Que mistérios envolvem nosso corpo durante o sono? Porque quando dormimos sonhamos, muito embora não nos lembremos deles com precisão? Até hoje a ciência busca explicações para esse fenômeno, mas nenhuma parece satisfatória. A psicanálise, a partir de Freud e Jung, também buscou explicações, conclui que os sonhso nada mais são do que a repetição dos fatos ocorridos durante o dia ou, ainda, símbolos daquilo que queremos e desejamos.
Para os espíritas, as explicações mais plausíveis continuam as encontradas nas obras escritas por Allan Kardec. Ele divide o sonho em três níveis: 1 - o sonho ordinário ou puramente cerebral, que é a repercussão de nossas disposições físicas e de nossas preocupações morais; 2 - o sonho de desprendimento do espírito, que flutua na atmosfera e mergulha no oceano de pensamentos e imagens sem, entretanto se desprender do corpo físico; e 3 - os sonhos profundos ou etéreos, quando o espírito se desprende da matéria e percorre a superfície da Terra.
Para que se compreenda melhor o que esses níveis significam, vale lembrar que quando desencarnamos, voltamos para o corpo físico com a missão de repararmos erros cometidos no passado. Entretanto, o corpo físico é para o espírito como uma "prisão". Ele aspira por liberdade, o que só será plenamente possível quando não mais houver necessidade de encarnar ou quando dormimos.
Além disso, não há necessidade do espírito repousar como ocorre com o corpo físico, por isso, enquanto dormimos é possível a ele percorrer outras esferas. Assim, durante o sono, o espírito se desamarra dos laços que o prendem ao corpo e começa a percorrer o espaço, entrando em relação direta com outros espíritos.
Uma vez livre do corpo, o espírito tem condições de exercer seus dons, lembrar vidas passadas e até mesmo prever o futuro; só que quando o corpo desperta, pouco ou quase nada é lembrado.
Na interpretação kardecista, alguns sonhos que consideramos absurdos ou irreais, na realidade são lembranças de lugares, pessoas e atos que nosso espírito presenciou durante o sono. Liberto do corpo, o espírito poderá vivenciar ações futuras e até mesmo de outras encarnações, por essa razão é que poderá ser para nós uma situação estranha ou absurda. Assim, pode-se dizer que o sonho é a lembrança do que o espírito viu durante o sono do corpo. E, quando acordamos e não nos lembramos dos nossos sonhos é porque nossa alma não estava em completo desdobramento.
Ainda segundo o espiritismo, quando dormimos ficamos momentaneamente no mesmo estado que ocorre logo após a morte. Para a doutrina de Kardec, os espíritos que se desligam rapidamente da matéria têm um sono consciente porque, durante o sono, reuniam-se com espíritos superiores para trabalhar e se instruir; já os espíritos inferiores quando dormem, viajam para mundos que lhes atraem, ou seja, mundos também inferiores. E é também durante o sono, que espíritos inferiores podem atormentar pessoas fracas e medrosas.
Entretanto, não se pode confundir as lembranças que temos de nossos sonhos com premonição. O que ocorre é que Deus pode permitir ao espírito antever algumas situações futuras ou mesmo situações vividas durante sua visita a espírito a outros mundos, e não premonições e adivinhações sobre o futuro.
Também não podemos nos esquecer que muitas vezes vamos dormir preocupados com uma determinada situação e, quando o espírito está liberto do corpo, poderá ver aquilo que deseja.
Quando nosso espírito viaja por outras esferas, outros espíritos também o fazem, daí muitas vezes sonhamos com pessoas vivas conhecidas. Provavelmente, durante nossa viagem astral as encontramos e partilhamos de momentos juntos.
Muitas vezes, no início de nosso sono, parece que ouvimos frases, vemos imagens e até mesmo figuras em que é possível observar os mínimos detalhes. Isto se deve ao fato do espírito estar no início do desprendimento do corpo e, com uma sensação de torpor, tentar se comunicar ou libertar-se da matéria para desfrutar da sensação de liberdade.
Outro aspecto interessante é que, durante esse período de sonolência, algumas vezes surgem idéias que parecem muito boas e com elas a solução de nossos problemas, mas assim que acordamos já não recordamos de mais nada. A explicação é que, ao encontrar-se com espíritos superiores realmente podemos ter sido aconselhados a agir desta ou daquela forma, mas a lembrança só ocorrerá na ocasião oportuna.
Em resumo, durante o sono, o espírito desprende-se do corpo. Alguns não se afastam do corpo. Outros se movimentam livremente no mundo espiritual. O desprendimento do corpo faz com que o espírito seja atraído para locais e companhias com ele identificados. Segundo Aluney Elferr Albuquerque Silva: "o lúbrico terá entrevistas eróticas de todos os tipos, o avarento tratará de negócios grandiosos (materiais) e rendosos usando a astúcia. A esposa queixosa encontrará conselhos contra o seu marido, e assim por diante. Amigos se encontram para conversas edificantes, inimigos entram em luta, aprendizes farão cursos, cooperadores trabalharão nos campos prediletos, e, assim, caminhamos...".
Dependendo do grau de evolução do espírito irão presenciar várias de suas atividades e os frutos dessas experiências. Ainda segundo Aluney Elferr Albuquerque Silva: "Nesta experiência fora do corpo, na oportunidade do desprendimento através do sono, o ser poderá ver com clareza a finalidade de sua existência atual, lembrar-se do passado, entrevê o futuro, todavia a amplitude ou não dessas possibilidades é relativa ao grau de evolução do espírito".
Fonte: Coleção Cadernos Espíritas
A vida após a morte (5)
domingo, 11 de novembro de 2007
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