sábado, 20 de outubro de 2007

Doenças da Alma

Extraído da Revista cristã de Espiritismo

O pesquisador espírita Sérgio Rodrigues fala, nesta entrevista, sobre a influência do espírito na manutenção da saúde

Inicialmente, vamos lembrar que somos seres constituídos: o espírito é a parte imaterial, sede da inteligência, da consciência, do senso da moralidade. Dele partem as energias diretoras do perispírito e do corpo físico. No perispírito são refletidas todas as reações decorrentes de nossos atos e pensamentos, ou seja, do nosso psiquismo. Tudo na natureza tende ao equilíbrio. Quando adotamos práticas que violam as leis naturais, provocamos um desequilíbrio, causando uma desarmonia nos centros de força (chacras) que regem o perispírito. A prática do mal opera lesões imediatas em nossa consciência, que, desarmonizada, ela própria desajusta os centros de força do perispírito. Lesionado, o perispírito transmite a lesão ao corpo físico, que funciona, assim, como uma espécie de dreno.

Desse modo, todas as doenças pelas quais passa o nosso corpo físico, quando não decorrentes do desgaste natural, um desgaste físico, têm a sua gênese numa desarmonia espiritual causada pelo próprio espírito, ao violar as leis naturais. As doenças são necessárias para recolocá-lo em harmonia com a Lei, devolvendo-lhe o equilíbrio.

Oportunidade para aprendizado
No livro Plenitude, Joanna de Ângelis explica que limitações orgânicas e mentais transformam-se em recurso expiatório para o infrator reincidente que, no educandário das provações, agravou a própria situação. O sofrimento humano causado pela doença tem, assim, como sua causa fundamental, uma desarmonia transitória do espírito para com as Leis Divinas. É um instrumento pedagógico de que ainda necessitamos para nos corrigir o rumo e para nos impulsionar ao progresso. É um remédio amargo, porém, necessário para o nosso despertar, para a nossa educação enquanto espíritos imortais em evolução, estagiando numa faixa ainda bastante atrasada. É um mecanismo de reajuste para com a Lei. São sanções inexoráveis da Lei de Causa ou Efeito.

As nossas ações se mantêm vivas dentro de nós, ditando, segundo a lei do equilíbrio universal, as correções precisas para o justo cumprimento da Lei de Deus. Ou seja, as enfermidades são limitações necessárias para podermos mudar o rumo e crescer espiritualmente; uma forma de frear em nós as tendências milenares que vimos cultivando há muitas reencarnações, repetindo os mesmos equívocos de um passado difícil. São como limitações orgânicas que visam despertar em nós o compromisso espiritual.

Nada que vem do Criador pode deixar de ter um fim justo e edificante. Assim, também, o é com a doença. Ela existe como um instrumento de retificação para o espírito, é sempre um recurso de aprendizado de que se utiliza a sábia pedagogia divina. As doenças congênitas ou hereditárias, por exemplo, têm origem em encarnações passadas, têm uma causa anterior. Vêm marcadas no nosso código genético pela necessidade de aprendizado ou de reparação dos nossos equívocos.

Concluindo, as doenças na Terra existem porque os espíritos que aqui reencarnam são portadores de desequilíbrios que vêm trazendo há séculos. A cura, no entanto, é inevitável. Nesta ou em próxima encarnação o espírito se reajustará com a Lei. O espírito não pode se desfazer de suas ações anteriores, mas pode suavizar as provas, através da vontade firme de se melhorar internamente, de se transformar moralmente. Este é o passo primeiro para a cura.

Então, podemos entender o corpo físico como um "filtro" onde são expurgadas as "lesões" de toda sorte em forma de doenças?

Exato. Como dissemos, a Natureza não admite desequilíbrios. Tudo no Universo tende ao equilíbrio. O Universo é um cosmo e não um caos. Também o espírito está sujeito a esta lei. Provoca-se um desajuste nos centros de força perispirituais, e isto tem que ser consertado. Ele não pode ficar com o perispírito lesionado. É aí que o corpo físico funciona como um dreno purgando as células doentes e se renovando. A nossa destinação é a perfeição. Seremos puros e temos que nos depurar pouco a pouco.

E quando conseguimos a cura de uma doença?

Primeiramente, vamos esclarecer que nem todas as doenças têm a sua origem em encarnações passadas. Quando é cessada a causa, cessa o efeito. Quando conseguimos ficar livre do mal da doença, significa que o aprendizado que o espírito precisava foi cumprido. Ele se transformou moralmente e adquiriu mérito para a cura.

Você poderia falar-nos algo a respeito da cura pela fé, à luz da ciência atual?

Muitos cientistas estão ocupados em estudar a relação entre a fé e a cura. Desde a antiguidade há uma relação entre a Medicina e a Religião. Alguns resultados indicam a importância da fé nos processos de cura onde os religiosos têm processo de recuperação mais rápido ou adoecem menos de certas doenças como a depressão. A ação terapêutica da fé é hoje respeitada por um grande número de médicos que reconhecem que a fé sincera traz ao paciente um clima de esperança, o que é um valioso recurso mobilizado para a recuperação da saúde afetada. São instrumentos da vontade que fazem elevar o padrão vibratório da mente, estimulando o sistema imunológico à recuperação.

Pesquisas atuais apontam o perdão como fator principal em alguns processos de cura.

A mágoa prolongada, o rancor, o ódio, afetam o sistema imunológico criando um ambiente propício a doenças. Quando se perdoa, liberta-se da ação maléfica desses sentimentos. Daí a importância de não se alimentar situações emocionais que causam desarmonia. A consciência sem culpa estimula a reação do sistema imunológico e equilibra o metabolismo, portanto, a prática do perdão é um fator determinante para a cura, dentros outros, claro.

Deixe-nos uma mensagem final.

A doença é conseqüência de nós mesmos. Temos dentro de nós o remédio para a cura. Quando atingirmos um progresso moral mais elevado, através da mudança dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, das nossas ações, a doença não mais existirá na Terra. O Espiritismo nos dá os ensinamentos de que necessitamos para alcançar este estágio. Basta que nos dediquemos ao seu estudo e, principalmente, à sua prática.

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