Muitos imaginam que, por estarem trabalhando em escolas, empresas, bancos, instituições financeiras, pesquisa científica, departamentos públicos ou qualquer espécie de emprego, estão produzindo tudo o que poderiam para si mesmos e para a humanidade.Até certo ponto, isso é verdade, pois só o povo é que realmente trabalha - produzindo alimentos, meios de transporte, vestuário, prestando serviços etc. — mas, o que é essencial, o povo não usufrui dos resultados de seu trabalho, e também não é livre para produzir o melhor para a civilização. Pelo contrário, todos os frutos de seu esforço vão para as mãos dos poderosos do poder econômico-social e só poderá produzir o que for de interesse dessa classe dominante — ou seja, aquilo que vá lhes fornecer mais lucro. Portanto, sem que o povo saiba, ele trabalha silenciosa e obedientemente para que a loucura da estrutura social se perpetue onde os mais desequilibrados aprisionam e pisam os mais sãos.
O trabalho desempenhado atualmente pela humanidade é imoral, pois serve a causas imorais — e o povo não tem consciência disso. Cada um que trabalha para servir a uma instituição poderosa está contribuindo com sua parcela para que os indivíduos mais doentes continuem realizando a sua loucura e enlouquecendo o povo que lhe é prisioneiro. Está contribuindo para que dia-a-dia as condições de vida se tornem mais difíceis, na sociedade onde o número de pobres e em estado de privação aumenta cotidianamente, e onde a riqueza se concentra nas mãos de um número cada vez menor de indivíduos; onde desastres ecológicos se tornam cada vez mais flagorosos, até chegar ao ponto em que até o oxigênio nos faltará. Esse é o mecanismo social de corrupção do qual poucos escaparão.
O leitor poderá me perguntar: mas isso não é economia? O que isso tem a ver com psicoterapia, medicina psicossomática e Trilogia Analítica?Estou dizendo que, se o indivíduo não é livre para a realização da sua essência — verdadeira, boa e bela —, se ele não é livre para ser humano, jamais poderá ser são física, psíquica e espiritualmente, pois perecerá juntamente com a civilização que está em franco processo de destruição.
São praticamente nulas as possibilidades que um indivíduo tem de realizar um trabalho verdadeiro, seja ele cientista, artista, pensador ou industrial, e que lhe traga resultados financeiros merecidos dentro da estrutura socioeconômica vigente. O capitalismo defende o poder dos que têm o capital em suas mãos; o marxismo defende o poder para o governo e o grupo que o controla. Portanto, o povo está sempre à mercê do establishment de seu país e os indivíduos que desejaram sair disso, até então, não conseguiram nenhum apoio da estrutura social e econômica vigente.
Para dar solução a essa esquizofrenia social, Keppe criou um modelo de empresa, que pode ser composta de um a “n” indivíduos; em qualquer tipo de atividade, desde a prestação de serviços à arte, agricultura, indústria e pesquisa, onde todos os que trabalham são donos de seu negócio e não existem patrões e empregados.
Os dois princípios fundamentais para que um empreendimento seja trilógico são:
• Capital — O capital investido deverá ser igual para todos os sócios, o que impedirá que aquele que tenha maioria de quotas, adquira poder sobre os demais sócios Os sócios que de início investiram mais capital quanto os demais, fá-lo-ão a título de empréstimo para a empresa e deverão ser reembolsados da diferença, assim que possível. Os que não dispuserem de dinheiro suficiente, poderão integralizar as suas quotas gradativamente, à medida que a empresa comece a fornecer rendimentos aos sócios.
• Divisão dos lucros pelo trabalho — As Empresas Trilógicas não têm salários como acontece às demais empresas do mercado. O sistema utilizado é o seguinte: com a renda bruta do trabalho de todos os sócios são pagas as despesas da empresa, incluindo-se compra de novas instalações, melhoramentos, manutenção etc., e o restante, ou seja, o lucro é dividido proporcionalmente entre os sócios, de acordo com a sua produção (qualidade e importância da sua função para a empresa, e o número de horas trabalhadas).
Isso proporcionará aos mais ativos obtenção de uma remuneração justa, o que não acontece nas empresas tradicionais, onde todos ganham pelo cargo, ou horas de trabalho, quer sejam produtivos ou não. Porém, essa é apenas uma das opções que poderão ser adotadas pelos sócios. O importante, é que o espírito da Empresa Trilógica prevaleça: que o lucro vá para os que trabalham, isto é, para os sócios, e eles farão do dinheiro o que melhor entenderem - poderão usá-lo em parte ou totalmente para aumentar o capital da firma, comprar maquinários novos, usar particularmente, enfim, à coletividade deverão caber a administração e o usufruto dos rendimentos do trabalho. Mas, para que a justiça prevaleça dentro das empresas, é necessário que haja reuniões de orientação com líderes trilógicos experientes, pois é essencial que todos os problemas e decisões da empresa sejam adotados em conjunto. Outros problemas, tais como desonestidade, competição, sabotagem, luta pelo poder, inveja entre os sócios, devem também ser conscientizados para poderem ser controlados; para isso, recomenda-se que os sócios façam análise individual e de grupo com psicanalistas trilógicos, para que os problemas sejam analisados de forma competente. As reuniões das empresas, entre os sócios, jamais deverão ser usadas como psicoterapia de grupo.
Essa forma de empresa garante aos indivíduos a possibilidade de exercer livremente, e no seu potencial máximo, a capacidade de produção em quantidade e qualidade, gerando um clima de grande satisfação e progresso, pois, o que realiza, é em seu beneficio, dos outros sócios e da sociedade em geral; e o lucro de seu trabalho virá para seu beneficio.Ninguém mais precisará depender de empregos disponíveis no mercado; de salários ou de chefes. Cada indivíduo é dono do seu trabalho e decide o que deseja fazer e oferecer ao povo. De outro lado, o povo terá muito mais opções de serviços a sua disposição, pois as Empresas Trilógicas poderão romper a monotonia e restrição dos monopólios criados pela economia capitalista e socialista — onde somente alguns capitalistas, ou o estado, decidem o quê e como o povo deve produzir.
Outro aspecto muito importante: nas Empresas Trilógicas não existe hierarquia baseada em capital investido, mas somente de funções; porém, todos participam das decisões da empresa, conferindo um alto grau de segurança e alargamento de consciência dos indivíduos, que passam, como empresários, a se engajar na sociedade como um todo. Não existindo mais patrões e empregados, a esquizofrenia, que domina a sociedade atualmente e a divisão de classes, estará automaticamente sanada.
As Empresas Trilógicas dão grande apoio umas às outras, no sentido financeiro, no know-how, na indicação de clientes etc., pois todas elas têm interesse em se unirem para se fortalecerem; o contrário das demais empresas capitalistas e socialistas, onde os funcionários trabalham com rancor, por saberem-se explorados e restritos em sua liberdade, quando não humilhados; e onde os proprietários, capitalistas ou governos só estão interessados em manter o controle e exploração dos povos em suas mãos.
Já existem várias empresas aplicando o modelo trilógico no Brasil, EUA e Europa e as suas experiências serão descritas no livro sobre Empresas Trilógicas (que está em fase de publicação).
Toda a filosofia e embasamento dessas empresas e da nova forma de economia trilógica são descritas nos livros: A Libertação dos Povos e Trabalho e Capital, de Norberto R. Keppe. As Empresas Trilógicas têm o propósito de, finalmente, dignificar o ser humano em seu trabalho, pois nelas, o indivíduo vende seus serviços e não vende a si mesmo, o que ocorre nas empresas tradicionais e em todos os empregos, pois todo empregador age como “proprietário” de seus empregados.
É a maneira de o indivíduo obter sua independência, pois poderá ter liberdade:
1. nos seus horários de trabalho;
2. no preço a cobrar pelos seus serviços;
3. no tipo de trabalho que quer realizar;
4. onde quer trabalhar (cidade, país etc.) e por quanto tempo;
5. com quem e para quem deseja trabalhar.
De outro lado, os parasitas sociais e preguiçosos também não mais poderão dependurar-se em cabides de empregos sustentados pelos que trabalham, pois, nas Empresas Trilógicas, os que mais produzem, mais lucram.
E, finalmente, as Empresas Trilógicas têm sido a oportunidade de o ser humano concretizar seus ideais por realizar um trabalho que vá realmente ajudar a humanidade, e, ao mesmo tempo, ser recompensado por isso, podendo viver e sustentar-se através do seu ideal colocado em prática, e, ao mesmo tempo, estará auxiliando milhares de outros seres humanos — direta ou indiretamente —, pois é somente com o trabalho justo que a humanidade poderá finalmente viver em condições materiais, psicológicas, sociais e espirituais que merece.
Fonte: www.stop.org.br
sábado, 18 de agosto de 2007
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