segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Grupo cria programa que lê pensamento

Usando ressonância magnética, japoneses conseguiram decodificar a visão de uma pessoa examinando o seu cérebro

Aprimoramento pode levar nova tecnologia a ser capaz de registrar sonhos; método remete a debate sobre ética e privacidade no futuro

As letras para as quais você olha agora podem ser recriadas com um programa de computador usando mapeamento cerebral por ressonância magnética. Em um feito inédito na neurociência, um grupo de cientistas japoneses anunciou pela primeira vez uma tecnologia de "leitura da mente" capaz de recriar imagens a partir de nada mais do que puro pensamento.

O método foi apresentado em estudo sexta-feira na revista "Neuron". Experimentos semelhantes já haviam sido feitos, mas as imagens observadas eram "escolhidas" pelos cientistas e não produzidas diretamente pela máquina de leitura cerebral, como feito agora.

O neurocientista Jack Gallant, autor dos primeiros trabalhos nessa linha, já havia mostrado no início do ano que era possível identificar qual imagem, num grupo de várias, estava sendo observada pelos voluntários dos experimentos. Para fazer isso, criou um programa capaz de comparar a atividade cerebral das pessoas durante a observação de um objeto com a atividade pré-registrada num "treinamento". O programa conseguia então apontar qual imagem era a observada.

Agora, Yukiyasu Kamitani, do Laboratório de Neurociência Computacional ATR, em Kyoto, foi um passo além. Sua equipe usou uma imagem de atividade cerebral obtida em uma máquina de ressonância magnética funcional para recriar imagens em preto-e-branco a partir do zero.

"Ao analisar sinais cerebrais quando alguém vê uma imagem, podemos reconstruí-la", afirma Kamitani. Isso significa que a leitura da mente poderia ser usada para "extrair" qualquer coisa sobre a qual uma pessoa está pensando, sem os cientistas terem a menor idéia do que poderá vir.

Pixels mentais
"É absolutamente espantoso", comenta John-Dylan Haynes, do Instituto Max Planck para Cognição Humana, de Leipzig (Alemanha). "Isso é um passo realmente importante."

O experimento de Kamitani começa com uma pessoa observando uma seleção de imagens compostas de quadrados brancos ou pretos numa grade de dez por dez. Ao mesmo tempo, mapeia seus cérebros. Cada quadrado é como um pixel, um ponto na tela de computador.

O programa, então, acha os padrões de atividade cerebral que correspondem a cada pixel. Depois, a pessoa se senta na máquina de ressonância funcional e passa a olhar para figuras novas. É aí que um outro programa compara essa nova leitura com a anterior e reconstrói o quadro de pixels.

A qualidade de imagens obtida no experimento era um pouco baixa, mas foi suficiente para identificar as letras da palavra "neuron" (neurônio em inglês).

Números e formas também foram mostrados às pessoas e puderam ser reconstruídos da mesma maneira (veja quadro à direita). Já vale como uma prova de princípio, diz Haynes .

Como a ressonância magnética funcional tem se aprimorado muito nos últimos anos, Kamitani afirma que seu quadro pode no futuro ser produzido com um número maior de pixels, produzindo imagens com muito mais qualidade.

O próximo passo dos cientistas é tentar reconstruir imagens sobre as quais as pessoas estão apenas pensando, sem vê-las diretamente. Seria então possível "fazer a filmagem de um sonho", diz Kamitani.

Haynes diz que isso pode levantar questões éticas no futuro. Publicitários, por exemplo, poderiam tentar ler os pensamentos dos transeuntes para adequar seus anúncios a elas.

Ladrões de sonhos
"Isso [a nova pesquisa] não leva necessariamente àquilo, mas o espírito do que está sendo feito está alinhado com com a leitura cerebral e com as aplicações que viriam com ela", afirma o neurocientista.

"Com uma técnica que permite ler o que as pessoas pensam, nós claramente precisamos de diretrizes éticas sobre quando e como isso pode ser feito", diz.

"Muitas pessoas querem que seja possível ler suas mentes -uma pessoa paralisada, por exemplo. Mas não deveria ser permitido fazer isso com um propósito comercial."

O próprio Kamitani se diz ciente dos potenciais abusos que a tecnologia poderia propiciar. "Se a qualidade de imagens melhorar, poderia haver um sério impacto em nossa privacidade", diz. "Nós teremos que discutir com muitas pessoas -não apenas os cientistas- sobre como aplicar essa tecnologia.

Celeste Bevier
da "New Scientist"

sábado, 13 de dezembro de 2008

Quando nasceu Jesus?

25 de dezembro, o dia do solstício do inverno, já era venerado pelos celtas e depois pelos romanos, muitos séculos antes do nascimento de Jesus. Nesse, dia os romanos faziam homenagens a Saturno, o deus da agricultura, pois, com a chegada do inverno, acreditava-se que era ele quem protegia as terras que iriam descansar do plantio.

Em 274, o Imperador Aureliano proclamou 25 de dezembro como o Dia do Nascimento do Sol Inconquistável. A partir de então, o sol passou a ser venerado. E o início do inverno passou a ser festejado como o ‘Dia do Deus Sol’.

A partir de um decreto assinado pelo Papa Júlio I, no ano 350, ficou determinado que o nascimento de Cristo deveria ser comemorado no dia 25 de dezembro. Assim, a adoração ao deus Sol seria abolida e, em seu lugar, seria venerado o Salvador Jesus Cristo.

Em finais do século IX, o Natal já era comemorado em toda a Europa.

Porém, vários estudos e referências históricas sobre eventos ocorridos na época de Jesus, como o recenseamento em Roma, contam com a possibilidade de Cristo ter nascido de quatro a seis anos antes da data considerada.

Mas, que energia, de acordo com a Numerologia, a data de 25 de dezembro traz para os cristãos?

O dia 25 tem a energia 7, número de significado religioso, cabalístico, divino, que traz em si mesmo idéia de ciclos, de 7 em 7 até atingir a perfeição. Pitágoras o considerava o número perfeito e sagrado. Santo Agostinho o tinha como símbolo da perfeição e da plenitude. As referências ao 7 sempre foram vastas: a semana tem 7 dias, são 7 as cores do arco-íris, 7 notas musicais, 7 maravilhas do mundo, 7 fases da vida, de 7 em 7 anos (embrião, infância, adolescência, juventude, virilidade, maturidade e velhice), 7 chacras, a crise dos 7 anos no casamento, as 7 vidas do gato, os 7 anos de azar.

Nascer no dia 25/7, significa estar envolvido com o mistério da vida. Significa ter a consciência elevada e o pensamento perfeito. Pessoas preocupadas com a consciência e o desenvolvimento espiritual nascem num dia 25.

E o que significa ter nascido em 25 de dezembro? 25+12= 37 3+7=10 1+0=1.

Significa o começo, o número 1, o início da era cristã. Um número de princípio masculino, de pura energia, é a unidade de tudo. É uma data que carrega a energia 1 que, simbolicamente, mostra que tudo começou quando Deus se fez Homem e veio à Terra, para mostrar que somos todos irmãos e devemos nos amar.

Fonte: Terra esotérico

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Felicidade pode ser 'contagiosa', aponta estudo

Um estudo publicado na revista científica British Medical Journal aponta que a felicidade de uma pessoa não é só uma escolha ou experiência individual, mas que está ligada “à felicidade dos indivíduos aos quais a pessoa está conectada, direta ou indiretamente”.

Usando análises estatísticas, os pesquisadores Nicholas Christakis, da Escola de Medicina de Harvard, e James Fowler, da Universidade da Califórnia, mediram como as redes sociais estão relacionadas com a sensação de felicidade de uma pessoa.

Segundo os dados do estudo, a felicidade de uma pessoa pode “contagiar” aqueles com quem ela se relaciona.

“Mudanças na felicidade individual podem se propagar em ondas de felicidade pela rede social e gerar grupos de felicidade e infelicidade”, diz o estudo.

E mais, não são apenas os laços sociais mais imediatos que têm impacto nestes níveis de felicidade, o sentimento consegue atingir até três graus de separação (amigos de amigos de amigos).

“Pessoas que estão cercadas de pessoas felizes e aqueles que são centrais nessas redes de relações têm mais tendência a serem felizes no futuro”.

A pesquisa aponta que estes grupos de “felicidade” resultam da disseminação desse sentimento, e não são apenas resultado de uma tendência dos indivíduos se associarem a pessoas com características similares.

Proximidade
Assim, um amigo que viva a uma distância de cerca de uma milha (1,6 km) e que se torna feliz, aumenta a probabilidade de que uma pessoa seja feliz em 25%. Efeitos similares foram observados entre casais que moram na mesma casa (8%), irmãos que vivam a menos de uma milha de distância (14%) e vizinhos (34%).

Surpreendentemente, essa relação não foi observada entre colegas de trabalho, o que sugere que o contexto social pode afetar na disseminação no sentimento de felicidade.

O estudo também aponta que a proximidade geográfica é essencial para a disseminação da felicidade.

Uma pessoa tem 42% mais chances de ser feliz se um amigo que viva a menos de 800 metros de distância se torna feliz. O efeito é de apenas 22% se o amigo morar a mais de 2,2 quilômetros.

Dados
Para chegar a essas conclusões, os autores analisaram dados coletados em um outro estudo que reuniu informações de 5.124 adultos entre 21 e 70 anos na cidade de Framinggham, no Estado americano de Massachusetts, entre 1971 e 2003.

Originalmente iniciado para pesquisar riscos de problemas no coração, este estudo também coletou dados sobre a saúde mental dos entrevistados.

Em diversos momentos, os entrevistados foram convidados a responder se concordavam ou discordavam de quatro afirmações: “Me sinto esperançoso em relação ao futuro”; “Eu fui feliz”; “Eu aproveitei a vida” e “Eu me senti tão bem como as outras pessoas”.

Para chegar ao conceito de “felicidade” usado em sua pesquisa, Christakis e Fowler levaram em conta a resposta afirmativa às quatro sentenças.

Segundo o professor Andrew Steptoe, especialista em psicologia da University College of London, "faz sentido intuitivamente que a felicidade das pessoas à nossa volta tenham impacto em nossa própria felicidade".

"O que é um pouco mais surpreendente é que essa felicidade parta não apenas daqueles muito próximos a você, mas também de pessoas um pouco mais distantes."

Segundo ele, a pesquisa também pode ter implicações em políticas de saúde pública.
"A felicidade parece estar associada a efeitos protetores à saúde."

"Se a felicidade realmente for transmitida por conexões sociais, ela poderia, indiretamente, contribuir para a transmissão social de saúde", disse ele.

Fonte: BBC Brasil

sábado, 6 de dezembro de 2008

Itens de auxílio

Respeite os problemas alheios sem interferir neles, a menos que a sua cooperação seja solicitada.

Não pronuncie palavras que ofendam e depreciem.

Quanto possível, dê sempre alguma frase de consolo e esperança a quem sofre.

Não se faça estação de pessimismo ou desânimo.

Esqueça o mal que receba e nunca faça a cobrança do bem que tenha podido distribuir.

Não impulsione para frente qualquer questão desagradável.

O trabalho no desempenho do seu dever é o capital que lhe valoriza as orações.

Lembre-se da parcela de socorro que sempre devemos aos companheiros mais necessitados que nós mesmos.

Quando possível faça algo ou algo aprenda de útil para que o seu dia de hoje seja melhor que o dia de ontem.

Nunca se esqueça de que todas as vantagens ou benefícios que desfrutamos da vida são empréstimos de Deus.

ANDRÉ LUIZ
(Do livro "Momentos de Ouro" - Francisco Cândido Xavier)

Solidariedade

Não exijas, inconseqüentemente, que os outros te dêem isso ou aquilo, como se o amor fosse artigo de obrigação...

Muitos falam de justiça social nas organizações terrestres, centralizando interesse e visão exclusivamente em si próprios, qual se os outros não fossem gente viva, com aspirações e lutas, alegrias e dores iguais às nossas.

Como entender aqueles que nos compartilham a estrada, sem largarmos a carapaça das vantagens pessoais, a fim de penetrar-lhes o coração?

Efetivamente, não possuímos fortuna capaz de suprimir-lhes todos os problemas de ordem material e nem as leis do Universo conferem a alguém o poder de atravessar por nós o dédalo das provas de que somos carecedores; entretanto, podemos empregar verbo e atitude, olhos e ouvidos, pés e mãos, de maneira constante, na obra do entendimento.

Inicia-te no apostolado da confraternização, meditando nas dificuldades aparentemente insignificantes de cada um, se nutres o desejo de auxiliar.

Não reclames contra o verdureiro, que não te reservou o melhor quinhão, atarantado, qual se encontra, no serviço, desde os primeiros minutos do amanhecer; endereça um pensamento de simpatia para a lavadeira, cujos olhos cansados não te viram a nódoa na roupa; considera o funcionário que te serve, apressado ou inseguro, por alguém de idéia presa a tribulações no recinto doméstico; aceita o amigo que te não pode atender numa solicitação como sendo criatura algemada a compromissos que desconheces; escuta os companheiros de ânimo triste, como quem se sabe também suscetível de adoecer e desanimar-se; interpreta o colega irritado por enfermo a rogar-te os medicamentos da tolerância; cala o apontamento desairoso, em torno daqueles que ainda não se especializaram em conversar com o primor da gramática; não te ofendas com o gesto infeliz do obsidiado, que transita na rua, sob a feição de pessoa equilibrada e sadia...

Todos sonhamos com o império da fraternidade, todos ansiamos por ver funcionando, vitoriosa, a solidariedade entre todos os seres, na exaltação dos mais nobres princípios da Humanidade... Quase todos, porém, aguardamos palácios e milhões, títulos e honrarias, para contribuir, de algum modo, na grande realização, plenamente esquecidos de que um rio se compõe de fontes pequenas e que nenhum de nós, no que se refere a fazer o melhor, em louvor do bem, deve esperar o amanhã para começar.

EMMANUEL
(Do livro "Estude e Viva", Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Cérebro de crianças pobres tende a ter desempenho pior, diz estudo

Cérebro parece ter sofrido danos semelhantes aos causados por derrames

O cérebro de crianças pobres tende a ter um desempenho pior do que o de crianças ricas e parece ter sofrido danos, segundo estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley que será publicado na revista especializada "Journal of Cognitive Neuroscience".

O estudo analisou eletroencefalogramas de 26 crianças entre nove e dez anos de idade, metade delas de famílias de baixa renda e a outra metade de famílias de renda alta, e concluiu que o córtex pré-frontal - a parte do cérebro que é crítica para a solução de problemas e criatividade - de crianças pobres apresenta menor atividade do que o de crianças ricas, diante dos mesmos estímulos.

"As crianças de nível socioeconômico mais baixo mostram padrões de fisiologia cerebral semelhantes aos de alguém que sofreu danos no lóbulo frontal já quando adulto", diz Robert Knight, diretor do Instituto de Neurosciência Helen Wills, da universidade americana.

"Concluímos que as crianças têm maior propensão a ter uma baixa resposta se vierem de classes econômicas mais baixas, mas nem todo mundo que é pobre tem baixa resposta do lóbulo frontal", ressalta o pesquisador.

Estímulos
As atividades do córtex pré-frontal foram medidas quando as crianças estavam envolvidas em uma atividade simples, como assistir a uma sequência de triângulos projetadas em uma tela.

Elas receberam a instrução de apertar um botão todas as vezes que um triângulo distorcido aparecesse.

Os pesquisadores estavam interessados na primeira resposta do cérebro - no primeiro quinto de segundo - depois que uma imagem inesperada, como a do Mickey Mouse, por exemplo, aparecia na tela.

Uma diferença importante foi notada na resposta do córtex pré-frontal não apenas quando uma imagem inesperada surgia na tela, mas também quando as crianças simplesmente assistiam à sequência de triângulos, esperando que um distorcido aparecesse.

Segundo um dos autores, a resposta cerebral das crianças de baixa renda era semelhante a de alguém que teve parte do lóbulo frontal destruído por um derrame.


"Ao prestar atenção aos triângulos, o córtex pré-frontal ajuda a processar melhor o estímulo visual", diz o pesquisador Mark Kishiyama. "O córtex pré-frontal está ainda mais envolvido em detectar novidades, como fotografias inesperadas."

"Essas crianças não têm danos neurais, nenhuma exposição a drogas quando ainda estavam no útero, nenhum dano neurológico", acrescenta Kishiyama.

"Ainda assim, o córtex pré-frontal não está funcionando tão eficientemente como deveria. Essa diferença pode se manifestar na solução de problemas e no desempenho escolar."

Relação direta
Estudos anteriores já haviam mostrado uma possível relação entre as funções do lóbulo frontal e diferenças de comportamento em crianças de diferentes classes econômicas.

Mas, segundo Kishiyama, "esses estudos eram medidas indiretas das funções cerebrais e não podiam ser 'desligados' dos efeitos da inteligência, proficiência de linguagem e outros fatores que costumam estar associados com baixa renda."

"Nosso estudo é o primeiro a medir diretamente a atividade do cérebro quando ele não executa nenhuma tarefa complexa", diz o autor da pesquisa.

Os pesquisadores afirmam, no entanto, que a baixa atividade não é necessariamente uma sentença e pode ser revertida com exercícios. Eles sugerem que apenas conversar mais com as crianças já pode ter efeito positivo.

RecursosCo-autor do estudo, W. Thomas Boyce - professor emérito de saúde pública da Universidade da Califórnia em Berkeley - diz não estar surpreso com os resultados.

"Já sabemos que crianças que crescem em ambientes pobres em recursos têm mais problemas com tipos de controle de comportamento que seriam parcialmente regulados pelo córtex pré-frontal", afirma Boyce.

"Mas o fato de que vemos diferenças funcionais nas respostas do córtex pré-frontal em crianças de nível socioeconômico mais baixo é definitivo."

Para Knight, a descoberta é um chamado. "Não se trata apenas de as crianças serem pobres e mais propensas a ter problemas de saúde, mas elas podem não estar desenvolvendo seus cérebros plenamente por causa de ambientes estressantes e relativamente empobrecidos associados à baixa renda: menos livros, menos leitura, menos jogos e menos visitas a museus."

Portal G1

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

USP testa "chá do Santo Daime" contra depressão

Estudo foi feito com duas pacientes e será ampliado

O "chá do Santo Daime", originário da Amazônia e empregado em rituais religiosos, tornou-se a base de uma pesquisa inédita bem-sucedida da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto para tratar pacientes com depressão.

O projeto-piloto foi feito com duas mulheres com problemas crônicos de depressão, que tomaram uma dose do chá e relataram melhora imediata. A idéia agora é estender o estudo para 60 pacientes, com dosagens repetidas. Os pesquisadores querem descobrir se a ayahuasca -espécie de chá com efeito alucinógeno feito a partir de um cipó e um arbusto originários da Amazônia- pode substituir os antidepressivos.

Depois de a Universidade Federal de Santa Catarina fazer pesquisas com camundongos, a USP testou o chá nas duas mulheres na faixa dos 50 anos que têm sintomas como perda de apetite, desânimo e choro.

Elas tomaram 200 ml (um copo) da bebida e ficaram em observação por três dias. "No mesmo dia as pacientes já estava melhores, e no segundo dia diziam que não estavam mais depressivas, que as cores da vida tinham voltado", disse Jaime Eduardo Hallak, professor do Departamento de Neurociência e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP.

Após três dias, foi ministrado às pacientes antidepressivo comum, "porque ainda não há evidências do efeito permanente da ayahuasca". "Mas elas acharam a experiência positiva e disseram que gostariam de tomar mais." O médico agora aguarda nova autorização do Comitê de Ética do HC de Ribeirão para ministrar o chá a 60 pacientes em doses repetidas e em intervalos pequenos.

Na opinião de Hallak, é possível que o chá amazônico venha a se tornar uma arma contra a depressão. "Eu acredito que é possível formular um medicamento com o chá. Se não diretamente com a estrutura da molécula presente no Santo Daime, algo muito próximo."

A ayahuasca contém duas substâncias -harmina e dimetiltriptamina. A harmina é uma espécie de antidepressivo, mas o que causa o efeito imediato é a dimetiltriptanima, que gera o equivalente a um banho de serotonina no cérebro.O segredo do Santo Daime, diz Hallak, está na rapidez: o efeito é mais imediato, por exemplo, do que tomar um comprimido de antidepressivo.

Juliana Coissi

Folha de S.Paulo

sábado, 15 de novembro de 2008

Amamentação 'pode aumentar força' do pulmão de bebês

O simples esforço físico feito pelos bebês durante a amamentação pode deixá-los com pulmões mais fortes durante a infância, sugere um estudo realizado por pesquisadores americanos e britânicos.

O estudo, realizado com crianças de dez anos de idade, descobriu que aquelas que haviam sido amamentadas por pelo menos quatro meses tinham um funcionamento muito melhor do pulmão.
A pesquisa, publicada na revista acadêmica Thorax, sugere que diferenças na duração e na mecânica envolvidas na amamentação e no uso da mamadeira podem ser parcialmente responsáveis.

Estudos anteriores já provaram que a amamentação protege bebês de problemas respiratórios no início da vida, mas a relação com a força do pulmão durante a infância é menos clara.
Um total de 1.456 bebês da Ilha de Wight, na Inglaterra, foram acompanhados até completar dez anos de idade.

Um terço deles foi amamentado por pelo menos quatro meses e, em média, essas crianças podiam expirar mais ar de maneira mais rápida depois de inspirar profundamente.

Mamadeira
Isso foi verificado mesmo quando as mães tinham asma ou sofriam de outras alergias.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, da Universidade do Estado de Michigan e da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, as razões para esses benefícios não são óbvias.

Estudos anteriores sugerem que substâncias presentes no leite materno podem proteger contra a asma.

Mas os responsáveis pelo atual estudo dizem que as mudanças encontradas no volume do pulmão não são completamente características de uma resposta à asma, sugerindo que outros fatores podem estar em jogo.

Syed Arshad, da Universidade de Southampton, diz que a explicação pode estar no esforço físico necessário para extrair leite do peito.

Segundo o pesquisador, o esforço que os bebês precisavam fazer para mamar no peito era três vezes maior do que o usado com a mamadeira e as sessões de amamentação duravam mais.
"O que nós estamos fazendo é bem parecido com o tipo de exercício que sugerimos para reabilitação pulmonar em pacientes mais velhos", disse Arshad.
"Eu não conheço nenhum outro estudo sugerindo isso", completou.

Se isso for mesmo verdadeiro, mudanças no modelo das mamadeiras poderiam fazer com que elas ficassem mais parecidas com o seio, contribuindo, dessa forma, para que o efeito seja o mesmo.

A equipe entrou um contato com um fabricante de mamadeiras com propostas para criar uma que possa imitar o esforço necessário para amamentar.

Arshad disse que, atualmente, é possível testar o pulmão das crianças, o que significa que um teste para saber se um novo modelo de mamadeira funcionaria poderia ser concluído em um ano.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Abrata: 22% dos paulistanos têm sintomas de depressão

Insegurança profissional, problemas financeiros e de relacionamento podem acontecer em qualquer fase da vida. Entre os 18 e 29 anos, no entanto, parecem assumir um significado maior. É nessa época também que começam a aparecer os primeiros sintomas da depressão. Pesquisa realizada pelo Ibope com 793 pessoas, na cidade de São Paulo, sob encomenda da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), identificou um índice de 22% de paulistanos com sintomas da doença.

Entre a população de 18 a 29 anos ouvida pelos pesquisadores, 25% afirmaram ter apresentado ao menos dois sintomas de depressão - nas duas semanas anteriores à entrevista - como desanimo, tristeza e falta de interesse por atividades normalmente prazerosas. "Entre os 20 e 30 anos, costumam ocorrer os primeiros casos", diz o psiquiatra Rodrigo da Silva Dias, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

Fatores como pressão econômica, profissional e estresse, aliadas ao componente genético, podem deflagrar a doença. Não por acaso, a pesquisa identificou prevalência maior entre os mais pobres. Para 25% dos entrevistados das classes C e D, os sintomas do problema estavam presentes. Para as classes A e B, o índice não passou de 15%.

O Estado de S. Paulo.

domingo, 12 de outubro de 2008

Bactéria 'solitária' dá pista sobre vida fora da Terra, diz estudo

Cientistas americanos descobriram na África do Sul um minúsculo organismo que vive inteiramente isolado, sem oxigênio e na escuridão total das profundezas da Terra.

Acredita-se que a descoberta da bactéria, descrita na edição desta sexta-feira da revista científica Science, tenha revelado a criatura mais solitária do planeta e forneça pistas sobre como seria possível haver vida em outros planetas.

A bactéria foi batizada de candidatus desulforudis audaxviator, em referência a uma citação em latim contida no livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne. A referência encontrada pelo personagem-herói, um "viajante audaz" (audax viator), termina inspirando-o a empreender a jornada.

A d. audaxviator foi encontrada imersa em água em uma mina de ouro na África do Sul por uma equipe do Laboratório Nacional de Berkeley, da Califórnia (Estados Unidos).

Cientistas dizem que a bactéria é "completamente auto-suficiente" – é composta dos elementos que a circundam, incluindo carbono e nitrogênio, retira energia do hidrogênio e do sulfato e se reproduz dividindo a si mesma.

"Isso é algo que sempre especulamos. Mas encontrar isso aqui na Terra é a confirmação da idéia de que se pode, na verdade, condensar os elementos originais de todo um ecossistema em um único genoma", afirmou um dos pesquisadores, Dylan Chivian.

Primórdios
Os cientistas afirmam que a bactéria compõe 99,9% dos organismos que habitam a falha na qual foi encontrada – ou seja, vive completamente isolada de outras criaturas, em um ambiente quente, escuro e com oxigênio rarefeito.

Chivian diz que a descoberta pode dar pistas sobre como eventuais organismos vivos poderiam sobreviver em planetas que, diferente da Terra, não contêm grande oferta de oxigênio.

"Em seus primórdios, a Terra e outros planetas não possuíam muito oxigênio, e a vida evoluiu para encontrar maneiras de obter energia", afirmou Chivian.

"Se um dia descobrirmos a vida em outros planetas, pode muito bem ocorrer de (os organismos) viverem sem oxigênio, extraindo sua energia de elementos químicos como o sulfato."

Fonte: BBC Brasil

Ar da Terra é dividido por "equador químico"


Conhecida como "equador químico", a fronteira separa o ar poluído do hemisfério norte do ar menos poluído do hemisfério sul
Uma "barreira" climática mundial capaz de impedir que a poluição do ar viaje para o sul foi descoberta, de acordo com um novo estudo. Conhecida como "equador químico", a fronteira de 50 quilômetros de largura separa o ar poluído do Hemisfério Norte do ar menos poluído do Hemisfério Sul.
O monóxido de carbono, um gás tóxico gerado por incêndios em florestas e motores de combustão interna, cresce de 40 partes por bilhão ao sul da barreira para 160 partes por bilhão ao norte dela, os cientistas constataram. As partículas de aerossol, produzidas pela queima de combustíveis fósseis, também aumentam dramaticamente.

A constatação foi reportada em estudo publicado pelo Journal of Geophysical Research - Atmospheres.

Descoberta acidental
O equador químico era uma suposição científica já antiga. Mas os cientistas esperavam localizá-lo na Zona de Convergência Intertropical, uma faixa marcada por tempestades e nuvens que circulam o globo perto da linha real do Equador terrestre. Mas ela na verdade foi localizada em céus claros mil quilômetros ao norte da zona, demonstrando que a divisão química e meteorológica entre os hemisférios difere.

"Seria de esperar certa dose de isolamento químico, mas não a esse ponto, e mais próxima da zona", disse Peter May, cientista atmosférico do Centro Australiano de Pesquisa do Clima e Meteorologia, em Melbourne, Austrália. Ele auxiliou a pesquisa pelo lado logístico mas não esteve envolvido no estudo em si.

O grupo de climatologistas que localizou o equador químico não tinha esse objetivo em mente ao iniciar o trabalho. Na verdade, a equipe estava estudando de que maneira tempestades transportavam produtos químicos de Darwin, na costa norte da Austrália, quando o céu de repente ficou límpido, e um vento forte começou a soprar.

"Não era o clima certo para o nosso estudo, de modo que decidimos realizar um vôo de pesquisa rumo ao norte para descobrir o que estava acontecendo", explicou Jacqueline Hamilton, da Universidade de York, na Inglaterra, a diretora científica do estudo. "Foi então que descobrimos o equador químico", ela conta.

Enquanto o avião dos cientistas, equipado com detectores químicos, viajava rumo ao norte, seus sensores detectavam uma tremenda diferença em níveis de poluentes.

Não impermeávelMas nem todos os produtos nocivos são bloqueados, no entanto. "Os produtos químicos conseguem atravessar a barreira, por fim, caso se mantenham intactos no ar por mais que cerca de um ano", acautelou Hamilton. Embora o monóxido de carbono e diversos aerossóis sejam mantidos do outro lado da barreira, os químicos que persistem por mais tempo na atmosfera, como o dióxido de carbono, um dos gases causadores do efeito-estufa, conseguem atravessar.

"Essa constatação significa que, quando o equador químico foi observado, a poluição não estava chegando à camada mais alta da atmosfera, onde poderia alterar a química das nuvens e da camada de ozônio", disse May.

O fenômeno poderia facilitar o mapeamento de poluentes, para os pesquisadores, mas continuam a existir muitas outras incógnitas. "Estamos ainda bem no começo do estudo. Ainda temos de saber muito mais sobre como o clima e a química atmosférica interagem, antes que possamos avaliar as implicações reais dessa descoberta", ela disse.
Tradução: Paulo Migliacci
National Geographic

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Presidente do TSE defende voto facultativo no Brasil

Marco Antônio Soalheiro, repórter da Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, defendeu ontem (1º) em entrevista ao Programa 3 a 1, da TV Brasil, que o voto no país deixe de ser obrigatório futuramente, condicionado à maior consolidação da democracia e da justiça social. A entrevista completa será exibida a partir das 22h pela emissora.

“Eu entendo que temos um encontro marcado com esse tema no futuro e a legislação consagrará, como em outros países, a voluntariedade do voto. O eleitor comparecendo porque quer participar efetivamente do processo eleitoral e se engajando nas campanhas com mais conhecimento de causa e determinação pessoal”, disse Britto.

“Como rito de passagem, a obrigatoriedade do voto deve permanecer ainda por mais tempo. Até que a democracia se consolide e que a economia chegue mais para todos”, ressaltou.

Na entrevista, Ayres Britto também reiterou posicionamento favorável ao financiamento público de campanha, como solução mais viável para evitar que o poderio econômico prevaleça sobre as qualidades políticas de cada candidato.

“Um dos fatores de desequilíbrio na campanha é o abuso do poder econômico, que tende a prosperar enquanto não houver financiamento público”, assinalou.

Segundo o ministro, tanto o caixa um (doações recebidas e declaradas) quanto o caixa-dois (utilização de recursos não contabilizados) estimulam uma situação imprópria para o exercício dos mandatos públicos pelos candidatos.

“Quando não se tem financiamento público exclusivo, os candidatos resvalam para o caixa-dois. E o caixa-dois se tornou, à margem da lei, uma práxis. Significa um financiamento de campanha por quem não pode aparecer, que tende a financiar a campanha como um investimento, um capital empatado, que precisa de retorno, de ser remunerado”, argumentou Britto.

“Sou contra também o caixa um. O candidato já é eleito comprometido com os seus financiadores e, para fazer o capital retornar às fontes, vai negociar com concessões, permissões, dispensa de licitação, subfaturamento e até corrupção. Isso abate numa só cajadada os princípios da legalidade, da moralidade, da impessoalidade, da publicidade, porque tudo ocorre debaixo dos panos, e o princípio da eficiência administrativa”, concluiu o ministro.

O Programa 3×1 é apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azêdo. Participaram da entrevista com o presidente do TSE, como convidados, o cientista político Renato Lessa e o analista de pesquisas Antônio Lavareda.

Por Marco Antônio Soalheiro

Ioga melhora aprendizado da criança, diz especialista

Crianças agitadas e com dificuldades para se concentrar e relaxar podem ter melhoras significativas no comportamento praticando ioga.

Por se tratar de um exercício leve, que não força o corpo dos pequenos e ainda os ensina a respirar, a perceber os órgãos do corpo e a se conhecer melhor, a atividade é recomendada pelos médicos.

"Eles melhoram a coordenação motora e a postura corporal. Emocionalmente, ganham estabilidade e capacidade de concentração, e o aprendizado na escola fica mais produtivo", afirma a professora de ioga e psicopedagoga Lucia Sandri.

Na aula, a tática de Lucia para entreter os pimpolhos é propor atividades lúdicas. Para isso, ela conta histórias, fala de magia, faz suspense e imita os animais. "Comparamos os ássanas [posturas] com os bichos. Uma das posições de que eles mais gostam é a do leão", conta a professora. "As crianças se entregam, imitam as garras do animal e até colocam a língua para fora e gritam", diz ela.

Segundo o médico do esporte Renato Domani, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a ioga ainda tem a vantagem de proporcionar uma evolução que varia de acordo com quem pratica. "É a própria criança quem dita o ritmo. A atividade não força partes do corpo como outros esportes, e o risco de estafa é menor", diz.

No fim, vira uma brincadeira. De acordo com Lucia, ao contrário dos adultos, os pequenos não têm preconceitos e, uma vez entregues à aula, tendem a ficar muito mais receptivos às propostas do que os mais crescidinhos.

As aulas são iguais, independentemente da idade, mas o tempo de permanência em cada postura é menor para as crianças. "Se um adulto agüenta cinco minutos, a criança fica só um ou dois e quer trocar de posição a toda hora", diz ela.

Matheus Travassos, 10 anos, pratica ioga há dois e deixou de sentir as dores de crescimento. "Foi muito bom para ele, melhorou também a coordenação motora", afirma o pai, Clóvis Travassos. Cícero Fernando Teixeira, 9, colega de Matheus na escola de ioga, diz que fica a prática o deixa com o corpo mais leve.

Porém, como a atividade mexe muito com a concentração e com a meditação, pode ser difícil, no início, fazer a criança aderir. Uma solução, segundo Domani, é os pais procurarem as aulas para incentivar os filhos. "Quando os pais praticam, os pequenos acabam interessados em imitá-los", diz.

Cuidados
Apesar dos benefícios, alguns cuidados devem ser tomados, pois há risco de contusões. Para Domani, não é bom que a criança repita muitos exercícios que sobrecarreguem a mesma parte do corpo. "É preciso fazer posturas alternadas para não machucar", diz.

Veja os benefícios da ioga para crianças
- Desenvolve a coordenação motora
- Melhora a postura corporal
- Dá estabilidade emocional
- Melhora o equilíbrio e a força
- Permite um bom alongamento dos músculos
- Fortalece os músculos e o sistema imunológico
- Melhora a capacidade de concentração e, conseqüentemente, o aprendizado na escola

Fonte: Lucia Sandri, professora de ioga; e Renato Romani, médico do esporte da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

Folha Online

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Megaestudo vai investigar experiências de 'quase-morte'

Um estudo envolvendo 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos deverá examinar experiências de quase-morte em pacientes com ataque cardíaco.

Os especialistas vão examinar 1,5 mil casos de sobreviventes para verificar se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo.

Algumas pessoas dizem ter visto um túnel ou luz forte, outros dizem se lembrar de observar a atividade de médicos e enfermeiros, do "teto" do quarto do hospital.

O estudo, intitulado Aware (sigla inglesa para "consciência durante ressuscitação"), está previsto para durar três anos e será coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha.

Para testar a "visão de cima", os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência de hospitais.

Elas deverão conter fotografias que só podem ser vistas de cima.

Sam Parnia, chefe do estudo, disse: "Se você puder demonstrar que a consciência se mantém depois que o cérebro 'desliga', isso abre caminho para a possibilidade de que a consciência seja uma entidade separada."

Parnia e outros médicos vão analisar a atividade cerebral dos mais de mil sobreviventes de ataques cardíacos e verificar se eles podem se lembrar das imagens nas fotos das prateleiras.

"É pouco provável que nós encontremos muitos casos onde isto aconteça, mas nós temos que manter a mente aberta."

"E se ninguém vir as fotos, isso vai demonstrar que estas experiências são ilusões ou memórias falsas."

"Este é um mistério que agora nós podemos submeter a um estudo científico."

Parnia trabalha como médico em terapia intensiva e, baseada em sua experiência diária, sentiu que a ciência não explorou adequadamente a questão da "quase-morte".

Processo de morte

"Ao contrário da percepção geral, morte não é um momento específico."

"É um processo que começa quando o coração pára de bater, os pulmões param de trabalhar e o cérebro pára de funcionar - uma condição médica chamada de parada cardíaca."

"Durante uma parada cardíaca, todos os três critérios de morte estão presentes. Então se segue um período de tempo, que pode durar de poucos segundos a uma hora ou mais, em que esforços médicos de emergência podem conseguir fazer com que o coração volte a bater revertendo o processo de morte."

"O que as pessoas experimentam durante este período de parada cardíaca oferece uma oportunidade única para entender o que possivelmente todos nós experimentaremos durante o processo de morte."

Jane Dreaper
BBC News

sábado, 27 de setembro de 2008

"...e rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que convosco permaneça para sempre, o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque permanece convosco. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. Ainda um pouco e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. Nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim, e eu em vós". Jó 14, 16-20

Anatomia multidimensional humana: o corpo etérico

Por Eunice Ferrari

"Matéria é energia condensada e espírito é matéria volatilizada".
- Helena P Blavatsky -

Ainda para alguns, nosso corpo humano é similar a uma máquina, com inúmeros sistemas químicos, feito de ossos, músculos, nervos e carnes.

Quem assistiu ao filme "Quem somos nós", já citado por mim em outra matéria, pôde perceber que a física moderna começa a entender a matéria densa, apenas como uma ilusão dos nossos sentidos, comprovando aquilo que Helena Blavatsky já dizia há mais de cem anos atrás.

Você já parou para refletir o quanto nossos cérebros físicos estão programados e condicionados? Já tentou olhar alguma coisa material e tentou vê-la como algo imaterial?

O novo paradigma nos pede uma reavaliação de nossos valores, ou seja, nos pede que paremos para observar o mundo sob outra perspectiva. A nova perspectiva vê a matéria como uma substância composta de partículas, movimentando-se através de ondas, constituindo uma estrutura com diferentes e novas propriedades.

Toda essa nova teoria remete a ciência a novas pesquisas sobre nós humanos e nosso funcionamento. A física já comprova que nosso sistema físico está muito longe de ser um sistema fechado.

Na verdade nosso sistema físico coexiste com outros sistemas de matéria mais sutil, matéria caracterizada por freqüências diferentes das encontradas no corpo físico mais denso. Infelizmente, mas certamente por muito pouco tempo, nossos aparelhos ainda não conseguem medir esse tipo de vibração, esse tipo de freqüência energética.

Nosso corpo físico possui uma contraparte que chamamos de etérica, que funciona como um molde holográfico de energia interligado ao corpo humano. Na verdade, essa contraparte etérica é também considerada um corpo físico, porém menos denso do que este que conhecemos. Ele traz em si todas as informações relativas ao crescimento celular de nosso corpo físico.

É nesse molde que estão encerradas todas as possibilidades de crescimento e reparação de todo o organismo. Essa estrutura etérica trabalha unida ao corpo físico, a todos os mecanismos celulares pesquisados pela química e pela biologia molecular. Esses dois corpos estão tão intimamente ligados energeticamente, que um não pode viver sem o outro; eles têm uma relação de total dependência.

Toda doença física aparece anteriormente no corpo etérico, para somente depois aparecer no corpo físico. É uma pena que a nossa tecnologia ainda não possua ferramentas adequadas para a comprovação da existência de nossos corpos sutis, mas também o raio-x e as ondas de rádio e televisão levaram um tempo razoável para serem captadas e comprovadas.

O Homem em evolução

Por Eunice Ferrari

"Deus não joga dados com o Universo".
A.Einstein

Desde o final do séc XVII, vivemos sob o paradigma newtoniano-cartesiano, sob uma forma de "ver o mundo" construída através das teorias de Isaac Newton e Reneé Descartes. Essas teorias falam de um mundo mecânico, onde a natureza funciona como um relógio, onde o tempo é linear e o espaço tridimensional. Nosso cérebro se acostumou a ver o mundo dessa forma, seja por imposição autoritária do poder, seja por ainda estarmos engatinhando no processo de evolução.

Não conseguimos enxergar o mundo de outra maneira, uma maneira mais ampla, mais holográfica. Toda sociedade ocidental foi construída sob esse paradigma, que compartimentou o mundo e o Homem em uma série de fragmentos. A própria física, a medicina, a religião e todas as áreas que formam a nossa história foi dividida em partes. Todo pragmatismo, o progresso material desmedido, a fuga e o desvinculamento dos valores humanos mais elevados, como a solidariedade e o cooperativismo, o consumismo exagerado, a arrogância do poder e o conseqüente desequilíbrio ecológico e psicológico do mundo moderno, são resultado de uma visão de mundo, onde o Homem é tratado como "algo" que funciona tal qual uma máquina, fragmentado e separado de Deus.

No início do séc XIX, no auge do paradigma mecanicista, os físicos acreditavam cegamente que o Universo era um enorme sistema mecânico, com leis definidas sobre a natureza e os fenômenos naturais. Hoje nos sentimos vítimas participantes desse paradigma, perdidos em um mundo de confusões, correndo como loucos de um lado para outro, na maioria das vezes sem nenhum contato com nossa experiência humana mais profunda, como o amor que podemos sentir pelos nossos irmãos nessa grande família terrena. Nossos corpos são sentidos de maneira mecânica, e até nosso afeto é expresso mecanicamente. Estabelecemos regras para a organização de nossas vidas "perfeitamente estruturadas".

No início do séc XX, Albert Einstein nos presenteou com sua Teoria Especial da Relatividade, e destruiu quase por completo o paradigma antigo, nos dando a oportunidade de pensar uma nova realidade, num continuum espaço-tempo. De acordo com Einstein, o espaço não é tridimensional e o tempo não é linear. Ambos, tempo e espaço, estão intimamente ligados em um mundo tetradimensional. Não existe um tempo que siga um caminho linear como mostram nossos relógios newtonianos. Este é relativo e não absoluto. Mas, contudo, estamos apenas começando a viver sob o novo paradigma.

Por exemplo: Se tivermos um sonho ou uma forte intuição envolvendo alguém que amamos em algum acontecimento ruim, a primeira coisa que fazemos é entrar em contato com essa pessoa para vermos se está tudo bem. Essa é uma interpretação newtoniana. Segundo a visão einsteniana, como o tempo não é linear, esse fato pode tanto fazer parte do presente, do passado como do futuro; ou mesmo somente ser uma probabilidade. Se nos propusermos a desenvolver nossa visão do Universo, perceberemos que nossas experiências mais sensíveis estão totalmente fora dos conceitos newtonianos.

Dessa forma, a visão de que a natureza pode ser mecanicamente explicada, lentamente vai sendo abandonada. Os físicos modernos descobrem a cada dia que a matéria passa por constantes mutações, onde todas as partículas podem se transformar em outras partículas, ou simplesmente dissipar-se. Em 1920, Max Planck descobriu que a energia é emitida em forma de "pacotes" chamados "quanta", e assim começa a se delinear a física quântica.

No nível interno, podemos procurar entender o mundo de maneira um pouco menos dualista, onde os opostos já não assumem a forma de inimigos, mas de energias complementares de uma mesma realidade. Segundo os físicos modernos, aqueles que buscam a prova da existência de Deus, existe uma "ordem implícita" que está em estado invisível, de onde se "projeta" a realidade visível. Portanto, o mundo já não poderia mais ser dividido em partes separadas. Esse é o conceito de holograma na física. Essa teoria sustenta que cada parte representa exatamente o todo.

Os místicos "sabem" de tudo isso há mais de 5000 anos. Eles não falam em campos de energia, mas de prana, energia sutil, energia Ch'i, luz astral. Rosacruzes, ocultistas, teosofistas, cabalistas, povos nativos, budistas, indianos, chineses, egípcios. Rudolph Steiner, Helena Blavatsky, Krishnamurti, Maomé, Moisés, Jesus, Sócrates, Platão, e tantos outros sabedores da existência de um homem-cósmico, elos de uma mesma corrente, alimentados por uma única Energia.

Saiba o que é Teosofia

Por Eunice Ferrari

Muitos ouvem falar, mas na verdade poucos sabem o que de fato é a Teosofia. Todos, sem exceção, trazemos dentro de nós a necessidade de saber de onde viemos, e para onde vamos. É certo que esse interesse pode demorar muitas vidas para ser despertado, mas ele existe em forma de semente dentro de todos nós.

Mas o que é a Teosofia? E o que ela tem a ver com o fato de sermos buscadores da verdade? É a Teosofia uma religião ou uma filosofia? Nem religião nem filosofia. Ela é a união de alguns princípios que podem ser encontrados na tradição de várias filosofias e religiões, como o Cristianismo, o Budismo, o Hinduismo, o Lamaismo, o Judaísmo, o Taoísmo, no Egito antigo, nos Vedas, na Bíblia.

A Teosofia é tão antiga quanto o conhecimento da escrita e dos anseios humanos e vincula através dos tempos as várias tradições. E exatamente por vincular todas as religiões e filosofias, ela une e não separa, ela aceita e não discrimina todo credo e toda cor. Todos podemos ser teosofistas, católicos, protestantes, evangélicos, cristãos, judeus, muçulmanos, todos nós, sem exceção. A teosofia é o resultado de uma maravilhosa união de sábios de todas as crenças e de todos os tempos.

Alexandria, que se situava ao norte do Egito, foi um dos primeiros berços da Teosofia, com centros espalhados pela Grécia, Pérsia, Índia e Roma. Nesses centros já eram estudados e pesquisados o homem e o Universo, junto com suas leis e sua origem, a vida espiritual e nossa constituição interior.

A palavra Teosofia vem do grego Theosophia e significa "Sabedoria Divina". A Senhora Blavatsky, fundadora da Teosofia no Ocidente, chamava a Teosofia de "religião sabedoria", resultado das investigações, visões e profundos mergulhos de sábios e mestres na consciência do ser.

O ponto fundamental e um dos mais importantes dentro da teosofia é a questão do carma, que em sânscrito significa ação e que nos mostra que somos os únicos responsáveis pela construção e resultados de nossas vidas. Através dessa lei, nossa harmonia interna, bem como a harmonia do Universo é recuperada. Mabel Collins, teosofista, disse: "Cada homem é seu próprio e absoluto legislador, o dispensador de glória ou escuridão para si mesmo; o decretador de sua vida, sua recompensa, sua punição".

Todo ser humano que se diz teosofista deve carregar em si o princípio da responsabilidade diante do mundo e da vida, pois cada ação produz uma reação que determina o futuro de nossas vidas. Toda ação produz um resultado futuro, seja essa ação no nível físico, mental, emocional ou espiritual. Todo teosofista sabe que seu trabalho deve ser prático e não somente teórico, pois ele deve colocar em prática todo conceito em sua vida diária. Se não for assim, não deve se considerar um teosofista, mas um simpatizante, um estudioso somente. Sua conduta deve ser refletida e ponderada no sentido do aperfeiçoamento diário de seu caráter e senso ético.

Portanto, a teosofia é uma sabedoria que, quando colocada em prática, promove mudanças profundas, expansão de consciência e evolução de nossa alma. O verdadeiro teosofista é, antes de tudo, um pensador atuante no mundo.

Afinal, como funciona o karma?

Por Eunice Ferrari

Muitas pessoas não percebem que tudo o que fazemos foi, antes de qualquer ação, um desejo que gerou um pensamento e que, por sua vez, gerou uma ação física. Vivemos em um mundo tríplice, onde pensamentos, desejos e ação se misturam.

Estando conscientes ou não, somos um emaranhado de causas e efeitos que construímos diariamente. Há em nós, duas forças que lutam entre si e buscam supremacia. Uma, oriunda de nosso corpo de desejos, é a nossa animalidade e paixão e a outra, a que desperta em nós pensamentos e sentimentos de amor e de renúncia, é a nossa espiritualidade.

É o poder da vontade que vai trabalhar ou não em direção do nosso crescimento. Se quisermos desenvolver a paz e a capacidade espiritual, devemos nos utilizar da qualidade coercitiva de nossa vontade sobre os impulsos desordenados de nosso corpo astral, ou corpo de desejos. Caso contrário, seremos sugados pelos próprios instintos.

Quando deixamos nossa vontade dominar lentamente nossas vibrações inferiores, deixamos nossa animalidade de lado e iniciamos uma jornada espiritual. Afinal, o que provoca o karma, a causa da sucessão de reencarnações, a não ser o descontrole desse corpo de desejos? E o que podemos fazer para dirimi-lo a não ser nos utilizarmos de nossa vontade para submeter nosso corpo de desejos?

Somente quando conseguirmos dominar nossos sentidos sem o esforço do domínio é que podemos dizer que estamos transformando o karma. Nesse momento nos encontramos com a paz libertadora do controle saudável de nosso corpo de desejos.

Devemos nos aperceber que não é no mundo mundano que encontramos a paz libertadora, mas dentro de nós e para isso é preciso levar a sério o aforismo "conhece-te a ti mesmo"". Sem o autoconhecimento, não conseguiremos seguir o verdadeiro caminho espiritual.

Cristo pedia para encontrarmos o reino de Deus dentro de nós, e era exatamente isso que Ele queria nos dizer. Sem esse encontro, não conseguiremos encontrar a paz que tanto queremos. A lei do karma envolve sofrimento, e sem ele não conseguimos esse controle. A lei do karma nos diz que toda ação resulta numa reação igual e contrária. O karma é a lei que nos coloca onde devemos estar para caminharmos em direção à evolução, através de nossas escolhas, de nosso livre arbítrio. O karma não obriga ninguém a qualquer ação ou reação, mas que nos utilizemos de nossa vontade.

Criamos karma quando colocamos em ação as forças astrais. Temos controle sobre os sentimentos e palavras que guardamos, mas não sobre o que deixamos escapar. Quando compreendemos o karma, podemos manter o destino em nossas mãos. Devemos nos munir de força e energia para combatermos as forças que colocamos em andamento no passado e desenvolver consciência e arbítrio para transformar nossos padrões atuais. Essa é a única maneira que temos para construir um futuro de paz, saúde e harmonia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Dr Fritz: o marketing é deste mundo

Saiu na imprensa que o senhor Kleber Aran Ferreira diz incorporar o espírito do médico Dr. Fritz. As fotos e as cenas descritas são de circo, com os indivíduos sendo atendidos na frente de todos. Bisturis usados sem anestesia; pessoas agulhadas sem saberem o porquê; sem contar a higiene duvisosa do ambiente e dos equipamentos. Um grande teatro! Oh! Escribas e fariseus, hipócritas!

A praça pública não foi feita para a caridade. O marketing funciona aqui, não lá. Aqui temos uma cópia do mundo perfeito, como ensinou o mestre Sócrates.

"Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita" Esse é o ensinamento. O orgulho viola a caridade. Um gesto verdadeiro de caridade é dado de forma reservada. Os bons fluidos - a boa energia - precisam de lugares calmos para serem transmitidos.

A doença se produz no corpo energético, portanto é nele que a cura se deve operar, através do magnetismo. Instrumentos médicos não possuem esse poder. Jesus utilizava as mãos, a água, a sua vontade e a fé do curado. Foi o maior curador da História sem pegar em instrumentos. Ele combateu os fariseus que oravam em praça pública. Certa vez pegou o chicote, para nos mostrar a diferença entre a coragem e a omissão, pois os bons, muitas vezes, deixam o caminho livre para os maus. Sempre discreto, ensinava: "a tua fé te curou".

Indago o porquê de sempre haver a citação do nome do Dr. Fritz. Será que só esse espírito conhece a medicina espiritual?

Os Espíritos Superiores fazem esse trabalho diariamente, de forma impessoal. Não faz diferença os nomes. Por isso, explorar um nome já demonstra a insegurança e fragilidade do suposto médium. O verdadeiro trabalho de cura é feito de forma discreta, sem enganos, sem teatros e sem hipocrisia. Não posso acreditar que alguém imagine que Espíritos evoluídos se prestariam a espetáculos dessa categoria. O culto à personalidade, o orgulho, a vaidade, o egoísmo são típicas demonstrações de inferioridade. O marketing é deste mundo; faz parte da nossa mediocridade.

Marcelo Brito Sener

domingo, 7 de setembro de 2008

Livros bíblicos podem ter autoria 'falsa', afirmam especialistas


Escritores usavam nome de antigos profetas e apóstolos para se legitimar. Prática também era forma de continuar e atualizar obra de predecessores.


Reinaldo José Lopes

Do G1, em São Paulo


Trito-Isaías? Deutero-Zacarias? Epístolas Pastorais? A nomenclatura é complicada, mas se refere a um fato simples e, para as sensibilidades modernas, um tanto embaraçoso: é praticamente certo que os autores presumidos de uma série de livros bíblicos não sejam bem quem eles dizem ser. A chamada pseudoepigrafia, ou seja, o uso de uma identidade mais famosa e antiga para embasar a autoria de um novo texto, é um fenômeno relativamente comum no Antigo e no Novo Testamento.


Basta dizer que o livro do profeta Isaías provavelmente foi escrito por três (ou mais) autores (o Isaías histórico, o Deutero-Isaías e o Trito-Isaías); que cerca de metade das cartas de São Paulo tenham sua origem colocada sob suspeita por estudiosos atuais; e que nenhuma das chamadas cartas de São Pedro, também no Novo Testamento, possa ser atribuída a ele com segurança.


As razões que levaram ao fenômeno da pseudoepigrafia são complexas, e nem sempre justificariam um processo de direitos autorais movido pelos personagens bíblicos originais contra seus “plagiadores”. “A visão de autoria na Antigüidade era muito diferente da nossa”, explica o professor Gelci André Colli, da Faculdade Teológica Batista do Paraná, doutorando em teologia bíblica. Colli estudou um desses casos famosos, o livro de Isaías. “Na verdade, dar continuidade à obra de um profeta muitas vezes ficava nas mãos de seus discípulos e seguidores, que compilavam seus oráculos. Fazer isso era uma forma de honrar o mestre”, diz ele.


Seja entre os antigos israelitas, seja entre os primeiros cristãos, outro fenômeno comum era a necessidade de adequar a mensagem profética ou evangélica original a uma nova realidade e a novos problemas, que o autor original não havia enfrentado em vida. Escrever em nome dele fechava essa brecha entre o passado e o presente e, de quebra, emprestava ao novo escritor a autoridade do mestre falecido, garantindo que as comunidades a quem a mensagem era endereçada prestassem atenção. No caso de alguns livros judaicos que acabaram não entrando no cânon (lista oficial) da Bíblia, surgiu todo um gênero literário nesses moldes, o dos chamados “Testamentos dos Antigos”.


Três Isaías, dois Zacarias?


No caso do livro de Isaías, famoso entre os cristãos por causa das profecias diretamente associadas a Jesus, rabinos medievais já reconheciam ao menos uma grande divisão de estilo e temática entre o capítulo 39 e o 40 da obra como a conhecemos hoje.


“Entre os pergaminhos encontrados nas cavernas de Qumran, perto do mar Morto, temos um manuscrito muito longo e muito famoso de Isaías. E nele há uma lacuna depois do capítulo 39, e uma nova coluna começa no capítulo 40, o que parece sinalizar algum tipo de reconhecimento implícito de que há uma diferença entre essas duas seções”, afirma Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale, nos Estados Unidos. E não é para menos, já que o Isaías histórico viveu por volta do ano 700 a.C., quando descendentes do rei Davi ainda viviam em Jerusalém e governavam Judá, no sul da Palestina – enquanto o autor do capítulo 40, e de vários subseqüentes, fala de uma época em que Jerusalém estava destruída e boa parte de seus moradores vivia exilado na Babilônia, por volta do ano 550 a.C.


Até aí, o profeta não teria sido capaz de prever o que aconteceria 150 anos depois, com inspiração divina? Não é essa a questão, argumenta Colli. “As pessoas têm um entendimento errado sobre o que é o profeta bíblico. Ele não é o sujeito que fecha os olhos e de repente vê, em detalhes, o que vai acontecer dali a centenas de anos. O profeta é aquele que vê o futuro, mas sempre a partir do presente. Ele olha o presente, analisa e indica o que a vontade divina revela”, diz o pesquisador.


Além dos dados de Qumran e do contexto histórico, características literárias também levam os pesquisadores a atribuir a autoria do capítulo 40 e seguintes a um profeta/poeta anônimo convencionalmente conhecido como Deutero-Isaías, ou Segundo Isaías (da palavra grega para “segundo”). “O estilo do Primeiro Isaías é muito mais direto, enquanto a qualidade e a beleza poética das descrições do Deutero-Isaías não têm rival em todo o Antigo Testamento anterior a ele”, exemplifica Colli.


"Também há uma diferença grande entre a prosa da primeira parte do livro e a poesia no capítulo 40. Finalmente, há uma diferença grande entre as mensagens de advertência e julgamento anteriores e as falas do Deutero-Isaías, que só predizem coisas boas para os exilados de Judá”, afirma o especialista. Para Colli, o anônimo Deutero-Isaías provavelmente fazia parte de um círculo de admiradores do Isaías original, os quais compilaram e ampliaram seus oráculos proféticos durante o exílio na Babilônia.


Como se a coisa não fosse suficientemente complicada, muitos estudiosos também enxergam uma mudança igualmente significativa a partir do capítulo 56 e até o fim do livro: esse seria o Trito-Isaías, um profeta que escreve depois da volta dos exilados para a Palestina e tem preocupações bem diferentes. Um fenômeno parecido estaria presente no livro do profeta Zacarias, que misturaria oráculos que vão do século 6 a.C. ao século 4 a.C.


Dois Pedros, vários Paulos?


A situação é ainda mais curiosa no caso das cartas atribuídas aos apóstolos Pedro e Paulo no Novo Testamento, afirma Bart D. Ehrman, pesquisador do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA) e autor do livro “Pedro, Paulo e Maria Madalena”, recém-lançado no Brasil.


O fato é que, fora do cânon da Bíblia, há inúmeros textos atribuídos a Pedro e Paulo (dois Apocalipses, um de cada apóstolo, e até um Evangelho de Pedro) que foram rejeitados como inautênticos pelas comunidades cristãs. No caso da Primeira Carta de Pedro, aceita como canônica, Ehrman afirma que, primeiro, é estranho que ela seja endereçada a comunidades da Ásia Menor (atual Turquia), fundadas e coordenadas originalmente por Paulo, e não por Pedro. Também surpreende o grego elegante e refinado do autor, enquanto o Pedro histórico era um pescador iletrado da Galiléia, que provavelmente só falava aramaico.


“Naturalmente, seria possível que, após a ressurreição de Jesus, Pedro tivesse voltado à escola, aprendido grego, praticado como escrever excelentes textos nessa língua, estudado a fundo a Bíblia em grego e, ainda por cima, escrito uma carta como essa para um grupo de pessoas sobre as quais não há outras notícias de contatos de sua parte. Mas parece improvável”, escreve Ehrman.


Mais fortes ainda são as evidências contra a Segunda Carta de Pedro, que não é mencionada por nenhum outro autor cristão até o século 3 d.C., lida com as dificuldades da demora do retorno de Jesus à Terra (um problema que só teria se tornado agudo para os cristãos da segunda e terceira gerações), fala das cartas de São Paulo como se elas já fossem um texto sagrado (mas todas não estariam circulando ao mesmo tempo, as dele e as de Pedro?) e menciona “os vossos apóstolos”, como se o autor da carta não fosse ele próprio um apóstolo, supostamente.


E, falando das epístolas de Paulo, elas sofrem de um problema parecido, diz Ehrman. Sete das 13 incluídas no Novo Testamento são incontestavelmente dele: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filêmon. O resto, explica o pesquisador, fica sob suspeita por não seguir o estilo literário das cartas incontestáveis, apresentar contradições flagrantes com a teologia paulina nessas cartas e se referir a um contexto histórico que só surgiu depois que Paulo já havia morrido.


O caso mais flagrante é o das chamadas Epístolas Pastorais, supostamente endereçadas pelo apóstolo a seus companheiros Tito e Timóteo, que teriam virado chefes das igrejas de Éfeso, na Ásia Menor, e da ilha de Creta. Para começar, o autor das Epístolas Pastorais pressupõe que seus destinatários trabalham em igrejas bem-organizadas, servidas por diáconos, ministradas por presbíteros (“ancestrais” dos modernos padres) e chefiadas por bispos. Acontece que, na época do Paulo histórico, tudo indica que essa organização ainda não havia emergido.


Coisa parecida se dá em relação ao papel das mulheres nessas igrejas. Ao que tudo indica, o Paulo original não via problemas com a participação direta das mulheres nas celebrações cristãs, profetizando e tomando a palavra para pregar. Já seus sucessores das Epístolas Pastorais proíbem terminantemente as cristãs de ocupar qualquer cargo de relevo na comunidade.



Reciprocidade

Ação e reação conseqüente integra inderrogável lei da vida.

Procure ouvir a esperança e você encontrará a certeza da vitória.

Detenha-se no bem e obterá o "lado melhor" das pessoas e circunstâncias.

Auxilie a alguém e esse alguém se fará canal de auxílio em seu apoio.

Promova a tranqüilidade alheia e a paz virá ao seu encontro.

Aproveite o seu tempo construindo elevações e o tempo lhe trará maravilhas.

Abençoe a vida e a vida lhe abençoará a existência.

Busque servir e o seu próprio trabalho lhe ofertará a orientação de que você necessite.

Ame aos semelhantes e os semelhantes retribuirão a você com medidas transbordantes de afeto.

Plante isso ou aquilo e você colherá os recursos que semeou; alguém poderá dizer que isso é óbvio, entretanto, ligados ao bem de todos, transfiramo-nos da palavra à vivência e decerto que surpresas iluminadas de alegria virão fatalmente a você se você experimentar.

André Luiz
Psicografia de Chico Xavier, do livro "Respostas da Vida"

Quanto mais

Abençoai sempre as vossas dificuldades e não as lastimeis, considerando que Deus nos concede sempre o melhor e o melhor tendes obtido constantemente com a possibilidade de serdes mais úteis.

Quando mais auxiliardes aos outros, mais amplo auxílio recebereis da Vida Mais Alta.

Quanto mais tolerardes os contratempos do mundo, mais amparado sereis nas emergências da vida, em que permaneceis buscando paz e progresso, elevação e luz.

Quanto mais liberdade concederdes aos vossos entes amados, permitindo que eles vivam a existência que escolheram, mais livres estareis para obedecer a Jesus, construindo a vossa própria felicidade.

Quanto mais compreenderdes os que vos partilham os caminhos humanos, mais respeitados vos ecntrontrareis de vez que, quanto mais doardes do que sois em benefício alheio, mais ampla cobertura de amparo do Senhor assegurará a tranqüilidade em vossos passos.

Continuemos buscando Jesus em todos os irmãos da Terra, mas especialmente naqueles que sofrem problemas e dificuldades maiores que os nossos obstáculos, socorrendo e servindo e sempre mais felizes nos encontraremos sob as bênçãos dele, nosso Mestre e Senhor.

Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier, do livro "Caridade"

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Bebê de mãe deprimida tem sono mais irregular, diz estudo

Um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos indica que bebês de mães que apresentaram depressão têm maior possibilidade de terem distúrbios no sono.

A pesquisa da Universidade de Michigan analisou dois grupos de gestantes: um de mulheres que buscaram ajuda para tratar a depressão durante a gravidez e outro de grávidas que não tinham antecedentes da doença.

No último trimestre da gestação, cada uma das mães passou a usar um aparelho parecido com um relógio de pulso que podia medir o tempo de sono durante a noite, exposição à luz e padrões de atividade e descanso durante o dia. O mesmo dispositivo também foi colocado nos pulsos dos bebês pesquisados na segunda semana de vida.

A análise dos dados mostrou que os bebês nascidos de mães que tiveram depressão apresentavam pouca ou nenhuma evidência de padrões regulares de sono e vigília desde o nascimento, ao contrário dos filhos de mães que não eram deprimidas. Este padrão irregular persistiu pelo menos até os oito meses de vida, quando o estudo terminou.

Depressão no bebê

Toda mãe sabe que os primeiros seis meses de vida do bebê costumam ser de noites mal-dormidas, tanto para a criança quanto para os pais.

Apesar de isto ser uma característica comum à maioria dos recém-nascidos, o que a nova pesquisa aponta é que alguns bebês já nascem predispostos a apresentarem distúrbios maiores de sono.

O estudo diz que crianças nascidas de mães que tiveram depressão costumam cochilar mais durante o dia e ter mais dificuldades para dormir de noite.
Roseanne Armitage, uma das autoras da pesquisa, explica que estes padrões irregulares de sono aumentam muito os riscos de que o bebê também desenvolva depressão no futuro, apesar de eles não serem determinantes.

“Isto não quer dizer que filhos de mães deprimidas estejam condenados a sofrer com depressão ou que mães que não apresentaram o problema possam prestar menos atenção ao sono de seus filhos”, explica.

Armitage acredita que todos os pais, especialmente aqueles que têm histórico de depressão, devem prestar atenção à qualidade do sono de seus filhos desde o nascimento.
“Criar um cronograma regular de sono é incrivelmente importante”, diz a pesquisadora.

Treinamento

Segundo a pesquisadora, os cérebros e corpos das crianças devem ser treinados a entender que elas devem dormir quando está escuro e acordar quando está claro, o que ajuda a ajustar o relógio biológico dos bebês desde o início da vida.

“Ir para a cama na mesma hora e acordar sempre no mesmo horário estabelece rituais e ajuda as crianças a distinguirem entre o sono noturno e o sono diurno”, explica a pesquisadora.

A regularidade no sono também é importante para as mães. O período imediatamente posterior ao parto é especialmente propício a depressões, mesmo em mães que nunca haviam apresentado o problema.

Esta depressão pós-parto pode piorar com a falta de sono ou até mesmo ser causada por ela.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Jovem brasileiro é o que tem mais esperança de felicidade no mundo

O jovem brasileiro acredita em uma vida melhor, segundo constatou estudo divulgado nesta terça-feira pela da Fundação Getulio Vargas (FGV). Realizado em 132 países pelo Instituto Gallup, o estudo mostra que o brasileiro entre 15 e 29 anos tem mais esperança de felicidade para os próximos cinco anos (felicidade futura) do que qualquer outro jovem no mundo.

Numa escala de zero a dez, os brasileiros atingiram nota 9,29, ficando à frente dos Estados Unidos (9,11), e Venezuela (8,27). Segundo a pesquisa, o tamanho da felicidade do jovem brasileiro está ligado a fatores econômicos, como o aumento do emprego e da renda.

Na última colocação de expectativa de felicidade para os próximos cinco anos está o Zimbábue. Os jovens do país africano, que vivem uma crise econômica e política, ficaram com nota 4,68.

No período analisado pela pesquisa (1992 a 2006), o economista-chefe do Centro de Políticas Sociais do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, Marcelo Nery, argumenta que há duas realidades distintas. Até 2003, a renda ficou estagnada, aumentando 22,9% nos três anos seguintes. Nery lembra que, além disso, o país passou de uma fase de desemprego para uma de "apagão de mão-de-obra" - ou seja, superou a falta de vagas e passou a registrar escassez de profissionais.

Nos anos posteriores a 2006, Nery diz que o otimismo dos jovens foi confirmado. Em 2007, foram gerados 1,6 milhão de empregos com carteira assinada no Brasil, de acordo com dados do Ministério do Trabalho.

Segundo a pesquisa da FGV, 93% dessas vagas foram para jovens de até 29 anos. Considerado o primeiro semestre de 2008, a alta do emprego formal foi de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Agência Brasil
G-1

sábado, 30 de agosto de 2008

Bebês de 4 meses já captam sinais de emoção, diz estudo

Um estudo realizado por pesquisadores britânicos sugere que bebês de quatro meses já são capazes de reconhecer expressões de emoção em adultos.

A equipe, do Centro Cerebral e Desenvolvimento Cognitivo da Universidade de Birkbeck, em Londres, descobriu que bebês conseguem captar os sinais não-verbais utilizados pelo ser humano para se comunicar, como sorriso e sobrancelhas levantadas.

Os especialistas utilizaram métodos de imagens para verificar se as regiões cerebrais implicadas nas percepções dos adultos de comunicação facial também eram ativadas nas crianças.

Nas imagens, um adulto olha fixamente para os bebês e em seguida levanta a sobrancelha e sorri.
Ao medir o nível de oxigênio no cérebro das crianças, os cientistas observaram a ativação das regiões temporal e pré-frontal do córtex, as mesmas que reagem em adultos quando confrontados com sinais não-verbais.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Proceedings of The Royal Society, Biological Sciences.

Autismo

Segundo os especialistas, os resultados sustentam a tese de que os bebês nascem com os cérebros já preparados para interagir com outros seres humanos.

O co-autor do estudo, Tobias Grossman, disse que o próximo passo será analisar a importância deste aspecto no desenvolvimento das habilidades humanas de interação social.

"O principal objetivo do estudo é entender os mecanismos cerebrais que sustentam o desenvolvimento das relações sociais", disse Grossman.

"Mas espero que assim que entendermos melhor esses primeiros passos possamos usar este conhecimento para investigar o que pode dar errado nos casos de desordens do desenvolvimento neurológico."

Ainda para os pesquisadores, as técnicas aplicadas no estudo podem ser utilizadas no futuro para diagnosticar os primeiros sinais de autismo.

"Não garantimos que isso possa diagnosticar a doença, mas pode ser uma maneira eficiente de lançar o alerta", disse Mark Johnsnon, um dos autores do trabalho.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Cientistas 'detêm envelhecimento' de órgãos em ratos

Pesquisadores acreditam ter encontrado uma maneira de deter o relógio biológico que leva a problemas do corpo ao longo das décadas.

Uma equipe de cientistas americanos diz ter encontrado os mecanismos genéticos para melhorar o sistema crucial que 'limpa' e 'recicla' as proteínas defeituosas nas células.

Em um artigo na revista científica Nature Medicine, eles relataram como conseguiram que os fígados de ratos geneticamente alterados funcionassem tão bem em idade avançada quanto os de animais mais jovens.

Eles sugeriram que a descoberta representa uma esperança para pessoas com doenças progressivas no cérebro.

Reciclagem

As proteínas, substâncias químicas fundamentais das células, têm uma vida útil curta, por isso devem ser eliminadas e recicladas assim que possível.

O corpo possui mecanismos para realizar esta tarefa, mas a eficiência cai à medida que se envelhece. Isto leva a disfunções nos principais órgãos – coração, fígado e cérebro –, o que pode contribuir para o aparecimento de doenças típicas da velhice.

Centrando-se nesse processo, a equipe coordenada pela professora Ana Maria Cuervo, da Universidade de Yeshiva, em Nova York, criou ratos com duas alterações genéticas.
A primeira, quando ativada, elevou o número de receptores celulares ligados à função de reciclagem de proteínas. O segundo permitiu aos médicos acionar o primeiro através de uma simples mudança na dieta das cobaias.

O mecanismo foi acionado quando os ratos fizeram seis meses – ponto em que se inicia nestes animais o declínio do sistema de reciclagem de proteínas em razão da idade.

Quando examinados aos dois anos de idade – o que em um ser humano corresponderia a cerca de 80 anos –, os ratos possuíam células do fígado com mecanismos de reciclagem muito mais eficientes que as de ratos normais.

Quando os cientistas testaram as funções gerais dos fígados dos ratos geneticamente modificados, eles perceberam que os órgãos funcionavam tão bem quanto os de ratos mais jovens.

Envelhecimento

"Esses resultados mostram que é possível corrigir este 'congestionamento' protéico que ocorre nas células com o envelhecimento, podendo talvez assim nos ajudar a desfrutar de uma vida saudável em idade avançada", disse Ana Cuervo.

Ela agora pretende realizar testes em animais com os males de Alzheimer e Parkinson, para confirmar se os depósitos anormais de proteína nas células, em particular no caso do mal de Alzheimer, podem ser tratados da mesma maneira.

O professor de gerontologia celular da Universidade de Newcastle Thomas von Zglinicki disse que os resultados são "notáveis".

"Não é sempre que se vêem estudos que logram melhorar as funções de um órgão desta maneira. O que eles parecem ter conseguido é manter os ratos jovens, tanto devolvendo quanto mantendo a atividade normal."

Ele disse que, em teoria, pode ser possível alcançar os mesmos efeitos em todo o corpo.
Já um porta-voz da britânica Alzheimer’s Society declarou: "À medida que envelhecemos sofremos falhas gerais no processamento das proteínas, e portanto a capacidade de manter a eficiência do sistema encarregado disto é claramente benéfico".

"Entretanto, um relação direta com a limpeza de proteínas defeituosas do cérebro não fica claro a partir desta pesquisa."

Fonte: BBC Brasil

Correr atrasa efeitos do envelhecimento, diz estudo

Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que correr com freqüência pode retardar os efeitos do envelhecimento.

A pesquisa analisou 500 idosos com mais de 50 anos que tinham o hábito de correr, durante um período de 20 anos e comparou a saúde e bem-estar físico desses participantes com um grupo similar de não-corredores.

Depois de 19 anos, os pesquisadores da Stanford University Medical Center identificaram que 34% dos idosos que não corriam haviam morrido, comparados com apenas 15% entre os que corriam com freqüência.

A pesquisa, publicada na edição desta semana da revista científica Archives of Internal Medicine, observou ainda que ambos os grupos passaram a ter mais deficiências físicas com o passar dos anos, mas o início destas deficiências começou 16 anos mais tarde para aqueles que praticavam a corrida.

“O estudo tem uma mensagem que incentiva o exercício. Se você precisa escolher uma coisa para fazer as pessoas ficarem mais saudáveis enquanto envelhecem, seria o exercício aeróbico”, afirmou o professor James Fries, principal autor do estudo.

Benefícios

No início da pesquisa, em 1984, os idosos do grupo dos corredores corriam cerca de quatro horas por semana. Depois de 21 anos, o tempo de corrida diminui para 76 minutos semanais.

Segundo o estudo, mesmo com a redução do tempo, os idosos puderam sentir os benefícios da prática do exercício na saúde e a diferença entre a saúde dos idosos corredores e não-corredores foi observada mesmo depois que os participantes passaram dos 90 anos de idade.

Além de diminuir o batimento cardíaco e as mortes relacionadas com problemas arteriais, a prática da corrida também foi associada com uma redução no número de mortes prematuras causadas por doenças neurológicas, câncer e infecções.

Os pesquisadores analisaram ainda os possíveis danos que correr com freqüência poderia causar nos idosos, como problemas nos ossos ou juntas. No entanto, a pesquisa sugere que não encontrou provas de que os idosos corredores tinham mais chances de sofrer com osteoporose ou problemas no joelho do que os não-corredores.

Segundo Fries, os benefícios do exercício físico “são maiores do que o esperado”.

Vida saudável

A ONG Age Concern, que trabalha com idosos, afirma que muitos não praticam exercícios o suficiente.

De acordo com a instituição, os dados revelam que mais de 90% dos idosos britânicos com mais de 75 anos não seguem a indicação de praticar meia hora de exercícios moderados pelo menos cinco vezes por semana.“A pesquisa reconfirma os claros benefícios dos exercícios regulares para os idosos”, disse o diretor da ONG, Gordon Lishman.

“O exercício ajuda os idosos a continuarem móveis e independentes, garante a saúde cardíaca, mantém o peso e os níveis de estresse sob controle e ajuda a melhorar o sono”, afirmou.

“Enquanto os jovens recebem bastante incentivo para levar um estilo de vida saudável, as necessidades de saúde dos mais velhos são normalmente negligenciadas”, concluiu.

Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Mãos à obra

Estudo mostra que crianças que desenvolvem trabalho artístico têm mais facilidade de memorização e atenção e fortalecem a auto-estima

[...] PARA EDUCADORES, A ARTE DESENVOLVE OS SENSOS CRÍTICO E ESTÉTICO E A CURIOSIDADE

Valentina Vandelli tem seis anos e adora fazer arte -com lápis, papel, tintas e caixas, muitas caixas. "Ela me pede que guarde todas as caixas de sapatos e as transforma em bonecos, casinha com divisórias... Desde pequena, ela é assim: inventa milhões de coisas, tem muita sensibilidade e criatividade", conta a mãe, a publicitária Fernanda Vandelli, 36.

A menina tem aulas de educação artística na escola e, nas férias de julho, freqüentou uma escolinha de artes. Agora, na volta às aulas, a mãe quer matriculá-la em outro curso.

Fernanda diz que sempre leva suas duas filhas a exposições e incentiva o trabalho artístico com elas. "Acho fundamental para desenvolver a sensibilidade. As crianças de hoje esquecem o lado lúdico da vida, o prazer de trabalhar com as mãos.

"De fato, especialistas afirmam que a arte tem um papel essencial na infância. "É um dos recursos que temos para pensar e agir sobre a realidade. É do ser humano fazer arte. É importantíssimo que a criança tenha esse contato desde cedo", diz Maria Christina Rizzi, coordenadora do ateliê de arte para crianças do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo).

Entre os benefícios listados por educadores, estão o desenvolvimento dos sensos crítico e estético, da criatividade, da curiosidade e da auto-estima.

E, segundo um estudo recente, os ganhos ultrapassam os domínios do meio artístico, ajudando em outros campos. Realizado pela Dana Foundation, instituição filantrópica americana dedicada a pesquisas sobre o cérebro, o projeto, chamado "Learning, Arts and the Brain" (aprendizado, arte e o cérebro), reuniu neurocientistas de universidades como Harvard e Stanford com o objetivo de descobrir por que o trabalho com arte tem sido associado a um melhor desempenho acadêmico.

Segundo os resultados preliminares, crianças motivadas para as artes desenvolvem habilidades de atenção e estratégias de memorização que ajudam em outras áreas.O estudo mostrou que há ligações entre a prática de música e habilidades relacionadas às memórias de curto e de longo prazo, à representação geométrica e ao domínio da leitura. Sugeriu, ainda, que atuar em teatro melhora a memória e que a dança torna os alunos mais observadores.

"A arte é importantíssima para o desenvolvimento infantil, inclusive no aspecto cognitivo. A criança aprende melhor outras matérias: matemática, inglês, português, ciência", confirma a pós-doutora em arte-educação Ana Mae Barbosa, professora do mestrado em design da Universidade Anhembi Morumbi e única latino-americana que já presidiu a InSEA (sociedade internacional para a educação por meio da arte, na sigla em inglês).

Ela diz, porém, que é preciso tomar cuidado com a forma de trabalhar a arte. Não se trata, por exemplo, de mandar a criança preencher formas prontas. "Não adianta dar a ela um desenho do coelhinho para colorir. É preciso promover a inventividade, a descoberta, dar papéis grandes para que os limites sejam amplos."

E, nessas horas, o importante é deixar a criança livre para criar. "Ficar falando que ela deve fazer de um jeito ou do outro não tem sentido. O universo da arte é o da metáfora. Não tem certo e errado", diz Rizzi.

[...] NÃO BASTA A CRIANÇA PÔR A MÃO NA MASSA; É PRECISO FALAR SOBRE ARTE COM ELA, MOSTRAR OBRAS, LEVÁ-LA A EXPOSIÇÕES E PEÇAS

Apreciação

Mas não basta a criança pôr a mão na massa. É recomendável ir além da prática e falar sobre arte com ela. "O fazer deve ser associado à apreciação. Ainda mais com o atual bombardeio de imagens promovido pela internet, é preciso treinar o senso crítico para a leitura de imagens", diz Rejane Galvão Coutinho, professora do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista). Isso inclui, por exemplo, levar a criança a exposições e peças, mostrar obras feitas com um tipo de material e conversar sobre o sentido que ela dá ao que vê.

Lucília Franzini, coordenadora da escola infantil de artes Grão do Centro da Terra, conta que convida artistas para que compartilhem sua experiência com os alunos. "É importante partir de obras que já existem para que a criança amplie seu universo perceptivo e, a partir daí, crie do seu jeito." Na escola, as aulas de artes visuais, música e teatro são integradas. "É muito rico. Há uma tendência a separar as linguagens, mas nossa vida não é fragmentada e a criança não pensa assim", diz Franzini. Já no Atelier Arte Expressão da Escola Viva, as oficinas são separadas. A coordenadora, Leila Bohn, diz que está atenta à integração, mas "sem forçar a barra". "Deixamos as conexões acontecerem naturalmente.

Por exemplo, uma turma de música compõe algo para outra de circo. Junções nesse sentido são bem-vindas, sem que precisem ocorrer a qualquer custo."

Para Coutinho, trabalhar de forma integrada é produtivo principalmente para crianças de seis, sete anos. "Depois, é natural que elas queiram se aprofundar em uma técnica." Segundo Ana Mae Barbosa, o importante é que todas as áreas tenham o mesmo paradigma.

"Não podemos ensinar música por um método em que cada criança fica sozinha no violino e pintura por outro totalmente integrativo, incoerente."

Música

Entre os estudos que listam os benefícios da educação artística, os que focam na música estão entre os mais numerosos. Às evidências relacionadas ao aproveitamento escolar, o compositor Hermelino Neder, educador musical na St. Nicholas School e no Colégio Vera Cruz, acrescenta outras conquistas que vê no dia-a-dia.

Segundo ele, por se tratar de uma atividade ritualística e ancorada no compasso, a música exige coordenação motora e desenvolve a capacidade de trabalhar em grupo. "Em uma classe que canta ou brinca de roda coletivamente, cria-se uma atmosfera de trabalho muito boa", afirma.

Ele diz ainda que a música ajuda os alunos menores a desenvolver a fala e a ampliar o vocabulário. "Ao cantarem e ouvirem várias vezes as mesmas palavras, eles se familiarizam com o padrão da língua, seja a sua, seja uma estrangeira."

Segundo Neder, enquanto na infância funciona bem trabalhar com atividades como canto e percussão corporal, adolescentes preferem se aprofundar em um instrumento. Ana Mae Barbosa considera uma pena que muita gente interrompa o trabalho com arte na adolescência, em parte porque muitas escolas focam só no vestibular e vêem a atividade como supérflua. "O adolescente vive uma fase muito rica, de crise, de transformação. A arte pode ajudar a dar sentido ao que ele pensa e sente."

Para Christina de Luca, coordenadora pedagógica da escola Lugar de Arte, mesmo colégios para crianças menores acabam deixando a arte em segundo plano. "Mas acredito plenamente que vale a pena. Por meio da arte, a criança aprende a trabalhar melhor em sociedade, a ser curiosa, ganha auto-estima. Não é perda de tempo."

Flávia Mantovani

Julliane Silveira (colaboração)

Folha de S.Paulo

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Classe média chega a 52% da população, aponta pesquisa da FGV

Para fundação, família de classe média tem renda mensal entre R$ 1.064 e R$ 4.591. Número de brasileiros nesta categoria cresceu de 42% para 52% entre 2004 e 2008.

Pesquisa divulgada nesta terça-feira (5) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta o crescimento da classe média brasileira nos últimos dez anos. Essa categoria - que, segundo a FGV, inclui famílias com renda entre R$ 1.064 e R$ 4.591 e é denominada como "classe C" - reuniu 51,89% da população em 2008, dez pontos percentuais a mais do que os 42,26% registrados em 2004.

Dentro do cálculo da FGV, em igual período, houve aumento de 4 pontos percentuais dos brasileiros de "classe alta", com as famílias que ganham mais de R$ 4.591 - entre 2004 e 2008, este contingente cresceu de 11,61% para 15,52% da população. Já os brasileiros classificados como "classe baixa", com famílias que ganham menos de R$ 1.064, caiu de 46,13% para 32,59% da população brasileira.

A Fundação compilou dados do Ministério do Trabalho e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram a redução da pobreza em 13,5 pontos percentuais entre 2002 e 2008 em seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador).

De acordo com o economista Marcelo Neri, que apresentou o estudo, a redução da pobreza se intensificou depois de 2004, embora a redução da desigualdade de renda no país já pudesse ser percebida antes disso.

Trabalho

Neri ressaltou que a redução da pobreza e o crescimento da classe média são reflexo direto do aumento do emprego com carteira assinada - neste ano, a criação de empregos bateu recorde no semestre, segundo o Ministério do Trabalho. Agora, diz o economista, o novo desafio para o Brasil é o iminente "apagão de mão-de-obra", ou seja, a falta de trabalhadores qualificados para os empregos que estão sendo criados.

"Mesmo com a crise externa, o Brasil vive um momento fantástico. A classe média vai bem apesar da situação perigosa do cenário mundial. Há uma diminuição da desigualdade e um crescimento da classe média, que esteve estagnada nos últimos 20 anos", ressaltou Neri, durante a divulgação da pesquisa, ressaltando que a classe média é "o motor do crescimento e da prosperidade das sociedades".

Para o economista, o ponto fraco no crescimento sustentável da classe média - que passou a ganhar mais e a consumir artigos que podem produzir renda, como computadores - está na educação. Ele afirma que embora o governo tenha investido no setor, a qualidade do ensino no Brasil ainda deixa a desejar.

"Saímos da crise do desemprego da década de 90 para o apagão da mão-de-obra. Os empresários estão investindo em emprego formal, com carteira assinada, que é o grande símbolo desse crescimento da classe média. Mas faltam pessoas qualificadas. É preciso investir na qualidade e na quantidade na questão da educação", disse Neri.

Alba Valéria Mendonça
Do G1, no Rio

América do Sul: continente de Amor

(...) "Do ponto de vista do crescimento econômico, por que Deus nos fez grudados? Por que Deus coloca um homem e uma mulher juntos? Para o homem ficar olhando para um lado e a mulher para outro lado? Nao! É para se olharem" (...)

Declaração dada ontem pelo presidente Lula no encontro entre Brasil e Argentina.

Essa declaração tem um aspecto metafórico e transcendental. Do ponto de vista espiritual, nos bastidores da História, foi feita uma preparação para que a América do Sul fosse o continente de paz e amor. O Brasil, em especial, escolhido como "Coração do mundo, pátria do evangelho".

O Brasil se candidata a uma potência em futuro próximo. Enquanto o mundo enfrenta uma crise de alimentos e petróleo, o Brasil tem terras férteis, grandes reservas de petróleo, água abundante, minérios. Uma nação abençoada por Deus!

É desse continente que sairá as lições de benevolência, paz de espírito e alegria. Aqui Jesus colocou seu olhar sereno, para que a luz de seu evangelho chegue em todas as nações.

Os estrangeiros dizem: "O melhor do Brasil é o povo brasileiro". Será com essa autoridade moral que o Brasil e os países da América do Sul irão liderar o mundo de regeneração. Acontecerá, então, a maior revolução da História: a Revolução do Amor.

Lula está certo: Deus colocou as duas nações juntas para se amarem.

Paz e luz!

Marcelo Brito Sener

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Empresa britânica anuncia etanol 'feito de lixo'

Uma empresa britânica anunciou ter tecnologia para começar a produzir etanol a partir de lixo biodegradável em escala industrial dentro de dois anos.

A química Ineos Bio afirma que será possível usar lixo biodegradável municipal, lixo orgânico comercial e resíduos de agricultura, entre outros, para a produção do combustível.

Segundo a empresa, a tecnologia já foi testada em um projeto piloto nos Estados Unidos.

"Planejamos produzir quantidades comerciais de combustível de bioetanol de lixo para ser usado como combustível para carros dentro de dois anos", afirmou Peter Williams, diretor executivo da Ineos Bio.

A transformação se opera em três estágios. Primeiro, o lixo é superaquecido para a obtenção de gás.

Este gás é usado para alimentar bactérias anaeróbicas (biocatalizadoras) que produzem o etanol.
No estágio final, o etanol é purificado para ser usado como combustível puro ou misturado à gasolina.

Produção de alimentos

A empresa alega que esta tecnologia tem a vantagem de não afetar a produção de alimentos. Uma tonelada de lixo seco pode ser transformada em cerca de 400 litros de etanol, informou a empresa.

"O fato de termos conseguido separar a segunda geração de biocombustíveis dos alimentos é um grande passo. Esperamos que a tecnologia garanta combustíveis renováveis e sustentáveis a um custo competitivo", disse Williams.

A empresa, no entanto, precisará da cooperação dos governos locais para ter acesso ao lixo.
A Ineos ainda não anunciou a localização da primeira usina comercial de produção do etanol do lixo.

O processo foi desenvolvido em Fayetteville, no Estado americano do Arkansas. As pesquisas começaram em 1989 e a primeira usina foi montada depois de 20 anos de trabalho.

A fábrica está operando continuamente desde 2003, usando diferentes dejetos.

Fonte: BBC Brasil

Tribo da Amazônia contradiz noção de que contar é capacidade 'inata'

A língua falada por uma tribo amazônica que não tem palavras para designar números contradiz a noção de que o ato de contar seria inerente à capacidade cognitiva de seres humanos, afirma um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT).

A língua da tribo Pirahã, que vive às margens do rio Maici, no Amazonas, vem sendo estudada há vários anos por suas características singulares.

No estudo recente, publicado na revista científica Cognition, o professor Edward Gibson afirma que os Pirahã não têm palavras para expressar o conceito de "um" ou de outros números específicos.

Segundo a pesquisa, a tribo teria apenas expressões para designar quantidades relativas, como "muitas", "poucas" ou "algumas".

Segundo Gibson, é comum assumir que contar é uma parte inata da capacidade cognitiva humana, mas "aqui está um grupo que não conta. Eles poderiam aprender, mas não é útil em sua cultura, então eles nunca aprenderam".

"A pesquisa oferece provas de que as palavras que designam números são um conceito inventado pelas culturas humanas conforme a necessidade e não uma parte inerente da linguagem", disse Gibson.

Experimento

A pesquisa partiu de um estudo publicado em 2005 pelo lingüista Dan Everett, que viveu com os índios Pirahã entre 1997 e 2007.

A pesquisa de Everett dizia que a tribo tinha palavras para expressar a quantidade "um”, "dois" e "alguns".

Gibson, no entanto, fez um experimento no qual a equipe apresentava um objeto ao índio e adicionava um novo objeto de cada vez até completarem 10.

Durante o processo, os pesquisadores pediam para que os índios contassem quantos objetos estavam expostos.

A equipe observou que a palavra que anteriormente foi identificada como se representasse o número "um" foi usada pelos Pirahã para expressar qualquer quantidade entre um e quatro.
Além disso, a palavra antes associada ao número "dois" foi usada pelos índios quando cinco ou seis objetos estavam expostos.

"Essas não são palavras para contar números. Elas significam quantidades relativas", afirmou Gibson.

Segundo ele, essa estratégia de contagem não havia sido observada antes, mas poderia ser encontrada em outras línguas na qual se usam as palavras um, dois e alguns para se contar.

A pesquisa de Gibson faz parte de um amplo projeto que investiga a relação entre a cultura da tribo Pirahã com sua cognição e linguagem, com base nos estudos do lingüista Dan Everett.

Fonte: BBC Brasil

Sonda Phoenix confirma existência de água em Marte

A Nasa (agência espacial americana) anunciou que testes de laboratório realizados por sua sonda espacial Phoenix confirmaram a existência de água em Marte.

Há anos os cientistas sabiam que havia gelo em Marte. Phoenix foi enviada para o quarto planeta do Sistema Solar para estabelecer se se tratava de gelo formado por água, dióxido de carbono ou outro tipo de substância.

A amostra de gelo foi recolhida na quarta-feira pelo braço robótico de Phoenix e depositada em um instrumento que identifica vapores produzidos pelo aquecimento do material.

"Nós temos água", disse William Boynton, da Universidade do Arizona, responsável pelo analisador termal da Phoenix. "Nós vimos indícios desta água congelada antes em observações feitas pela nave Mars Odyssey e em fragmentos que se diluíram aos serem observados pela Phoenix no mês passado, mas esta foi a primeira vez que água marciana foi tocada e testada."

A amostra de solo foi extraída de uma perfuração de aproximadamente cinco centímetros no solo. Neste ponto, o braço robótico deparou com uma camada dura de material congelado.

'Surpresas'

O material foi exposto por dois dias e parte da água na amostra começou a evaporar, tornando o solo mais fácil de manipular.

"Marte está nos trazendo algumas surpresas", disse o principal investigador da missão, Peter Smith, da Universidade de Arizona.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores mantém alguma cautela. Segundo eles, a constatação não prova que o gelo existia na forma líquida na superfície do planeta, ou que as condições em Marte alguma vez tenham sido favoráveis a isso. Serão necessários mais testes para verificar isso.

Os pesquisadores precisam verificar se água congelada já derreteu alguma vez o suficiente para estar disponível para a sustentação de vida e se substâncias com carbono e outras matérias-primas para a vida estão presentes.

Os resultados obtidos por Phoenix levaram ainda a Nasa a estender sua missão, que terminaria em agosto.

Agora a sonda, que desceu no superfície marciana em 25 de maio, vai prosseguir com suas observações em solo marciano até 30 de setembro.

Fonte: BBC Brasil