O direito à vida é inalienável a todo ser humano. Dentro desse contexto, falar sobre aborto remete a discussões sobre tornar esse conceito relativo ou absoluto. Pode-se resumir os conflitos de idéias nos seguintes aspectos: aborto como liberdade da mulher; em caso de estupro; como forma de controle da natalidade; em casos de antecipação de parto por uma morte predeterminada; ou como forma de defender a mãe em caso de risco de vida.
Ao abordar essas idéias de um ponto de vista espiritual, observa-se a precariedade dos argumentos favoráveis ao aborto de uma forma livre e indiscriminada, pois há um impedimento por parte dos encarnados em deixar que um desencarnado alivie suas dores com a bênção da encarnação e do esquecimento dos erros passados. Dessa maneira prevalece o egoísmo humano em detrimento do amor ao próximo.
A idéia do aborto como liberdade da mulher lembra os indivíduos que defendem a pena de morte ou o simples “direito de matar”. É verdade que a mulher tem o livre arbítrio para fazer o que quiser com o seu corpo, porém no caso do aborto estamos falando do corpo de outrem. Ter um filho não é uma responsabilidade individual, porém social. Por isso, quem tem relação sexual assume o risco de se comprometer com a sociedade, gerando um filho. Nada mais coerente do que respeitar esse direito à vida. Existem casos de dificuldade financeira ou ainda falta de interesse da mãe em ter o filho, em que o mais sensato seria encaminhar a criança para adoção ou para alguém que cuide com a responsabilidade necessária.
No caso de estupro, é indiscutível o trauma gerado, porém mais uma vez um erro não justifica outro. Matar uma criança originada de um estupro é cometer vingança contra quem não teve culpa. Indiscutível também é a possível falta de maturidade emocional da mãe para acompanhar e educar essa criança. Nesse sentido penso que o Estado deve ser o responsável legal por essa criança, uma vez que negligenciou a sua tarefa de oferecer condições de segurança e impedir essa violência. Assim, a criança poderia novamente ser encaminhada para adoção ou abrigos protegidos pelo Estado.
Já a idéia de aborto como controle da natalidade é um grande paradoxo, pois há várias técnicas avançadas para evitar a concepção indesejada. A ciência evoluiu muito nesse sentido. Assim, as pessoas que pensam dessa forma camuflam o seu lado desumano com a idéia um tanto egoísta de controlar as taxas de natalidade.
Outro assunto bastante discutido é o aborto nos casos de pouca expectativa de vida ao bebê. Ainda somos crianças, aprendendo as primeiras letras do mundo espiritual. Por isso ignoramos determinadas questões com um pragmatismo excessivo. Numa perspectiva científica, observam-se constantes mudanças e aperfeiçoamentos nos conceitos e aparelhos elaborados pelos estudiosos. Dessa maneira, há na literatura muitos casos que contrariaram os enunciados da Ciência, não sendo possível colocar os seus conceitos de uma forma absoluta, devendo deixar a própria natureza seguir o seu rumo, desde que não cause riscos à vida da mãe.
Esse risco à vida da mãe é uma incoerência com as leis humanas e Divinas, pois é defender o direito à vida potencial em detrimento a uma vida já consolidada. Assim, nos casos em que a gestação oferece risco à integridade física da mãe, deve-se dar a preferência pela vida já estabelecida. Vida essa que a natureza teve mais trabalho.
Marcelo Brito Sener
sábado, 21 de março de 2009
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