P. Franco, na noite de 20-4-75, na sessão pública da Federação Espírita Brasileira, Seção - Brasília, DF.) (Reformador - Fev/76)

Problemas do mundo

Cap. VI - item 5

O mundo está repleto de ouro.
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.

O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.

O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.

O mundo está repleto de teorias.
Teorias na ciência. Teorias nas escolas filosóficas. Terias nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.

O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.

Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para exterminar o mostro do egoísmo, que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.

Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que o desentranha da letra, na construção da Humanidade Nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela idéia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e, parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: “Fora do Cristo não há solução.”

BEZERRA DE MENEZES - Psic. F. C. XavierLivro “O Espírito da Verdade” - Ed. FEB.

Missão dos espíritas

Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o conjunto das iniqüidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.

Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!

Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face dos mundos disseminados pelo Infinito!... lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra. Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.

Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.

Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz.

Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.

A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de coragem, para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lenda, do mesmo modo que vós, que só muito imperfeitamente conheceis os tempos que antecederam a civilização pagã.

Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.

Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé. Ide; estes receberão, com hinos de gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina.

Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!

Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade.

Pergunta. - Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho?

Resposta. - Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de Sua lei; os que seguem Sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição.

Erasto, anjo da guarda do médium. (Paris, 1863.) - (ESE - Cap. XX - item 4)

Influência do espiritismo no progresso

798. O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

“Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.”

As idéias só com o tempo se transformam; nunca de súbito. De geração em geração, elas se enfraquecem e acabam por desaparecer, paulatinamente, com os que as professavam, os quais vêm a ser substituídos por outros indivíduos imbuídos de novos princípios, como sucede com as idéias políticas. Vede o paganismo. Não há hoje mais quem professe as idéias religiosas dos tempos pagãos. Todavia, muitos séculos após o advento do Cristianismo, delas ainda restavam vestígios, que somente a completa renovação das raças conseguiu apagar. Assim será com o Espiritismo. Ele progride muito; mas, durante duas ou três gerações, ainda haverá um fermento de incredulidade, que unicamente o tempo aniquilará. Sua marcha, porém, será mais célere que a do Cristianismo, porque o próprio Cristianismo é quem lhe abre o caminho e serve de apoio. O Cristianismo tinha que destruir; o Espiritismo só tem que edificar.

(Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Parte 3ª - Cap. VIII)

Doutrina espírita

Toda crença é respeitável.
No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.

Toda religião é sublime.
No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.

Toda religião é santa nas intenções.
No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.

Toda religião auxilia.
No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.

Toda religião é conforto na morte.
No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.

Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.
No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.

Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.
No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.

Toda religião educa sempre.
No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.

Toda religião fala de penas e recompensas.
No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.

Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.
No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.

Porque a Doutrina Espírita é em si a liberdade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.

Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.

“Espírita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.

“Espírita” deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.

“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.

“Espírita” deve ser o claro adjetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Doutrina Espírita quer dizer Doutrina do Cristo.

E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.

Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.

EMMANUEL - Psic. F. C. Xavier - Livro “Religião dos Espíritos” - Ed. FEB.

Antecedentes históricos do Movimento Espírita no Brasil (Registros Espirituais)

(Dados extraídos do livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de Humberto de Campos – Espírito, psicografado por F.C.Xavier – Ed. FEB)

1 - Do Prefácio (Palavras de Emmanuel) “Os dados que ele (o autor) fornece nestas páginas foram recolhidos nas tradições do mundo espiritual, onde falanges desveladas e amigas se reúnem constantemente para os grandes sacrifícios em prol da humanidade sofredora. Este trabalho se destina a explicar a missão da terra brasileira no mundo moderno.”

2 - Do Capítulo I – O CORAÇÃO DO MUNDO
(Palavras de Jesus no último quartel do século XIV, no local onde seria mais tarde o Brasil)

“– Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. Sob estes céus serão entoados os hosanas mais ternos à misericórdia do Pai Celestial. Tu, Helil, te corporificarás na Terra, no seio do povo mais pobre e mais trabalhador do Ocidente; instituirás um roteiro de coragem, para que sejam transpostas as imensidades desses oceanos perigosos e solitários, que separam o velho do novo mundo. Instalaremos aqui uma tenda de trabalho para a nação mais humilde da Europa, glorificando os seus esforços na oficina de Deus. Aproveitaremos o elemento simples de bondade, o coração fraternal dos habitantes destas terras novas, e, mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá, no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir. Aqui, Helil, sob a luz misericordiosa das estrelas da cruz, ficará localizado o coração do mundo!”

3 - Do Capítulo III – OS DEGREDADOS
(Palavras de Jesus quando do descobrimento do Brasil, no ano de 1500)

“Dirigindo-se a um dos seus elevados mensageiros na face do orbe terrestre, em meio do divino silêncio da multidão espiritual, sua voz ressoou com doçura:

– Ismael, manda o meu coração que doravante sejas o zelador dos patrimônios imortais que constituem a Terra do Cruzeiro. Recebe-a nos teus braços do trabalhador devotado da minha seara, como a recebi no coração, obedecendo a sagradas inspirações do Nosso Pai. Reúne as incansáveis falanges do Infinito, que cooperam nos ideais sacrossantos de minha doutrina, e inicia, desde já, a construção da pátria do meu ensinamento. Para aí transplantei a árvore da minha misericórdia e espero que a cultives com a tua abnegação e com o teu sublimado heroísmo. Ela será a doce paisagem dilatada do Tiberíades, que os homens aniquilaram na sua voracidade de carnificina. Guarda este símbolo da paz e inscreve na sua imaculada pureza o lema da tua coragem e do teu propósito de bem servir à causa de Deus e, sobretudo, lembra-te sempre de que estarei contigo no cumprimento dos teus deveres, com os quais abrirás para a humanidade dos séculos futuros um caminho novo, mediante a sagrada revivescência do Cristianismo.”

4 - Do Capítulo IV – OS MISSIONÁRIOS
(Palavras de Ismael no início do século XVI – 1500)

“Foi, aproximadamente, por essa época (início do Séc. XVI), que Ismael reuniu em grande assembléia os seus colaboradores mais devotados, com o objetivo de instituir um programa para as suas atividades espirituais na Terra de Santa Cruz:

– Irmãos – exclamou ele no seio da multidão de companheiros abnegados – plantamos aqui, sob o olhar misericordioso de Jesus, a sua bandeira de paz e de perdão. Todo um campo de trabalhos se desdobra às nossas vistas. Precisamos de colaboradores devotados que não temam a luta e o sacrifício. Voltemo-nos para os centros culturais de Coimbra e de Lisboa, a regenerar as fontes do pensamento, no elevado sentido de ampliarmos a nossa ação espiritual. Alguns de vós ficareis de Portugal, mantendo de pé os elementos protetores dos nossos trabalhos, e a maioria terá de envergar o sambenito humilde dos missionários penitentes, para levar o amor de Deus aos sertões ínvios e carecidos de todo o conforto. (...) O característico de vossa ação, como missionários do Pai Celestial, será um testemunho legítimo de renúncia a todos os bens materiais e uma consoladora pobreza.

Quase todos os Espíritos santificados, ali presentes, se oferecem como voluntários da grande causa. Entre muitos, descobriremos José de Anchieta e Bartolomeu dos Mártires, Manuel da Nóbrega, Diogo Jácome, Leonardo Nunes e muitos outros, que também foram dos chamados para esse conclave no mundo invisível.”

5 - Do Capítulo XXII – BEZERRA DE MENEZES
(A vinda de Bezerra de Menezes)

“As primeiras experiências espiritistas, na Pátria do Evangelho, começaram pelo problema das curas. Em 1818, já o Brasil possuía uma grande círculo homeopático, sob a direção do mundo invisível.”

“(...) quando prestes a findar o primeiro reinado, Ismael reúne no espaço os seus dedicados companheiros de luta e, organizada a venerável assembléia, o grande mensageiro do Senhor esclarece a todos sobre os seus elevados objetivos.

– Irmãos, expôs ele, o século atual, como sabeis, vai ser assinalado pelo advento do Consolador à face da Terra. Nestes cem anos se efetuarão os grandes movimentos preparatórios dos outros cem anos que hão de vir. As rajadas de morticínio e de dor avassalarão a alma da humanidade, no século próximo, dentro dos imperativos das transições necessárias, que serão o sinal do fim da civilização precária do Ocidente. Faz-se mister amparemos o coração atormentado dos homens nessas grandes amarguras, preparando-lhes o caminho da purificação espiritual, através das sendas penosas. É preciso, pois, preparemos o terreno para a sua estabilidade moral nesses instantes decisivos dos seus destinos.”(...)

“Houve na alocução de Ismael uma breve pausa.

Depois, encaminhando-se para um dos dedicados e fiéis discípulos, falou-lhe assim:

– Descerás às lutas terrestres com o objetivo de concentrar as nossas energias no país do Cruzeiro, dirigindo-as para o alvo sagrado dos nossos esforços. Arregimentarás todos os elementos dispersos, com as dedicações do teu espírito, a fim de que possamos criar o nosso núcleo de atividades espirituais, dentro dos elevados propósitos de reforma e regeneração. Não precisamos encarecer aos teus olhos a delicadeza dessa missão; mas, com a plena observância do código de Jesus e com a nossa assistência espiritual, pulverizarás todos os obstáculos, à força de perseverança e de humildade, consolidando os primórdios de nossa obra, que é a de Jesus, no seio da pátria do seu Evangelho. Se a luta vai ser grande, considera que não será menor a compensação do Senhor, que é o caminho, a verdade e a vida. (...)

Daí a algum tempo, no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, no Estado do Ceará, nascia Adolfo Bezerra de Menezes, o grande discípulo de Ismael, que vinha cumprir no Brasil uma elevada missão.”

6 - Do Capítulo XXVIII – A FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA(O trabalho da Federação Espírita Brasileira)

“Logo após a proclamação da República, Ismael volta a concentrar seu esforço na consolidação da sua obra terrestre. Seu primeiro cuidado foi examinar todos os elementos, procurando reafirmar, no seio dos ambientes espiritistas, a necessidade da obra evangélica, no sentido de que ressurgisse a doutrina de tolerância e de amor, de piedade e perdão, do Crucificado. Todo um campo de trabalho se desdobrava aos olhos de suas abnegadas falanges, aguardando o esforço dos arroteadores para a esperançosa semeadura. Seu coração angélico e misericordioso, sob a égide do Divino Mestre, já havia distribuído as noções evangélicas a todos os espíritos sedentos das claridades do Consolador e a Doutrina dos Espíritos, no Brasil, sob a sua influência, se tocava da luz divina da caridade e da crença, pressagiando as mais sublimes edificações morais.

O abnegado mensageiro do Mestre, começando o movimento de organização nos primeiros dias de 1889, preparara o ambiente necessário para que todos os companheiros do Rio ouvissem a palavra póstuma de Allan Kardec, que, através do médium Frederico Júnior, forneceu as suas instruções aos espiritistas da capital brasileira, exortando-os ao estudo, à caridade e à unificação.”

“Atendendo aos seus (de Ismael) rogos reiterados, a palavra do Mestre se faz ouvir, esclarecendo o seu emissário dileto:

– Ismael – disse-lhe o Senhor – concentraremos agora todos os nossos esforços a fim de que se unifiquem os meus discípulos encarnados, para a organização da obra impessoal e comum que iniciaste na Terra. Na pátria dos meus ensinamentos, o Espiritismo será o Cristianismo revivido na sua primitiva pureza, e faz-se mister coordenar todos os elementos da causa generosa da Verdade e da Luz, para os triunfos do Evangelho. Procurarás, entre todas as agremiações da doutrina, aquela que possa reunir no seu seio todos os agrupamentos; colocarás aí a tua célula, a fim de que todas as mentalidades postas na direção dos trabalhos evangélicos estejam afinadas pelo diapasão da tua serenidade e do teu devotamento à minha seara. E como as atividades humanas constituem, em todos os tempos, um oceano de inquietudes, a caridade pura deverá ser a âncora da tua obra, ligada para sempre ao fundo dos corações, no mar imenso das instabilidades humanas. A caridade valerá mais que todas as ciências e filosofias, no transcurso das eras, e será com ela que conseguirás consolidar a tua Casa e a tua obra.”

“As ordens e observações de Jesus foram por ele (Ismael) integralmente cumpridas. Escolheu as reservas preciosas da Federação e assentou, dentro dela, a sua tenda de trabalho espiritual. Consolidou a Assistência aos Necessitados, fundada em 1890, que radicou a sua obra no coração da coletividade carioca, e a caridade foi e será sempre o inabalável esteio da venerável instituição que hoje se ergue na Avenida Passos. Com essas providências, levadas a efeito numa das noites memoráveis de julho de 1895, Bezerra de Menezes assumia a sua posição de diretor de todos os trabalhos de Ismael no Brasil, coordenando os elementos para a evangelização e deixando a Federação como o porto luminoso de todas as esperanças, entre o Grupo Ismael, que constitui o seu santuário de ligação com os trabalhadores do Infinito, e a Assistência aos Necessitados, que a vincula, na Terra, a todos os corações infortunados e sofredores e representa, de fato, até hoje, a sua âncora de conservação no mesmo programa evangélico, no seio das ideologias novas e das perigosas ilusões do campo social e político.

Bezerra desprendeu-se do orbe, tendo consolidado a sua missão para que a obra de Ismael pudesse ser livremente cultivada no século XX.”

7 - Do Capítulo XXIX – O ESPIRITISMO NO BRASIL“Consolidadas as primeiras construções basilares de Ismael na Pátria do Cruzeiro, o Espiritismo derramou seus frutos sazonados e doces no coração da coletividade brasileira.”

“Jesus, com as suas mãos meigas e misericordiosas, fez reviver no país abençoado dos seus ensinamentos as curas maravilhosas dos tempos apostólicos.”

“Todas as possibilidades e energias são por Ismael aproveitadas para o bem comum e para a tarefa de todos os trabalhadores, e é por isso que todos os grupos sinceros do Espiritismo, no país, têm as suas águas fluidificadas, a terapêutica do magnetismo espiritual, os elementos da homeopatia, a cura das obsessões, os auxílios gratuitos no serviço de assistência aos necessitados, dentro do mais alto espírito evangélico, dando-se de graça aquilo que se recebeu como esmola do céu.”

“A obra de Ismael prossegue em sua marcha através de todos os centros de estudo e de cultura do país. Todavia, temos de considerar que um trabalho dessa natureza, pelo seu caráter grandioso e sublime, não poderia desenvolver-se sem os ataques inconscientes das forças reacionárias do próprio mundo invisível, e, como a Terra não é um paraíso e nem os homens são anjos, as entidades perturbadoras se aproveitam dos elementos mais acessíveis da natureza humana, para fomentar a discórdia, o demasiado individualismo, a vaidade e a ambição, desunindo as fileiras que, acima de tudo, deveriam manter-se coesas para a grande tarefa da educação dos espíritos, dentro do amor e da humildade.”

“A essas forças, que tentam a dissolução dos melhores esforços de Ismael e de suas valorosas falanges do Infinito, deve-se o fenômeno das excessivas edificações particularistas do Espiritismo no Brasil, particularismos que descentralizam o grande labor da evangelização. Mas, examinando semelhante anomalia, somos forçados a reconhecer que Ismael vence sempre. Construídas essas obras, que se levantam com pronunciado sabor pessoal, o grande mensageiro do Divino Mestre as assinala imediatamente com o selo divino da caridade, que, de fato, é o estandarte maravilhoso a reunir todos os ambientes do Espiritismo no país, até que todas as forças da doutrina, pela experiência própria e pela educação, possam constituir uma frente única de espiritualidade, acima de todas as controvérsias.”

“É para essa grande obra de unificação que todos os emissários cooperam no plano espiritual, objetivando a vitória de Ismael nos corações. E os discípulos encarnados bem poderiam atenuar o vigor das dissensões esterilizadoras, para se unirem na tarefa impessoal e comum, apressando a marcha redentora. Nas suas fileiras respeitáveis, só a desunião é o grande inimigo, (...).”

“Está claro que a doutrina não poderá imitar as disciplinas e os compromissos rijos da instituição romana, porque, nas suas características liberais, o pensamento livre, para o estudo e para o exame, deve realizar uma das suas melhores conquistas e nem é possível dispensar, totalmente, a discussão no labor de aclaramento geral. A liberdade não exclui a fraternidade e a fraternidade sincera é o primeiro passo para a edificação comum.”

O Espírito de Verdade

Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece contínua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao Espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o Espírito.

O Espírito de Verdade. (Havre, 1863).

O Espírito de Verdade

Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos sãos os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes.

O Espírito de Verdade. (Bordéus, 1861).

Advento do espírito de verdade

Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.

Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade.

O Espírito de Verdade. (Paris, 1861).

Advento do espírito de verdade

Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: «Vinde a mim, todos vós que sofreis.»

Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro.

Homens fracos que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afastais o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.

Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de entender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades.

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: «Irmãos! nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.»

O Espírito de Verdade. (Paris, 1860).

Prática Espírita

Tendo em vista que comumente surgem informações relacionando a Doutrina Espírita com as atividades de jogos de tarô, cartas, quiromancia e outras, a Federação Espírita Brasileira esclarece como se desenvolve a prática espírita:

Toda a prática espírita é gratuita, como orienta o princípio moral do Evangelho: “Dai de graça o que de graça recebestes”.

A prática espírita e realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, dentro do princípio cristão de que Deus deve ser adorado em espírito e verdade.

O Espiritismo não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenas, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer outros objetos, rituais ou formas de culto exterior.

O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer, independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adotem.

Prática mediúnica espírita só é aquela que é exercida com base nos princípios da Doutrina Espírita e dentro da moral cristã.

O Espiritismo respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, independentemente de sua raça, cor, nacionalidade, crença, nível cultural ou social. Reconhece, ainda, que “o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza”.



“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”


“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”


“Fora da caridade não há salvação”

www.febnet.org.br

sábado, 8 de setembro de 2007

Os demônios na Antigüidade

Uma análise da palavra demônio e de como eles foram associados à idéia de seres malignos

Por José Reis Chaves

Os biblistas têm que estudar Hermenêutica, que, entre muitas outras coisas, nos ensina que é imprescindível que saibamos o significado das palavras da época em que o autor hagiógrafo escreveu o seu texto, em hebraico, para o Velho Testamento, e em grego, para o Novo, a fim de que possamos entender a Bíblia. Essa regra vale não só para a interpretação correta dos textos dela, mas de quaisquer outras escrituras sagradas e de outros documentos antigos.

E vamos ao exemplo de uma palavra muito importante da Bíblia e que é objeto desta matéria, ou seja, o vocábulo grego "daimon", demônio, (plural "daimones", demônios), que foi traduzido por demônio em português. Essa palavra grega significava tanto na época de Jesus, quanto antes, alma humana. Escritos históricos e obras literárias daqueles tempos comprovam-nos esse significado. Assim é que Heródoto, em sua Odisséia, e textos sobre Sócrates usam "daimon" como sendo alma ou espírito humano. Sócrates dizia que seu demônio o protegia. Essa expressão equivalia às que se usam hoje, tais como meu anjo da guarda, meu guia, meu santo, meu mentor, meu protetor me protege, pois os antigos já sabiam que os espíritos dos "mortos", mormente os de nossos familiares, protegem-nos. Aliás, quando um católico recorre também a um santo da Igreja, ele se dirige ao espírito do santo e não ao cadáver do santo, que virou pó no cemitério!

Os historiadores medievais, ignorando a modificação de sentido que sofreu o vocábulo demônio, afirmavam que Sócrates tinha parte como um demônio. De fato, ele tinha parte com um demônio, mas que não era um demônio no sentido que passou a vigorar erroneamente no Cristianismo, ou seja, de ser ele pertencente a uma categoria de espíritos diferentes da dos seres humanos.

Como se sabe, os demônios ou espíritos desencarnados têm vários níveis de evolução. Uns são muito bons ou já bastante perfeitos, e outros ainda são bem atrasados. Os espíritos ou demônios já bem evoluídos - embora ainda não sejam anjos - e os ainda bastante atrasados ou muito "imperfeitos" constituem uma minoria. Já os demônios mias ou menos evoluídos, que não são ainda "santos" ou iniciados, e os que já não são também muito atrasados representam a maioria, que somos todos nós, eu que escrevi essa matéria e você que me lê! Usando uma linguagem corriqueira do povo, nós podemos ainda não merecer o paraíso, mas não somos tão maus a ponto de merecermos o inferno.

Sobre essas diferenças de níveis de evolução, Jesus nos deixou uma afirmação metafórica esclarecedora, ao dizer que na cas do Pai há várias moradas.

Essas diferenças de evolução entre os demônios são tão verdadeiras que Platão chegou a usar a expressão "demônios divinos", isto é, espíritos super-evoluídos, já equivalentes, pois, a anjos. Aliás, o Anjo Gabriel, citado na Bíblia, tem em seu próprio nome o significado de "homem iluminado ou homem de luz", o que nos lembra a expressão citada de Platão, de "demônio divino". E observemos que quando uma pessoa é muito perversa e cruel, nós a chamamos de demônio. A Bíblia chama também os espíritos, quer encarnados, quer desencarnados, de deuses (São João 10,34; Salmo 82,6; e 1 Samuel 28,13). Esses espíritos que se manifestavam eram chamados, pelos cristãos primitivos e às vezes atualmente, de demônios ou deuses pagãos. E, como acabamos de ver, nós, pela Bíblia, somo denominados também de deuses. De fato, somos demônios ou deuses.

Nós, estudiosos modernos de anjos, sabemos que eles são espíritos que manifestam um "alto nível evolutivo". No entanto, se diz "anjo mau", o que corresponde, obviamente, a demônio mau. Como se vê, faz parte de nossa linguagem popular que demônio (daimon) é mesmo um espírito, que tanto pode ser "bom", "mau" ou "mais ou menos", e que, como já foi dito, representa a maioria dos demônios ou de todos nós. Acrescente-se, ainda, a tudo isso o fato de existirem palavras gregas apropriadas para as variações de sentido da palavra daimon (demônio): eudaimon (demônio bom); kakodaimon (demônio mau); e daimon (demônio indefenido, neutro), o que enriquece mais a verdade que estamos abordando de que demônio é de fato um espírito, que pode ser bom (evoluído), mau (ignorante) e mediano (a maioria).

E é oportuno lembrarmo-nos aqui, também, da expressão "anjo" que se usa para se referir a uma criança que é sepultada. Essa expressão carinhosa, mas ao mesmo tempo supersticiosa, é oriunda da tenra idade da criança e da suposta crença de que existe apenas uma vida terrena - a criança não teria tido tempo de pecar - quer dizer que se trata de um anjo bom ou um demônio bom.

A Origem da confusão

Mas por que no Cristianismo demônios passaram a significar apenas espíritos maus ou impuros? Será porque todos os demônios que perturbam as pessoas são atrasados ou imperfeitos, isto é, ainda não purificados? De fato, demônios bons ou já com um certo nível de evolução não perturbam as pessoas. E como Jesus só retirava ou afastava das pessoas demônios impuros ou atrasados, eles, com o tempo, passaram a significar apenas espíritos maus, o que levou os cristãos a se esquecerem de que os demônios são espíritos em geral. Aliás, nenhum cristão queria que os demônios fossem humanos, porque ninguém queria admitir a hipótese de, no futuro, ser um deles! E o fenômeno de mudança de significado das palavras é comum em todas as línguas. Por exemplo, "bárbaro" era todo indivíduo que não pertencia ao Império Greco-romano. Mas "bárbaro" ganhou outro sentido quando se fala em crime bárbaro. E ainda podemos falar em um filme bárbaro, quando esse vocábulo "bárbaro" é sinônimo de espetacular.

Mas a confusão maior que se formou com relação ao demônio é com os seus falsos sinônimos. Por isso, desde já há muito tempo, muitos teólogos não acreditavam na existência de demônios e diabos, pois eles não sabiam que, na verdade, eles eram espíritos. E diabo, satã, satanás, serpente, dragão etc. não são sequer espíritos, mas coisas nossas. Ciúme, ódio, inveja, orgulho e ganância são exemplos de nossos diabos, satanases e satãs criados e sustentados por nós. Em outros termos, são nossos pecados. Lúcifer, do latim: "lucis" (luz) e "ferre" (transportar) significa porta-luz e, figuradamente, porta-inteligência ou a própria inteligência, daí que se atribui a lúcifer (inteligência) o comando dos chamados anjos rebeldes. De fato, é a inteligência que dirige tudo. No grego, também, lúcifer é "eosforo" (luz, inteligência), do que vem a nossa palavra em português fósforo. E serpente, metaforicamente é, igualmente, inteligência, em todas as culturas, inclusive na Bíblia. Daí Jesus ter dito: "Sede prudentes como as serpentes, mas mansos como as pombas". Já dragão simboliza o mal, tal qual o anti-cristo. E a serpente (inteligência) tentou Eva.

Realmente, como estamos vendo, há uma confusão dos diabos com relação à palavra demônio, que é mais usada no plural, demônios. E atentemos para o fato de que Jesus tirava das pessoas demônios, mas jamais tirou de alguém um diabo, um satanás, uma serpente e um dragão, pois apenas os demônios são espíritos!

José Reis Chaves é autor dos livros A Face Oculta das Religiões, a Reencarnação na Bíblia e na Ciência, entre outros.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O Espiritismo no Brasil

Divulgado em praticamente toda a Europa no século XIX, o Espiritismo chegou ao Brasil em 1865. Hoje, o País é o que reúne o maior número de espíritas em todo o mundo. A Federação Espírita Brasileira – entidade de âmbito nacional do Movimento Espírita – congrega aproximadamente dez mil instituições espíritas, espalhadas por todas as regiões do País. Atualmente, o Brasil possui 2,3 milhões de espíritas, de acordo com o último censo[6] realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000. Terceiro maior grupo religioso do País, os espíritas são, também, o segmento social que têm maior renda e escolaridade, segundo os dados do mesmo Censo. Os espíritas têm sua imagem fortemente associada à prática da caridade. Eles mantêm em todos os Estados brasileiros asilos, orfanatos, escolas para pessoas carentes, creches e outras instituições de assistência e promoção social. Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, é uma personalidade bastante conhecida e respeitada no Brasil. Seus livros já venderam mais de 20 milhões de exemplares em todo o País. Se forem contabilizados os demais livros espíritas, todos decorrentes das obras de Allan Kardec, o mercado editorial brasileiro espírita ultrapassa 4.000 títulos já editados e mais de 100 milhões de exemplares vendidos.

Federação Espírita Brasileira
A Federação Espírita Brasileira foi fundada em 2 de janeiro de 1884, no Rio de Janeiro. Em 2004 completou 120 anos. É uma sociedade civil, religiosa, educacional, cultural e filantrópica, que tem por objeto o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, com base nas obras da codificação de Allan Kardec e nos Evangelhos canônicos. O Departamento Editorial da FEB possui um catálogo de mais de 400 títulos que totalizam 39 milhões de livros vendidos. Todos inspirados na Codificação Kardequiana: romances, mensagens, contos, crônicas, textos científicos e filosóficos, além de CD-ROMs, vídeos, apostilas e CDs de canções espíritas.

Fenômenos Espíritas e a Ciência

A investigação dos fatos e causas do fenômeno mediúnico é objecto de estudo pela Pesquisa Psíquica, ramo da parapsicologia (substituindo a metapsíquica), que tem como interesse fundamental a averiguação da ocorrência dos aludidos fatos. Vêm fazendo-se investigação séria e científica, e por vezes, a nível universitário, mas até o momento sem qualquer evidência científica reprodutível. Também, a Doutrina Espírita utiliza uma metodologia científica própria, sem o rigor científico habitual e baseada muitas vezes em evidências anedóticas.
Kardec, no preâmbulo de O que é o Espiritismo, afirma que o espiritismo "é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal". Dentro dessa perspectiva, Kardec teria fundado a "Ciência Espírita", tendo como objeto o espírito e toda a ordem de fenômenos que a ele dizem respeito. Na Revista Espírita, que publicou até sua morte, analisa vários relatos de fenômenos aparentemente mediúnicos ou sobrenaturais oriundos de diversas partes do mundo. Procurava distinguir, entre os relatos que lhe chegavam, os acontecimentos prováveis, ou pelo menos verossímeis, daqueles oriundos do charlatanismo ou da simples imaginação superexcitada.
Durante o século XIX, uma controversa forma de evidenciar a existência de espíritos era a chamada fotografia espírita, que obteve sucesso especial na Inglaterra, nos Estados Unidos e na França. Fotógrafos amadores e profissionais dedicavam-se a ela, fosse com o intuito de desmascarar o que consideravam ser uma fraude, fosse para demonstrar a autenticidade do fenômeno. Apesar das muitas fraudes existentes, casos famosos como o do americano Mumler suscitam até hoje debates entre investigadores.
Para além dos aspectos doutrinários, existe uma diversidade de práticas que vêm suscitando nas últimas décadas uma crescente curiosidade - a ectoplasmia, psicocinesia, psicofonia, psicometria, levitação, telepatia, clarividência, pré-cognição, via onírica (sonhos), psicografia, arte mediúnica, medicina e cirúrgia mediúnica, apometria, radiestesia e rabdomancia. Mesmo após extensas investigações científicas, e debunks por James Randi, Harry Houdini e outros, nenhum desses fenômenos foi rigorosamente referendado até hoje pela metodologia científica.

Doutrina Espírita e Cristianismo

Os espiritistas (tradução muito usada durante as primeiras décadas do século XX para o neologismo spirite) ou espíritas, na sua maioria, afirmam-se cristãos e atribuem à Doutrina Espírita o caráter de uma doutrina cristã, já que seguem os ensinamentos de Jesus. Entretanto, essa associação entre o Espiritismo (Doutrina Espírita) e o Cristianismo é contestada pelas religiões de matriz judaico-cristãs, sob a alegação de que, embora partilhe de valores cristãos, a rejeição espírita a diversos postulados bíblicos e teológicos preconizados pelas igrejas cristãs dominantes inviabilizaria a conceituação do espiritismo como "cristão".
Os espíritas fundamentam sua defesa do carácter cristão da Doutrina Espírita no fato de Allan Kardec, em seus diálogos com os Espíritos, ter concluído que a moral cristã, isenta dos dogmas de fé a ela associados, seria o que de mais próximo a um código de ética divino e racional o homem possuí. Os espíritas argumentam que os dogmas foram feitos pela Igreja Católica, sendo que muitos deles vão contra a razão, por isso não é necessário segui-los para ser cristão. Além disso, a resposta à pergunta 625 de O Livro dos Espíritos afirma ser Jesus o maior exemplo moral de que dispõe a humanidade, apesar de o espiritismo negar a ele qualquer carácter efetivamente divino [2].
A Profª.Drª. Dora Incontri, coordenadora do curso de pós-graduação em Pedagogia Espírita da Universidade Santa Cecília, defende o caráter cristão da Doutrina Espírita, apontando na proposta estruturada por Allan Kardec um novo modelo de religião, alheio a dogmas, fórmulas, hierarquias sacerdotais e baseado eminentemente no aspecto ético-moral do sujeito. Considera ainda Rousseau e Pestalozzi como os dois grandes precursores da idéia de uma "religiosidade natural" predominantemente moral, e defende que "evidenciou-se com a publicação de O Evangelho segundo o Espiritismo e de O Céu e o Inferno que, embora não o confessasse, ele [Kardec] estava fazendo uma nova leitura do Cristianismo". [3]
Já o Prof.Dr. António Flávio Pierucci, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, estudioso da religiosidade brasileira, procura demonstrar que o Espiritismo (Doutrina Espírita) não é uma religião cristã, afirmando que os espíritas utilizam o Cristianismo para se legitimar. Pierucci defende também que o vínculo com a Igreja Católica defendido pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação e a intolerância. [4]
Um outro elemento importante, convém lembrar, é o conceito de "Consolador" ou "Consolador Prometido" atribuído ao Espiritismo, também denominado de "Terceira Revelação".
A figura do Consolador está em João, no cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26. Ao Consolador estaria reservada a tarefa de relembrar ou complementar os ensinamentos de Jesus.
Allan Kardec trata deste tema em O Evangelho segundo o Espiritismo no cap. VI e em A Gênese, no cap. I (Caráter da revelação espírita), destacando ser a Doutrina Espírita uma terceira etapa da intervenção divina no reino dos homens. Moisés ao consolidar a idéia do Deus único teria trazido a 1ª revelação da lei divina; Jesus seria o responsável pela 2ª revelação, caracterizada pela concepção de Deus como Pai de todas as criaturas, que ama indistintamente seus filhos, lhes reservando glorioso futuro; ao Espiritismo caberia a continuidade deste trabalho de desvelar, de trazer novamente à luz.
Tanto Kardec, quanto outros autores espíritas situam a Doutrina Espírita como um corpo de conhecimentos que, no aspecto religioso, retoma em essência (e tão somente) os principais pontos das idéias de Moisés e de Jesus, aquelas livres dos embaraços teológicos e passíveis de se submeter-se a uma abordagem racional e moral de tintas universais, isto é, que podem ser atualizadas e utilizadas em qualquer tempo[5].

O conceito bíblico
As religiões de matriz judaico-cristãs entendem que, com a Lei dada a Moisés no Antigo Testamento, Deus interditou à Antiga Israel as comuniçações com o Mundo dos Espíritos e o uso de poderes sobrenaturais por eles concedidos. "... não haverá no meio de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, que interrogue os oráculos, pratique adivinhação, magia, encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à adivinhação ou consulte os mortos (necromancia)" (Deuteronômio 18:10-14). Afirmam ainda que essa proibição é confirmada no Novo Testamento, através das referências contidas nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos aos "espíritos impuros". A citação do apóstolo Paulo em Gálatas 5:20, afirma que quem pratica "feitiçaria" (ou bruxaria, o termo grego usado é farmakía) ... não herdará o Reino de Deus". (Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, o termo é vertido por "espiritismo". Mas esta aplicação da palavra não se refere, por óbvias razões cronológicas, à doutrina espírita). É comum encontrar referências ao uso do termo Espiritismo para denominar outras doutrinas e cultos que não sejam aquela codificada por Allan Kardec.
Já para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica em si, pois esta seria fundamentada em um fenómeno natural. A condenação bíblica, que também encontra apoio no movimento espírita, é o uso dos recursos mediúnicos para finalidades frívolas ou voltadas ao benefício próprio. Segundo ela, diversas passagens bíblicas exemplificariam a fenomenologia mediúnica, a exemplo de I Samuel 9:9, II Crônicas 16:7, e Mateus 17:1-8.

O diálogo com as religiões
A posição oficial da Igreja Católica proíbe terminantemente os seus fiéis assistir a sessões mediúnicas realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas - mesmo que estes pareçam ser honestos ou piedosos - quer interrogando os Espíritos e ouvindo suas respostas, quer assistindo por mera curiosidade. Posições similares têm as religiões evangélicas.
No entanto, a Igreja Católica não nega a possibilidade física de comunicação com entidades espirituais. Em pesquisas recentes, sob a tutela do Papa João Paulo II, o Padre François Brune publicou o livro Os Mortos nos Falam, em que defende a realidade das comunicações com os Espíritos. Além disso, principalmente no Brasil, é possível observar uma maior tolerância por parte de muitos leigos católicos às práticas mediúnicas.
Atualmente, muitas comunidades evangélicas, apesar de não concordarem com os preceitos teológicos e filosóficos do espiritismo, têm procurado, da mesma forma, manter com este uma relação respeitosa, por reconhecer nos trabalhos sociais desenvolvidos pelas casas espíritas uma atividade séria e comprometida. Algumas, inclusive, têm buscado uma aproximação concreta com as instituições espíritas, seja por meio da realização de cultos ecumênicos, seja através do diálogo inter-religioso.

A Doutrina Espírita, por sua vez, respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens. Pois o Espiritismo tem como máxima a frase "Fora da caridade não há salvação" o que significa que sendo benevolente e caridoso você será gratificado, independentemente da sua crença, ao contrário do "Fora da Igreja não há salvação" que exclui todos que não seguem a Igreja, mesmo que caridoso, da salvação.

A Doutrina Espírita

A Doutrina Espírita é uma corrente de pensamento — nascida em meados do século XIX — que se estruturou a partir de diálogos estabelecidos entre o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail e o que ele e muitos pesquisadores da época defendiam tratar-se de espíritos de pessoas falecidas, a manifestar-se através de diversos médiuns.
Caracteriza-se pelo ideal de compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas consideradas clássicas de conhecimento, que seriam a científica, a filosófica e a religiosa. Segundo Allan Kardec, cada uma delas, se tomada isoladamente, tenderia a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo. A doutrina espírita se propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre elas, visando à obtenção de uma forma original, que a um só tempo fosse mais abrangente e profunda, de compreender a realidade.
A sua base doutrinária é o Livro dos Espíritos, primeira das chamadas obras básicas escritas por Rivail. Nesse livro, consta o resultado preliminar dos diálogos estabelecidos por ele em diversas reuniões mediúnicas com o que seriam espíritos "desencarnados". A obra é dividida em 1019 tópicos no estilo pergunta–resposta, ordenados didaticamente pelo pedagogo. As questões levantadas em O Livro dos Espíritos serviram como base para os demais livros que compõem a Codificação espírita.
Segundo muitos de seus estudiosos[1], a doutrina espírita tem inspiração cristã, apesar das concepções teológicas bem diferenciadas no que diz respeito a conceitos como divindade, natureza humana, salvação, graça e destino. Para eles, Jesus Cristo é o espírito mais elevado que conhecemos em toda a história da Terra, bem como o modelo de conduta para o auto-aperfeiçoamento humano.

Contexto
Em 1855, Denizard Rivail, depois conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, lançou-se à investigação do fenômeno, bastante comum à época, das mesas girantes ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam animar-se de uma estranha vitalidade. Após dois anos de dedicação à pesquisa, ele não viu nas muitas e óbvias fraudes constatadas um motivo para englobar todos os acontecimentos dessa ordem no âmbito das falácias e/ou charlatanices. Pessoalmente convencido não só da realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das mistificações existentes, mas também da possibilidade dele ser causado por espíritos, Rivail deu um passo adiante: em lugar de dedicar o resto de sua vida à busca por "provar cientificamente" a explicação mediúnica para os fenômenos, procurou extrair da possibilidade de que fossem causados pela ação de espíritos algo de útil para a humanidade.
A robusta formação humanística por que passara, bebendo diretamente de Pestalozzi, discípulo dileto de Rousseau, não poderia limitá-lo a uma pesquisa meramente naturalista. A necessidade de dar algum suporte à espiritualidade humana numa época em que a ciência avançava a passos largos e as religiões perdiam cada vez mais adeptos despertou em Kardec a idéia de um novo modo de pensar o real, que unisse, de forma ponderada, a ascendente Ciência e a decadente Religião, mediadas pela racionalidade filosófica. Assim, Kardec fez uso do empirismo científico para investigar os fenômenos, da racionalidade filosófica para dialogar com o que presumiu serem espíritos e analisar suas proposições, e buscou extrair desses diálogos conseqüências ético-morais úteis para o ser humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril de 1857, a doutrina espírita, sistematizada na primeira edição de O Livro dos Espíritos.

Primeiras observações
Os espíritas e muitos outros defensores da explicação mediúnica para os chamados "fenômenos sobrenaturais" ou "paranormais" adotam a data de 31 de março de 1848 como o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, alegadamente mais ostensivas e freqüentes do que jamais ocorrera, o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos. Afirmam, contudo, que acontecimentos envolvendo espíritos (pessoas que já morreram) existem desde os primórdios da humanidade.
Entre outros, citam como exemplo os comentários de Platão ao falar sobre o dáimon ou gênio que acompanharia Sócrates; a proibição de Moisés à prática da "consulta aos mortos", que seria uma evidência da crença judaica nessa possibilidade, já que não se interdita algo irrealizável; e a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor, citada em Mt, 17, 1-9.

Estudo sobre as mesas girantes
Segundo os biógrafos, Allan Kardec foi convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de Mesmer, a verificar o fenômeno das mesas girantes com a disposição de observar e analisar os fenômenos que despertavam curiosidade no século XIX.
As primeiras manifestações tidas como mediúnicas aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo, desse modo, sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta.
Kardec, em analisando esses fenómenos, concluiu que não havia nada de convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito da eletricidade, cujas propriedades eram pouco conhecidas pela ciência de então. Foram então utilizados métodos para se obter respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes correspondenteria ao número de ordem de cada letra, chegando, assim, a formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas.
Kardec concluiu que a precisão das respostas e sua correlação com a pergunta não poderiam ser atribuídas ao acaso. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um Espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito.

Princípios
A doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:
na existência e unicidade de Deus, desconstruindo o dogma da Santíssima Trindade;
na existência e imortalidade do Espírito, compreendido como individualidade inteligente da Criação Divina;
na defesa da Reencarnação, como o mecanismo natural de aperfeiçoamento dos Espíritos;
no conceito de criação igualitária para de todos os Espíritos, "simples e ignorantes" em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição;
na possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados ("vivos") e os espíritos desencarnados ("mortos"), através da mediunidade;
na lei de causa e efeito, compreendida como mecanismo de retribuição ética universal a todos os espíritos.
O espiritismo crê na pluralidade dos mundos habitados. A Terra não seria o único planeta com vida inteligente do universo.
Além disso, podem-se citar como características secundárias:
A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda a existência do Espírito;
Progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;
Volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição. Os espíritas não crêem na metempsicose, ou seja, a volta do Espírito no corpo de animal para pagar dívidas, como aceitam as religiões orientais em geral;
Ausência total de hierarquia sacerdotal;
Abnegação na prática do bem, ou seja, usualmente não se cobra nada por esta ou aquela atividade espírita;
Terminologia própria, como por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita. O espiritismo não preconiza o uso de termos como: corpo astral, karma, Exu, Orixá, "cavalo", "aparelho", "terreiro", "encosto", entre outros vocábulos utilizados por várias religiões e crenças, embora alguns espíritas, por razões culturais, façam uso de termos semelhantes;
Total ausência de culto a imagens, altares, etc.
Ausência de quaisquer rituais de batismo, culto ou cerimônia para oficializar casamento;
A doutrina espírita incentiva aos praticantes do espiritismo o respeito para com todas as religiões e opiniões.
Há organizações cujas características não se coadunam com a proposta da Federação Espírita Brasileira de compreensão do espiritismo, e por isso não são consideradas pelas Federações Estaduais como representativas da doutrina. Para os espíritas, estas são organizações espiritualistas e não espíritas. Esta diferenciação tem gerado muitas controvérsias e discussões em ambos segmentos.
Embora a Doutrina Espírita não seja oriunda do Brasil, este é o país que possui a maior quantidade de adeptos. A Federação Espírita Brasileira, que integra o Conselho Espirita Internacional, é a principal entidade divulgadora da Doutrina Espírita no Brasil. Outra organização importante é a Confederação Espírita Pan-Americana, sendo que esta entidade não concebe o espiritismo como religião, centrando-se apenas nos seus aspectos filosóficos e científicos.

Obras básicas
A seguir são apresentadas algumas das principais obras publicadas por Allan Kardec, entre as quais encontram-se as chamadas Obras Básicas do espiritismo.

O Livro dos Espíritos
O Livro dos Espíritos, publicado em 1857, apresenta-se na forma de perguntas e respostas, totalizando 1.019 tópicos.

O Que É o Espiritismo
O livro O Que É o Espiritismo?, publicado em 1859, é uma introdução didática sobre a doutrina espírita.

O Livro dos Médiuns
O Livro dos Médiuns, ou "Guia dos Médiuns e dos Evocadores", foi publicado em 1861 e versa sobre o caráter experimental e investigativo do espiritismo, visto como ferramenta teórico-metodológica para se compreender uma "nova ordem de fenômenos", até então jamais considerada pelo conhecimento científico: os fenômenos ditos espíritas ou mediúnicos, que teriam como causa a intervenção de espíritos na realidade física.

Evangelho Segundo o Espiritismo
O livro O Evangelho segundo o Espiritismo, publicado em 1864, avalia os evangelhos canônicos sob a óptica da doutrina espírita, tratando com atenção especial a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a prática da adoração, da prece e da caridade.

O Céu e o Inferno
O livro O Céu e o Inferno, ou "A Justiça Divina segundo o Espiritismo", foi publicado em 1865 e compõe-se de duas partes: na primeira, Kardec realiza um exame crítico da doutrina católica sobre a transcendência, procurando apontar contradições filosóficas e incoerências com o conhecimento científico superáveis, segundo ele, mediante o paradigma espírita da fé raciocinada. Na segunda, constam dezenas de diálogos que teriam sido estabelecidos entre Kardec e diversos espíritos, nos quais estes narram as impressões que trazem do além-túmulo.

A Gênese
O livro A Gênese, ou "Milagres e as Predições segundo o Espiritismo", foi publicado em 1868 e aborda diversas questões de ordem filosófica e científica, como a criação do universo, a formação dos mundos, o surgimento do espírito, segundo o paradigma espírita de compreensão da realidade.