sexta-feira, 23 de março de 2012

Lição de um pai preto relatada pelo irmão José Queid Tufaile

A reunião mediúnica semanal no centro espírita, na sua fase teórica, desenrola-se sob a explanação do "Evangelho Segundo o Espiritismo". Os membros da seleta assistência ouviam a lição atentamente. Sobre a mesa, a água a ser fluidificada e o Evangelho aberto na lição nona do capítulo dez: "O argueiro e a trave no olho".

Dr. Anestor, o dirigente dos trabalhos, tecia as últimas considerações a respeito da lição daquela noite. o ambiente estava impregnado das fortes impressões deixadas pelas palavras do Mestre: "Por que vês tu o argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?" Findos os esclarecimentos, apagaram-se as luzes principais para que se desse abertura à comunicação dos espíritos.

Um dos presentes fez a prece e deu-se início às manifestações mediúnicas. Pequenas mensagens de consolo e de apoio foram dadas aos presentes. Quando se abriu o espaço destinado à comunicação das entidades não habituais e aos espíritos necessitados, ocorreu o inesperado: a médium Letícia, moça de educação esmerada, traços delicados, de quase trinta anos, dez dos quais dedicados à educação da mediunidade, sentiu profundo arrepio percorrendo-lhe o corpo. Nunca, nas suas experiências de intercâmbio, tinha sentido coisa parecida. Tomada por uma sacudidela incontrolável, suspirou profundamente e, de forma instantânea, foi "dominada" por um espírito. Letícia nunca tinha visto tal coisa: estava consciente, mas seus pensamentos mantinham-se sob o controle da entidade, que tinha completo domínio da sua psiquê.

O dirigente, como de sempre fez nos seus vinte e tantos anos de prática espírita, deu-lhe as boas-vindas em nome de Jesus:

- Seja bem-vindo, irmão, nesta casa de caridade - disse-lhe dr. Anestor.

O espírito respondeu:

- Zi-boa noite, zi-fio. Suncê me dá licença pra eu me aproximá de seus trabaios, fio?

- Claro, meu companheiro, nosso centro espírita está aberto a todos os que desejam progredir - respondeu o diretor dos trabalhos.

Os presentes perceberam que o espírito comunicante era um preto velho, entidade que habitualmente se comunica em terreiros de umbanda. O preto velho continuou:

- Vós mecê não tem aí uma cachaçinha pra eu bebê, zi-fio?

- Não, não temos - respondeu-lhe dr. Anestor.

- Você precisa se libertar desses costumes que traz de terreiros, o de beber bebidas alcoólicas. O espírito precisa evoluir - continuou o dirigente.

- Vos mecê não tem aí um pito? Tô com vontade de pitá um cigarrinho, zi-fio.

- Ora, irmão, você deve deixar o hábito adquirido nas sessões de umbanda se quer progredir. Que benefícios traria isso a você?

O preto velho respondeu:

- Zi-preto véio gostou muito de suas falas, mas suncê e mais alguns dos que aqui estão não faz uso do cigarro lá fora, zi-fio? Suncê mesmo não toma suas bebidinhas nos fins de sumana? Vós mecê pode me explicá a diferença que tem o seu espírito que bebe "whisky", no fim de sumana, do meu espírito que quer beber aqui? Ou explicá pra mim a diferença do cigarrinho que suncê queima na rua daquele que eu quero pitá aqui dentro?

O dirigente não pôde explicar, mas ainda tentou arriscar:

- Ora, meu irmão, nós estamos num tempo espírita e é preciso respeitar o trabalho de Jesus.

O preto velho retrucou, agora já não mais falando como tal:

- Caro dirigente, na escola espiritual da qual faço parte, temos aprendido que o verdadeiro templo não se constitui nas quatro paredes a que chamais centro espírita. Para nós, estudiosos da alma, o verdadeiro templo é o templo do espírito, e é ele que não deve ser profanado com o uso do álcool e do fumo, como vem sendo feito pelos senhores. O exemplo que tens dado à sociedade, perante estranhos e mesmo familiares, não tem sido dos melhores. O hábito, mesmo social, de beber e fumar, deve ser combatido por todos os que trabalham na Terra em nome do Cristo. A lição do próprio comportamento é que é fundamental na vida de quem quer ensinar.

Houve profundo silêncio diante de argumentos tão seguros. Pouco depois, o espírito continuou:

- Desculpem a visita que fiz hoje e o tempo que tomei do seu trabalho. Vou-me embora para o lugar de onde vim, mas antes queria deixar a vocês um conselho: que tomassem cuidado com suas obras, pois, como diria, Nosso Senhor, tem gente "coando mosquito e engolindo camelo". Cuidado, irmãos, muito cuidado! Deixo a todos um pouco da paz que vem de Deus, com meus sinceros votos de progresso a todos que militam nesta respeitável seara.

Deu uma sacudida na médium, como nas manifestações de umbanda, e afastou-se para o mundo invisível. O dirigente ainda quis perguntar-lhe o porquê de falar "daquela forma". Não houve resposta. No ar ficou um profundo silêncio, uma fina sensação de paz e uma importante lição: lição para os confrades meditarem.

Extraído da obra "Samadhi"
Ramatís
Psicografia de Norberto Peixoto

domingo, 18 de março de 2012

Novas evidências indicam que a meditação fortalece o cérebro

Pesquisadores americanos descobriram mais evidências de que meditar fortalece o cérebro.
Estudos anteriores feitos pela Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, já haviam sugerido que meditar durante anos torna o cérebro mais espesso e fortalece conexões entre células cerebrais.

As novas pesquisas feitas pela mesma equipe californiana revelaram ainda mais benefícios associados à prática. Os resultados foram publicados pela revista Frontiers in Human Neuroscience.
O cientista Eileen Luders e seus colegas do Laboratory of Neuro Imaging da UCLA dizem ter encontrado indícios de que pessoas que meditam durante muitos anos têm quantidades maiores de dobras no córtex cerebral do que pessoas que não meditam. Isso poderia acelerar o processamento de informações.

A equipe também encontrou uma relação direta entre a quantidade de dobras e o número de anos durante os quais a pessoa meditou.

Isso pode talvez ser mais uma prova da neuroplasticidade do cérebro - a habilidade do órgão de se alterar, ou se adaptar, em resposta a estímulos externos.

Córtex

O córtex é a camada externa do cérebro e tem papel fundamental na memória, atenção, pensamento e consciência.

Os dobramentos corticais são o processo pelo qual a superfície do cérebro se altera para criar sulcos e dobras. Sua formação pode promover e melhorar os processos nervosos.

Presume-se, portanto, que quanto mais dobras se formam, maior a capacidade do cérebro de processar informações, tomar decisões e formar memórias.

"Em vez de simplesmente comparar pessoas que meditam com as que não meditam, queríamos ver se havia uma relação entre a quantidade de prática da meditação e o grau de alteração do cérebro", disse Luders. "Quer dizer, associar o número de anos de meditação com a incidência das dobras".

Testes

Os pesquisadores fizeram exames de ressonância magnética em 50 praticantes de meditação - 28 homens e 22 mulheres. Esse grupo foi comparado a outro, de não praticantes, com idade e sexo equivalentes.

Os praticantes haviam meditado em média 20 anos. Os tipos de meditação eram variados, entre eles, Zen e Vipassana.

A equipe disse ter encontrado grandes diferenças na incidência das dobras em participantes que praticavam meditação.

Para os pesquisadores, a revelação mais interessante foi a correlação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobras, especialmente em uma estrutura do cérebro conhecida como ínsula.

Sabe-se que essa estrutura está associada às emoções humanas. E que lesões na ínsula podem resultar em apatia, perda de libido e alterações na memória.

"Talvez (a descoberta) mais interessante tenha sido a relação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobramentos insulares".

Emoção e raciocínio

Luders mencionou estudos anteriores que indicam que a ínsula funcionaria como um integrador entre a emoção e o raciocínio.

"Pessoas que meditam são conhecidas por serem mestras em introspecção e consciência, assim como em controle emocional e autorregulação, então os resultados fazem sentido - quanto mais tempo alguém medita, maior a a incidência das dobras na ínsula".

Luders adverte que fatores genéticos e ambientais podem ter contribuído para os efeitos observados.
Ainda assim, "a relação positiva entre as dobras e o número de anos de prática dá suporte à ideia de que a meditação aumenta a incidência das dobras".

Fonte: BBC Brasil