sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O amor e o medo do sofrimento

O ser humano tem na sua herança genética o instinto de lutar, fugir ou paralisar diante das dificuldades e emoções. Inicialmente, a vida na pré-história era regida pelo nosso cérebro emocional, exigindo respostas mais simples de luta pela sobrevivência em um mundo hostil, com uma vida bastante animalizada.

O nosso cérebro racional, o neocórtex, é mais recente na evolução e permitiu o grande avanço da humanidade e a criação da civilização complexa que temos hoje.  Esse avanço possibilitou pensar e controlar as emoções por meio de nosso raciocínio. Dessa forma, a luta, fuga ou paralisação passou a fazer parte das nossas escolhas e modelos mentais. Imaginamos agir com a razão, mas o mecanismo verdadeiro é inconsciente e puramente emocional.

Na paixão, projetamos no outro a idealização que fazemos de nós mesmos. Depois do período de euforia inicial, passamos para o mecanismo de identificação projetiva. Ou seja, passamos a identificar no outro o que somos, gerando conflitos e muitas vezes a rejeição. A falta de autoconhecimento e inteligência emocional nos faz agir como homem das cavernas, regidos pelo instinto e emoções mais primárias do medo e raiva.

Ao estar envolvido nessas emoções, normalmente acionamos o mecanismo de desistir do outro, sabotando a relação (fuga) ou de nada fazer para evoluir no relacionamento (paralisar). Isso é devido ao medo do sofrimento futuro; ou raiva dos nossos próprios defeitos que identificamos no outro. As semelhanças são uma grande oportunidade de aprendizado, já que olhando o outro como o nosso espelho temos como ter a noção exata do mal que fazemos ao próximo. Essa consciência permite o desenvolvimento emocional.

Desistir ou paralisar é sempre o caminho mais fácil e mais primitivo emocionalmente. O caminho do equilíbrio é a luta. A resiliência é a palavra chave que nos faz enfrentar os problemas e ter a motivação para seguir em frente no relacionamento, se permitindo amar e viver uma nova experiência. Esse amor significa aceitar incondicionalmente o outro.

O amor verdadeiro não admite fuga nem indiferença. Quem ama luta e quem luta está vivo! Viver é amar sem medo do sofrimento! Amar é se imortalizar na existência!

Marcelo Brito