Por Eunice Ferrari
"Deus não joga dados com o Universo".
A.Einstein
Desde o final do séc XVII, vivemos sob o paradigma newtoniano-cartesiano, sob uma forma de "ver o mundo" construída através das teorias de Isaac Newton e Reneé Descartes. Essas teorias falam de um mundo mecânico, onde a natureza funciona como um relógio, onde o tempo é linear e o espaço tridimensional. Nosso cérebro se acostumou a ver o mundo dessa forma, seja por imposição autoritária do poder, seja por ainda estarmos engatinhando no processo de evolução.
Não conseguimos enxergar o mundo de outra maneira, uma maneira mais ampla, mais holográfica. Toda sociedade ocidental foi construída sob esse paradigma, que compartimentou o mundo e o Homem em uma série de fragmentos. A própria física, a medicina, a religião e todas as áreas que formam a nossa história foi dividida em partes. Todo pragmatismo, o progresso material desmedido, a fuga e o desvinculamento dos valores humanos mais elevados, como a solidariedade e o cooperativismo, o consumismo exagerado, a arrogância do poder e o conseqüente desequilíbrio ecológico e psicológico do mundo moderno, são resultado de uma visão de mundo, onde o Homem é tratado como "algo" que funciona tal qual uma máquina, fragmentado e separado de Deus.
No início do séc XIX, no auge do paradigma mecanicista, os físicos acreditavam cegamente que o Universo era um enorme sistema mecânico, com leis definidas sobre a natureza e os fenômenos naturais. Hoje nos sentimos vítimas participantes desse paradigma, perdidos em um mundo de confusões, correndo como loucos de um lado para outro, na maioria das vezes sem nenhum contato com nossa experiência humana mais profunda, como o amor que podemos sentir pelos nossos irmãos nessa grande família terrena. Nossos corpos são sentidos de maneira mecânica, e até nosso afeto é expresso mecanicamente. Estabelecemos regras para a organização de nossas vidas "perfeitamente estruturadas".
No início do séc XX, Albert Einstein nos presenteou com sua Teoria Especial da Relatividade, e destruiu quase por completo o paradigma antigo, nos dando a oportunidade de pensar uma nova realidade, num continuum espaço-tempo. De acordo com Einstein, o espaço não é tridimensional e o tempo não é linear. Ambos, tempo e espaço, estão intimamente ligados em um mundo tetradimensional. Não existe um tempo que siga um caminho linear como mostram nossos relógios newtonianos. Este é relativo e não absoluto. Mas, contudo, estamos apenas começando a viver sob o novo paradigma.
Por exemplo: Se tivermos um sonho ou uma forte intuição envolvendo alguém que amamos em algum acontecimento ruim, a primeira coisa que fazemos é entrar em contato com essa pessoa para vermos se está tudo bem. Essa é uma interpretação newtoniana. Segundo a visão einsteniana, como o tempo não é linear, esse fato pode tanto fazer parte do presente, do passado como do futuro; ou mesmo somente ser uma probabilidade. Se nos propusermos a desenvolver nossa visão do Universo, perceberemos que nossas experiências mais sensíveis estão totalmente fora dos conceitos newtonianos.
Dessa forma, a visão de que a natureza pode ser mecanicamente explicada, lentamente vai sendo abandonada. Os físicos modernos descobrem a cada dia que a matéria passa por constantes mutações, onde todas as partículas podem se transformar em outras partículas, ou simplesmente dissipar-se. Em 1920, Max Planck descobriu que a energia é emitida em forma de "pacotes" chamados "quanta", e assim começa a se delinear a física quântica.
No nível interno, podemos procurar entender o mundo de maneira um pouco menos dualista, onde os opostos já não assumem a forma de inimigos, mas de energias complementares de uma mesma realidade. Segundo os físicos modernos, aqueles que buscam a prova da existência de Deus, existe uma "ordem implícita" que está em estado invisível, de onde se "projeta" a realidade visível. Portanto, o mundo já não poderia mais ser dividido em partes separadas. Esse é o conceito de holograma na física. Essa teoria sustenta que cada parte representa exatamente o todo.
Os místicos "sabem" de tudo isso há mais de 5000 anos. Eles não falam em campos de energia, mas de prana, energia sutil, energia Ch'i, luz astral. Rosacruzes, ocultistas, teosofistas, cabalistas, povos nativos, budistas, indianos, chineses, egípcios. Rudolph Steiner, Helena Blavatsky, Krishnamurti, Maomé, Moisés, Jesus, Sócrates, Platão, e tantos outros sabedores da existência de um homem-cósmico, elos de uma mesma corrente, alimentados por uma única Energia.
sábado, 27 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário