Por séculos a fio, os sonhos foram encarados como portas para o conhecimento e para a adivinhação. A história antiga e a Bíblia estão repletas de passagens em que através dos sonhos podiam-se constatar situações futuras e revelações. Os sonhos de Jacó, as interpretações dos sonhos do Faraó feitas por José, e outras passagens demonstram a importância dos sonhos.
Nas civilizações antigas, o papel dos sonhos foi sempre revelador. Sacerdotes e xamãs dedicavam especial atenção a eles. Desvendar o futuro e se orientar na condução da vida e das coisas era o principal atributo conferido aos sonhos, considerados com uma manifestação divina, uma forma dos deuses e das forças sobrenaturais se comunicarem.
Com o advento do racionalismo e da chamada medicina cartesiana, os sonhos passaram a ser vistos como uma atividade sem nenhum valor, uma mera manifestação de grupos isolados de células durante o adormecimento do corpo e conseqüentemente do cérebro.
No século XX, entretanto, os sonhos oltaram a ocupar um lugar de destaque através da psicanálise, e foram vistos como passíveis de interpretação, a chave para o diagnóstico de traumas e desejos sublimados. Em resumo, mesmo deixando de ser considerados como algo inútil, a visão científica dada pela psicanálise apenas entende os sonhos como uma manifestação dos desejos.
Nos dias de hoje, de acordo com os pressupostos científicos aceitos, o sono é um estado em que nossas atividades físicas, motoras e sensoriais cessam. Já o sonho é a lembrança dos fatos ocorridos durante o sonho. Ainda no campo da ciência, alguns psiquiatras e psicólogos analisam os sonhos como atividades do psiquismo mais profundo.
Freud, que foi o pioneiro em estudar os sonhos, julgava que, quando nossos instintos eram reprimidos, poderiam se manifestar através dos sonhos, ou seja, eram as linguagens simbólicas para nossos desejos mais profundos.
Para Jung, que também estudou os fenômenos ocorridos durante o sono, a idéia é que nos recessos de nosso inconsciente, existe uma infra-estrutura feita de imagens ou símbolos que integram a mitologia de todos os povos.
O espiritismo, por sua vez, muito antes do advento da psicanálise, desvendou a natureza dos sonhos em seus aspectos fisiológicos e espirituais. Em O Livro dos Espíritos, Kardec analisa a emancipação espiritual, colocando o sono como a primeira fase deste fenômeno, antecedendo o sonambulismo e o êxtase que são estados mais profundos de independência pelo desprendimento parcial do Espírito.
Segundo a doutrina espírita, os sonhos podem ser classificados como comuns, reflexivos ou espíritas.
Os sonhos comuns são a repercussão de nossas disposições físicas e psicológicas. Os sonhos reflexivos são a exteriorização de impressões e imagens arquivadas no cérebro e no perispírito. Os sonhos espíritas são a atividade real e efetiva do Espírito durante nosso sono.
Fonte: Coleção Cadernos Espíritas
A vida após a morte (5)
domingo, 11 de novembro de 2007
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