terça-feira, 16 de outubro de 2007

Maconha de Farmácia

Proibição mantém milhões de doentes afastados da maconha medifinal

As propriedades terapêuticas da Cannabis sativa são conhecidas há mais de 2 mil anos pela medicina chinesa. Para a medicina ocidental, ela é comprovadamente eficiente para tratar náusea e vômitos em pacientes sob quimioterapia, aumentar o apetite em pacientes de aids e diminuir as dores musculares causadas pela esclerose múltipla. Mas a lei diz que tudo isso pouco importa: usar Cannabis é crime. E ponto final.

Apesar dos efeitos médicos comprovados, o acesso à maconha medicinal ainda é muito restrito. Os remédios à base de Cannabis que existem hoje - a Nabilona e o Marinol - não são muito eficientes porque o THC, que resolve a náusea, também é responsável pelo "barato" da maconha. Para evitar que o uso do remédio seja confundido com a droga, a concentração de THC é reduzida - e o efeito terapêutico também. Além disso, pacientes dizem que fumar a erva é o melhor remédio. Mas não tem sido fácil mudar a lei para conquistar esse direito, porque a maioria dos países tem medo de que autorizar o uso medicinal pode ser o primeiro passo para permitir também o uso recreativo.

Até agora, o único país que deu esse passo foi o Canadá, que autoriza o fumo e ainda garante o acesso à droga. O próprio sistema público de saúde oferece a erva ou sementes, se os doentes preferirem plantar o remédio. Antes, eles precisam provar que precisam do tratamento. Já os hospitais conseguem a droga com empresas autorizadas a produzir exclusivamente para o governo. Leis parecidas também passaram em 11 estados americanos. Só que a lei federal americana considera todas inconstitucionais. Sim, é uma confusão. na prática, o FBI tem o direito de prender qualquer um por uso, produção ou venda de maconha.

Fonte: Super Interessante - Outubro 2007

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