O ser humano tem na sua herança genética o instinto de
lutar, fugir ou paralisar diante das dificuldades e emoções. Inicialmente, a
vida na pré-história era regida pelo nosso cérebro emocional, exigindo
respostas mais simples de luta pela sobrevivência em um mundo hostil, com uma
vida bastante animalizada.
O nosso cérebro racional, o neocórtex, é mais recente na
evolução e permitiu o grande avanço da humanidade e a criação da civilização complexa
que temos hoje. Esse avanço possibilitou
pensar e controlar as emoções por meio de nosso raciocínio. Dessa forma, a
luta, fuga ou paralisação passou a fazer parte das nossas escolhas e modelos
mentais. Imaginamos agir com a razão, mas o mecanismo verdadeiro é inconsciente
e puramente emocional.
Na paixão, projetamos no outro a idealização que fazemos de
nós mesmos. Depois do período de euforia inicial, passamos para o mecanismo de
identificação projetiva. Ou seja, passamos a identificar no outro o que somos,
gerando conflitos e muitas vezes a rejeição. A falta de autoconhecimento e
inteligência emocional nos faz agir como homem das cavernas, regidos pelo
instinto e emoções mais primárias do medo e raiva.
Ao estar envolvido nessas emoções, normalmente acionamos o
mecanismo de desistir do outro, sabotando a relação (fuga) ou de nada fazer
para evoluir no relacionamento (paralisar). Isso é devido ao medo do sofrimento
futuro; ou raiva dos nossos próprios defeitos que identificamos no outro. As
semelhanças são uma grande oportunidade de aprendizado, já que olhando o outro
como o nosso espelho temos como ter a noção exata do mal que fazemos ao
próximo. Essa consciência permite o desenvolvimento emocional.
Desistir ou paralisar é sempre o caminho mais fácil e mais
primitivo emocionalmente. O caminho do equilíbrio é a luta. A resiliência é a
palavra chave que nos faz enfrentar os problemas e ter a motivação para
seguir em frente no relacionamento, se permitindo amar e viver uma nova experiência.
Esse amor significa aceitar incondicionalmente o outro.
O amor verdadeiro não admite fuga nem indiferença. Quem ama
luta e quem luta está vivo! Viver é amar sem medo do sofrimento! Amar é se imortalizar na existência!
Marcelo Brito
Marcelo Brito
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