A área da minha vida em que tive mais dificuldade em aceitar essa idéia foi a do relacionamento com meu pai. Raramente víamos as coisas do mesmo jeito e discutíamos com freqüência. Só consigo recordar poucas vezes na minha vida em que não me senti tenso ao lado dele. Nosso relacionamento foi assim até a sua morte.
Quando recebi a notícia de que meu pai estava com câncer, fiquei chocado, em parte porque tinha a ilusão de que essas coisas só aconteciam com as outras pessoas e em parte porque não estava pronto para a sua morte. Eu sabia que o nosso relacionamento não era bom e não queria que ele saísse da minha vida sem que tivéssemos procurado nos aproximar.
Embora não mantivéssemos muito contato desde que eu me tornara adulto, fiz planos para voar até Tulsa e passar o fim de semana com ele quando os médicos lhe deram alta do hospital e o mandaram para casa. Disseram que não podiam fazer mais nada por ele.
Eu não sabia o que ia dizer, mas queria ter um tipo de conversa que não causasse conflito entre nós. Aquele iria ser um dos momentos mais importantes da minha vida.
Nunca me esquecerei da minha última noite com ele. Eu estava sentado na beira da sua cama, buscando em vão palavras que expressassem como eu lamentava o nosso doloroso relacionamento. De um jeito que não era do seu feitio, ele me disse:
- Mark, não temos conversado muito depois que você saiu de casa. Por que você não fala a respeito da sua vida hoje em dia?
Sem pensar, deixei escapar:
- Nossas conversas nunca foram fáceis.
Calmamente, ele retrucou:
- Bem, se abaixarmos a cabeça e rezarmos, você acha que poderemos conversar? Você conversa tão bem.
Chorando, abaixei a cabeça e rezei junto com ele. Nas quatro horas seguintes tive a melhor conversa da minha vida com meu pai. Na verdade, acho que foi o único diálogo verdadeiro que tivemos. Descobri coisas a respeito da vida dele que eu nunca soubera e contei-lhe coisas a meu respeito. Pedi que me perdoasse por ter saído de casa tão zangado anos antes e viverei o resto da minha vida lembrando das últimas palavras que eu disse ao meu pai: “Eu te amo.”
Uma das lições que aprendi naquele dia foi que não apenas eu, mas nós dois precisávamos curar nosso relacionamento. Ele entrou em coma no dia seguinte e não voltou a recuperar consciência. Tinha resolvido seus problemas e estava pronto para partir. Compreendi que eu também tinha assuntos não-resolvidos. De certa maneira, estava empacado e não conseguia levar a minha vida adiante por não ter resolvido meu relacionamento com ele. Era em meu benefício que eu precisava perdoa-lo.
domingo, 5 de agosto de 2007
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